terça-feira, 14 de junho de 2022

A Ruína de Vecna

Sim, este é o novo Vecna...
Saudações, nobres almas!

Com a chegada da 4ª temporada da série Stranger Things, o nome de Vecna, o Deus do Conhecimento Proibido, acabou se tornando bastante conhecido mesmo por quem nunca havia jogado D&D. E como é de se esperar, a Wizards preparou algumas ações para aproveitar a publicidade, o que, em si, não é um problema. Mas a forma como isso está sendo feito, por outro lado, não mostra esforço algum em honrar o legado do personagem.

Apesar de ser uma questão estética e, portando, de menor importância, fiquei bastante incomodado com o “novo visual” de Vecna, que agora ostenta olhos cor de rosa, piercings e diversos adornos dourados pela cabeça e corpo. A presença decadente, antinatural e ameaçadora foi substituída por um design com “temáticas contemporâneas” que passam muito mais a impressão de que Vecna está se preparando para um desfile do que para corromper o mundo.

Se no aspecto visual a nova representação de Vecna é questionável, no quesito de regras de jogo e a caracterização que isso deve fortalecer, a situação fica ainda pior. A Wizards optou por utilizar uma versão do personagem antes do mesmo atingir a divindade, para manter as coisas mais simples e básicas, o que não seria um problema se a caracterização tivesse sido bem feita. A questão é que, ao contrário do rei lich que conhecíamos no AD&D, este Vecna não é um conjurador, mas sim, um mero constructo com habilidades especiais para causar dano e outras para escapar caso as coisas fiquem ruins (o que invariavelmente acontecerá se esse Vecna enfrentar um grupo razoavelmente bem equipado de heróis de 11º nível). O mais triste (e cômico de certa forma) é que o antiog rei mago e autor do Livro da Escuridão Perversa nesta edição conhece pouquíssimas magias, o que é uma imensa contradição em relação à própria história do personagem. A ficha do personagem pode ser vista AQUI, caso tenham interesse em ver e avaliar por conta própria.

Apesar de ser a favor de simplificar as coisas para torna-las acessíveis a jogadores mais jovens, sou contrário ao empobrecimento de personagens e conceitos como forma ou consequência da simplificação. O Vecna de D&D 5ª edição, em minha opinião, é um projeto mal feito em todos os sentidos. Esteticamente, não lembra em nada o monstro que aterrorizou diversos mundos de campanha do AD&D e seus aventureiros na célebre aventura “Die, Vecna, Die!”, ou o Deus do Conhecimento Proibido de D&D 3ª Edição. Em termos de jogo, ele parece apenas um lich poderoso desenhado exclusivamente para combate, mas que sozinho não consegue desafiar um grupo de quatro personagens que esteja acima do 11º nível, até porque a maior fonte de poder e versatilidade que o personagem possuía, que eram suas magias, lhe foi praticamente negado nesta edição.

Neste sentido de mecânica de jogo, é interessante ver como a Wizards criou o personagem com algumas habilidades exageradamente poderosas para compensar a falta das magias mas, ao mesmo tempo, toma cuidado para não causar dano demais e correr o risco do confronto frustrar jogadores mais sensíveis. Como resultado, temos mais um exemplo de como a Wizards vem empobrecendo e destruindo seu próprio legado.

Por fim, para os jogadores mais jovens que gostariam de utilizar Vecna em suas aventuras, mas que também não se convenceram com o design atual do personagem, seguem duas imagens mais antigas (e dignas) do mesmo:

Vecna como divindade
Vecna como o Rei Lich

17 comentários:

  1. Gronark, O Senhor do Sofrimento14 de junho de 2022 21:11

    Meus servos estão fazendo bem o seu trabalho de reescrever a história do D&D, Caolho! Personagens clássicos como Vecna, Mordenkainen e Iggwilv foram completamente descaracterizados para atender a "agenda" atual. Os jogadores de hoje em dia querem apenas ter sucesso e não terem o trauma de "falharem". Isso cultiva um espirito fraco e dependente que meus servos exploram para transformar esses tolos em militantes em nome do CHAOS! HAHAHAHAHAHA

    (O que estão fazendo com os clássicos de D&D é uma ofensa ao legado do jogo. Vecna virou construto fraco quase sem magias. Esse ai não pode ser o mesmo Vecna que fugiu de Ravenloft e conseguiu entrar em Sigil deixando a Dama da Dor impotente. Mordenkainen, que é um arquimago misterioso e astuto que defende o equilíbrio em Oerth través de servos e planos intrigados, virou um tolo que do nada invadiu Ravenloft pra lutar com o Strahd por razão nenhuma e levou uma coça. Mas a pior mudança foi feita com a Iggwilv. Ela era amante de Grazz't, escreveu o demonomicon, deu a luz ao vilão Iuz, foi a terrível rainha bruxa de Perreland e tinha o título de "Mãe dos Demônios". Ela virou uma personagem "neutra na 5º Edição porque os editores quiseram. Nas palavras deles mesmos a baixo....

    "Iggwilv is the narrator of the supplemental sourcebook Tasha's Cauldron of Everything (2020) however, the book "focuses on the wizard before her Iggwilv transformation, with some input from her time as the Witch Queen". "In a call with media [...], lead rules designer Jeremy Crawford pushed back on the idea that Tasha could be described by a single type of alignment, stating that her alignment was whatever suited her current plans best. That's a definite change from her previous depiction as a 'chaotic evil' sort of character, and reflects a further development of her character beyond that of the oftentimes stereotypical scheming seductress that Iggwilv was portrayed as in past adventures". In another interview, Crawford said that "Tasha is a person who is unfazed by beings of many sorts—in addition to having consorted with darker beings, she also has consorted with, you know, beings of the upper planes. Basically, Tasha, in her brilliant curiosity, is untroubled by the various moral variations in the planes of existence. If there is knowledge to be learned and to [sic] power to possibly be gained, Tasha is unafraid to face it. [...] Tasha is whatever alignment suits her for the day, so I guess in that sense she is true neutral"."

    Esse Jeremy Crawford é um picareta desonesto. Pro cara alinhamento é igual a temperamento, que de manha estou feliz e a noite estou bravo. Transformaram a Iggwilv numa esquizofrênica que muda de moral a cada minuto. Pior que as regras novas praticamente transformaram todos em esquizofrênicos. Paladinos já não tem mais códigos e podem tocar o terror. Outra coisa, ele fala que Iggwilv fazia acordo com seres de camadas superiores, mas no lore antigo era só com demônios, tanto o título de "MÃE DOS DEMÔNIOS". Os editores fizeram com essa personagens o mesmo que fizeram com os orcs e drows. Apagaram todas as noções malignas no lore deles e higienizaram para acomodar a panfletagem de hoje. Um desrespeito aos fãs de velha guarda como nós e uma afronta aos criadores do jogo.)

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    1. Seus lacaios imundos não deixaram nem os vilões em paz, Gronark. É incrível como sua marca profana pode ser sentida nos Planos Celestiais, no Abismo e em tudo o que há entre estes pontos!

      (Também me revolto com o tratamento dado a personagens clássicos do jogo. Este Vecna, em minha opinião, é uma piada de mal gosto. Não há como ler sua ficha e imaginar um arqui-mago nem sequer conceber a visão dele escapando de Ravenloft (nem entrando, sejamos honestos) e incapacitando a Dama da Dor. O embate de Mordenkainen e Strahd foi algo que de início, não acreditei e achei que era piada, tamanha a incoerência no comportamento do mago e falta de sentido em tudo aquilo. O caso de Iggwilv foi descaradamente uma ação para adequar a personagem às novas agendas e sensibilidades de hoje.

      Na época, eu cheguei a ler a justificativa que a Wizards publicou sobre ela e as mudanças em sua personalidade, e foi algo risível. Também me lembro dela ter tido relações e pactos apenas com demônios e criaturas infernais, nunca com seres de planos superiores. Em relação ao alinhamento, foi uma tentativa patética de justificar o fato de que eles simplesmente não queriam mais uma personagem maligna, mas sim, alguém cínica e sarcástica que combinasse com a moral decadente dos dias de hoje.

      Mike Mearls e Jeremy Crawford são duas pessoas que eu gostaria muito de ver longe de tudo aquilo que está ligado ao D&D. Além de desenvolvedores de regras bastante medíocres, não têm respeito algum pelo jogo, seu legado e pelos jogadores que jogavam e carregaram o D&D nas décadas em que ele era apenas um "jogo de nerds").

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    2. Por fim, concordo também com o problema da esquizofrenia dos alinhamentos. O caso do paladino já expus em outro pergaminho, e em minha opinião, é onde o problema surge de forma mais gritante. Mas ele se alastra por todas as partes do jogo com essa decisão de se remover limites morais e mesmo os alinhamentos em si. Ao invés de trabalhar melhor esses conceitos (explicando, por exemplo, que um personagem leal e bom não precisa tolerar escravidão apenas porque ela é permitida legalmente em um reino) eles escolheram o caminho mais preguiçoso e cômodo, que era simplesmente desconsiderar esse importante elemento de um jogo de D&D.

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  2. Eu não me incomodei muito com o visual do Vecna. Me pareceu bastante interessante, na verdade. Ele era fruto de uma sociedade tribal, os Flan, que mesmo nos dias atuais de Oerth se assemelham a uma cultura tribal, com vários das ilustrações de personagens flans tendo tatuagens, piercings e adereços similares. Esse visual é anterior a traição de Kas, então, acho que ele teria um visual adequado a sociedade em que vivia, o que deveria ser o mais "alienígena" o possível para pessoas da moderna Flanaess.

    Quanto aos stats... Flight of the Damned é especialmente maldoso. Com ele voando, poderia apontar para baixo, em um cone de 120 pés, permitindo matar exércitos inteiros de uma vez só. Todos os ataques são extremamente fortes, na verdade. Rotten Fate causa 96 de dano em média, o que é muito forte e ainda reanima o inimigo. E ele tem muitas magias. São 17 diferentes, sem contar que muitas delas são at-will. Ele é um personagem extremamente forte.

    Uma versão posterior de Vecna, tendo perdido a mão e o olho, mas também tendo adquirido ainda mais conhecimento, seria ainda mais poderosa.

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    1. Um comentário adicional, na aventura que eles lançaram junto com o statblock, é possível ver também lair actions para o Vecna, o que tornaria o combate ainda mais intenso. Eu diria que é muito provável que ele fizesse um combate interessante para personagens de nível 15. Uma coisa complicada na 5e é que eles não levam em consideração itens mágicos para criar as CRs, então é bem comum que os grupos acabem muito fortes se tiverem itens mágicos.

      Mas a forma que eu usaria o Vecna: Já começar com Flight of the Damned, usar a adaga para negar qualquer tipo de cura (recuperação de HP por habilidades) e usar Anular Mágica em todas as magias de cura que surjam; atacar quaisquer spellcasters ou quem ataque a distância primeiro, usando Vôo para se manter longe dos atacantes corpo-a-corpo; se teleportar como reação ao primeiro ataque dos guerreiros e recuperar o HP; ou simplesmente usar Portão Dimensional, se afastar por 3 ou 4 rodadas e voltar com o HP cheio.

      Embora eu tenha comentado sobre o número de spells, eu realmente acho pouco. Acredito que eles tenham escolhido fazer dessa maneira justamente para facilitar que o mestre use o statblock, tirando tudo que não fosse estritamente necessário.

      Dito isso, eu não costumo jogar aventuras que passem muito além do nível 10. É bem longe do que eu gosto de jogar, na verdade. E acho que a maioria das pesquisas que a WotC fez mostra que essa é a média dos jogadores. Usar um personagem como Vecna como um simples encontro de combate me parece um desperdício.

      De tudo, o que mais me agradou foi o design novo. Como eu disse antes, os Flan sempre foram descritos como nativos americanos. Então, piercings e coisas similares parecem fazer sentido. De modo geral, vendo os fóruns americanos que eu participo, as reações ao visual novo foram positivas.

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    2. Saudações, nobre amigo!

      Em relação ao visual de Vecna, como ocorre com tudo o que lida com aspectos astéticos, teremos sempre opiniões bastante diferentes. Agora que comentou, me lembro muito brevemente da descrição dos Flan, mas não acredito que a escolha do visual e principalmente das cores (rosa e dourado) tenha sido feita baseada nisso. Eu realmente não gostei, mas é minha opinião pessoal. Vejo também fóruns norte-americanos com pessoas aprovando e outras ridicularizando. Se afastamos as considerações ideológicas, realmente, a questão se resume ao simples gosto de cada um.

      Em relação ao statblock, ele foi mesmo feito para tornar o personagem poderoso mas ao mesmo tempo, bastante simples de se lidar. Ele é, inquestionavelmente, um personagem forte/poderoso. Mas não é um conjurador, e não remete ao Vecna que nossa geração conheceu. Se a ideia aqui fosse criar, por exemplo, um "Cavaleiro da Morte", estilo Lord Soth ou Kas, não haveria problema; eu realmente elogiaria o trabalho. Mas retratar um mestre conjurador desta forma, para mim, não fez sentido.

      Em meu tempo livre, fiz, por mera curiosidade, uma simulação deste Vecna contra os heróis da última campanha que mestrei em 2017, que contava com 5 personagens (ladina, warlock, monge, clérigo e mago com poucos itens mágicos) que terminou no 12o nível. Era um grupo de aventureiros, não máquinas de combate otimizadas, e ainda assim, eles conseguiam derrotar Vecna com um pouco de dificuldade por volta do 5o-8o turno. Se personagens otimizados fossem utilizados (especialmente contando com um paladino no grupo), o desafio seria de médio a pequeno para um grupo bem organizado de 11o-13o nível. Não fiz a simulação, mas acho difícil esta versão de Vecna desafiar como antes um grupo de 15o nível.

      Também prefiro campanhas de nível baixo-médio, e pensando em aventureiros de nível 08-10, como colocou, ele realmente seria um enorme desafio, especialmente em certos ambientes. Mas o que mais me incomodou neste ponto foi o fato de que acho um desperdício este personagem aparecer para desafiar personagens neste nível de poder, e também discordo da forma como ele foi construído (boa quantidade de dano, mas baixa versatilidade e poucas magias, considerando o que ele anteriormente conhecia e que algumas das 17 atuais são cantrips).

      Para mim, a diferença foi gritante demais. Admito que eu poderia sim utilizar este personagem (com outra ilustração) como antagonista final de uma campanha, mas não conseguiria chamá-lo de Vecna.

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    3. Gronark, O Senhor do Sofrimento20 de junho de 2022 20:37

      Está tudo acabado, caolho! A corrupção em D&D é irreversível, já que os produtos dos meus servos fizeram uma verdadeira lavagem cerebral em jogadores mais jovens. Agora são servos do CHAOS que irão chorar diante de qualquer desafio verdadeiro e cancelarão qualquer coisa que não se encaixe a sinistra agenda, HAHAHAHAHAHAHA

      (Pior que eu gosto de todas as escalas de jogo. É divertido ver um personagem ir de um aventureiro local de 1º nível até um campeão do continente de 20º nível. O Rhorvals é um exemplo, começando como um sacerdote guerreiro de Corellon que queria provar seu valor até se tornar o herdeiro de Aenarion e campeão dos elfos. O interessante dele não é o poder, as magias e objetos mágicos, e sim o amor que ele sente pela sua família e amigos. O conflito interno dele contra a maldição de Khaine. Mesmo ele tento terminado o jogo em 30º nível depois da campanha "Ira dos Justos". Não vejo ele como "Herdeiro de Aenarion" vestido com a armadura do Rei Fênix pronto para destruir o mal, mas sim como um sábio e carismático similar ao Elrond quando a Sociedade doAnel é reunida em Valfenda, mas que também é meio debochado e (levemente) infantil com as pessoas mais próximas e queridas além de ser super-protetor com seus filhos.

      Mas em escala de poder em aventura, nenhuma chegou perto dos jogos do meu irmão e do Rodrigo quando interpretava o Vardalon. Mais de 20 anos jogando com o personagem. O Algoz estava no nível 54º. Literalmente tinha virado o "Campeão do Inferno" no melhor estilo Spawn. Conquistou 4 camadas do Abismo para as forças infernais, desequilibrou a balança da ordem e do caos, mas no fim, se redimiu ao se sacrificar na luta contra Kali-Ma, a deusa da guerra e destruição (bem similar a deusa hindu, mas mais próxima dela como foi no Lenda dos 5 Anéis) para ressuscitar o deus da guerra oeridiano Stratis e salvar o Heironeous e o Hextor dela. Fato curioso é que o culto de Stratis da nossa mesa parece muito com o culto de Sigmar do Warhammer Fantasy, hahaha)

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    4. Cale-se, maldito! Já notei que está nublando a mente de alguns de nossos irmãos, como o Druida Filid e Denilson, com suas subversões, mas isso ainda está longe de acabar. Há ainda pequenos, mas poderosos, pontos de luz que se recusam a morrer, e com o tempo, viraremos essa guerra!

      (Sobre as escalas/níveis de jogo, níveis intermediários (06-10) sempre foram meus favoritos, mas admito que gostei também de meu personagem Richard Pendragon (um dos meus únicos personagens, mas que chegou ao 23o nível em D&D 3a edição). Na campanha, ele, que era um clérigo, se tornou sumo-sacerdote de Bahamut, mas o que eu realmente gostava era o ar sábio e calmo que ele tinha, e a forma como cuidava de seus entes queridos. Até seu defeito, que era ser (demasiadamente) super-protetor, é algo que gostava. Entendo muito bem o que diz em relação ao nobre Rhorvals. Em relação a Vardalon, com este tempo de jogo e nível de personagem, acredito mesmo que tenha se tornado um campeão de Hextor e "colocou ordem" em 4 camadas do Abismo. Vejo em suas campanhas diversas referências a Warhammer Fantasy, e acho isso muito interessante, até por aprecisar bastante o cenário.

      Por fim, Druida Filid e Denilson, pelo o que conheço de ambos, sei que já entenderam, mas estou apenas brincando. Mesmo muitas vezes não concordando com vocês, ambos têm e sempre terão meu respeito).

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  3. É, estão deixando todos os personagens com designs bem simplistas. O Conde Strahd da 5ª edição também é uma sombra do que ele era nos tempos de AD&D. Esse Vecna aí seria o que meu pai chamaria de "Vecna depois da gripe" kkkkkkk
    No livro Domains of Dread (guia de campanha do Ravenloft para AD&D2e), o Vecna tinha stats poderosos para caramba, vários acima de 20, pelo que lembro (ele estava no nível semi-deus quando foi aprisionado em Ravenloft, e já tinha seu rival Kas).
    E acho que você foi generoso. Esse Vecna nutella (Nutecna?) seria derrotado facilmente por PJ de nível 3, pela minha experiência com a 5ª edição (se no nível 2 um guerreiro já tem 3 ataques por rodada, então um grupo de uns 4 guerreiros de nível 3 iriam varrer o chão com o Nutecna)

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    1. Hahaha, "Nutecna" é um ótimo apelido. Melhor do que o que minha esposa havia criado!

      Concordo que como Vecna, este constructo não convence; ele é poderoso como monstro, mas não da forma correta, e em se tratando de Vecna, nem na intensidade que era antes. Interessante notar que anteriormente (AD&D principalmente) ele era muito mais poderoso, e os personagens jogadores, por outro lado, bem menos. Agora, a situação se inverteu, e um dos "mitos" de D&D hoje poderia ser desafiado por personagens de nível mediano e derrotado por aventureiros preparados que tivessem alguns níveis acima do 10o, o que era completamente impensável antigamente.

      Existe aceitação em relação ao que está sendo feito, como Denilson demonstrou nos comentários, mas para mim, este Vecna foi, ao mesmo tempo, mais uma estocada que a Wizards deu em seus jogadores mais antigos enquanto priva novos jogadores do legado clássico do jogo.

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    2. Não só a WotC está se dedicando a acabar com o material original, mas os grandes conglomerados de entretenimento estão destruindo vários legados importantes... Isso não deixa de ser um reflexo da massificação das coisas. Tudo o que é feito pra consumo em massa tende a ser de medíocre pra baixo. Cultura nerd e RPG eram melhores quando eram mais de "nicho". Hoje em dia o nerd não é mais um nerd ... é apenas um consumidor de produtos excessivamente caros.

      Falando de coisas boas: "A Ruína de Vecna" seria um bom nome para uma aventura! Mas teria que ser com o Vecna raiz e não com o Nutecna...

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    3. Concordo plenamente com sua análise da stuação atual. Como o Sonhonauta disse certa vez, há um movimento forte para apagar legados importantes e com isso, afastar o que chamamos de "verdadeiros fãs" e substituir esse público por outro muito mais maleável e consumista.

      E realmente, "A ruína de Vecna" seria um ótimo nome para uma aventura. Seria interessante, nesse contexto, criar uma situação em que o Vecna original enfrentasse e destruisse esse impostor. Algo a se pensar...

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  4. Mormund Aço-Cantante20 de junho de 2022 20:08

    Não perca a fé diante de tempos tão terríveis, pois ainda há esperanças! Foi noticiado na terra do Sol Nascente que Berserk irá continuar, e a história será continuada pelos alunos de Miura e um amigo pessoal do autor, sendo que a esse, foi confidenciado o final da obra para que ela seja continuada!

    O cinema do ocidente também produziu duas maravilhas, "Top Gun: Maverick" e "O Homem do Norte". A primeira obra mostrando um homem superando o passado sem ter vergonha daquilo que é, e a segunda, mostrando como realmente se fazer uma verdadeira saga viking!

    Ainda há gemas de valor cujo brilho ofusca a escuridão perversa!


    (Em questão do visual do Vecna, ele realmente era um flan (ur-flan para ser mais exato), mas não é apenas nos indígenas americanos que eles são baseados, mas em uma mistura entre índios norte-americanos, celtas bretões e pictos (sendo que lembra bem mais esses últimos). A etnia que realmente se parece com indígenas são os olman, que literalmente são astecas e mayas que foram transportados para Oerth.

    Convenhamos, esse Vecna não me parece um indígena, nem um celta e muito menos um picto. Se olhar bem, esse Vecna parece ser uma múmia do corpo do Murphy sem a armadura de Robocop. Nas comunidades de Greyhawk o pessoal tava zoando o braço esquerdo desse Vecna ai parecer um canhão de plasma da T-X do filme "Exterminador do Futuro 3" ahahahaha

    Aceitação sempre vai ter, só olhar os "fãs" que aceitaram o que fizeram com as séries "Halo", "Star Wars", "Roda do Tempo" e "Senhor dos Anéis". Hoje em dia todo mundo é "fã", e se algum de nós tenta reclamar que estão desrespeitando as obras e seus legados, somos chamados de "não-inclusivos" (pra não escrever outra coisa), "trolls" ou "fandom tóxico". Por isso me alegro do Berserk voltar, porque é uma obra que o autor, a editora e os fãs sempre respeitaram e não um "produto" como foi transformadas as obras que citei antes.)

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    1. Nobre Mormund Aço-Cortante, seja muito bem-vindo a estes Salões. Seus feitos já chegaram a meus ouvidos e o congratulo tanto por eles quanto por sua valentia e humildade. é um verdadeiro Filho de Moradin. E sábias também são suas palavras, pois o legado de honra e luz que foi construído por nobres almas ao longo de décadas neste nosso mundo tão imperfeito nã pode ser apagado por essa onda de caos e corrupção que tomou conta do ocidente.

      (Também li sobre a continuação de Berserk pelas mãos dos alunos de Miura. Se fosse uma obra ocidental, eu realmente me preocuparia, porque aqui há a forte cultura individualista de "deixar a sua marca" e de desconsiderar a sabedoria dos que vieram antes de nós. No oriente, no entanto, isso é completamente diferente, e a obra realmente será honrada. Ouvi críticas muito positivas sobre Top Gun e O Homem do Norte, e achei muito interessante a menção recorrente de que ambos procuram contar boas histórias, e não fazer "lacração" ou panfletagem progressista. É uma volta às origens, algo muito necessário e bem-vindo. Relacionado a isso, li também que a Netflix se recusou a desligar produtores e atores que criticam/ridicularizam essa onda progressista imoral, dizendo que a partir de agora, eles iriam trabalhar com produções para todos os gostos, e quem se sentisse ofendido ou descontente, poderia simplesmente sair. Em outro fato curioso, a Disney retirou de todas as redes e artigos as primeiras sinopses da nova série de Willow, que faziam uma descarada panfletagem ideológica e praticamente ignoravam o personagem principal, e a substituiu por uma mais equilibrada. Está cada vez mais claro a insatisfação de muitas pessoas sobre a distorção de valores e a forma como as coisas estão sendo forçadas nos últimos anos, e estes, a meu ver, são pequenos sinais que anunciam uma mudança.

      Sobre o visual de Vecna, após a observação de Denilson, li um pouco sobre os Flan, e quanto mais eu lia, mais certo estava de que o visual escolhido não teve absolutamente nada a ver com a etnia/origens do personagem. Em minha opinião, foi um trabalho panfletário e de muito mal gosto, que gerou mais indignação e risadas do que aprovação. Essa questão da aceitação é como você disse: Sempre haverá aceitação para tudo. Mas o fato de algo ser aceito não significa que seja bom ou correto. A indústria/mídia ainda está tentando banalizar e destruir ricos legados em obras de fantasia para empurrar agendas distorcidas e massificar o público dentro de um padrão bastante maleável para eles. E aqueles que reclamam e apontam problemas são, realmente, apontados como "tóxicos", preconceituosos, trolls, intolerantes e outros nomes que não cabem aqui. Mas penso que até por isso, nunca devemos deixar de falar e apontar problemas no que é feito com aquilo que valorizamos e compreendemos. E quanto mais pontuais e menos agressivos formos, melhores serão os resultados).

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    2. Gronark, O Senhor do Sofrimento21 de junho de 2022 20:34

      A esperança já está perdida e não importa o que esse tolo anão menestrel diga! Meus lacaios na Amazon lançaram uma propaganda da série "Senhores do Lacre" tendo o alvo as crianças inocentes! Tanto essa obra da Amazon quanto a aberração com nome de Willow da Disney irão doutrinar e macular o imaginário das crianças! Aguardo ansiosamente para consumir essas almas puras! HAHAHAHAHAHAHAHA

      (O Vardalon deixou de ser apenas o campeão de Hextor pra se tornar o "Campeão da Ordem" (algo próximo da ideia do "Campeão Eterno" do autor Michael Moorcock). Tanto Ahriman (nome verdadeiro de Asmodeus) quanto Jazirian (o equivalente bom do Asmodeus) eram patronos dele, pois ambos são os "primordiais" da Ordem (leal e mal e leal e bom) iguais a Dama da Dor (neutralidade). A escala dele foi além do épico e então começamos a chamar a escala de jogo dele de "imortal" em alusão aos imortais de Mystara. Nessa escala praticamente estão Baba Yaga, Hércules ou Sun Wukong. Que praticamente são "mortais" capazes de lutar contra deuses, e as ações deles podem desequilibrar a Grande Roda planar.

      O algoz começou a lutar ao lado do Inferno pelo fato de que a Ferida do Mundo em Flanaess só poderia ser fechada pelo lado do Abismo. Então ele praticamente começou a usar o poder dele como um imortal pra conquistar as camas desse plano para poder fechar a grande fenda planar em Oerth que o vilão Iuz abriu em nossa campanha. O problema que muitas das ações dele desequilibraram o multiverso, como ter tentado matar o Erythnul para apenas ter feito com que Tzeentch (que na nossa mesa é o primordial conhecido como a "Serpente" que instigou Vecna a atacar Sigil, alem de ser o senhor da mudança, a manifestação de toda magia do multiverso e um rival da Dama da Dor) devolvesse a memória pra esse deus relembrando-o que ele na verdade era Khorne, aumentando o poder dessa entidade ao extremo. (Isso na nossa campanha pra introduzir os deuses do Chaos e colocar entidades rivais aos primordiais Jazirian, Asmodeus e Primus).

      Bem no final ele deixa de ser o Campeão da Ordem e luta pra salvar o Hextor e Heironeous, que tinham sido capturados por Kali-Ma para transformar ela em uma supra-divindade da Guerra e finalmente consumir seu aspecto de Shiiva. Tanto que na batalha final, Stratis reencarna no corpo dele, unindo o espirito do Vallen (que era a verdadeira reencarnação de Stratis) e a essência divina contida nas armas e armaduras do deus da guerra oeridiano. A alma do Mwaga se separou do corpo após a batalha e foi para o outro plano se reunir com a elfa Cereane. Mas um pedaço da alma (a parte guerreira) do Vardalon ficou na divindade. Tanto que o deus da guerra oeridiano tem três faces, o "Homem (Vardalon), o Espirito (Vallen) e o Divino (Stratis).

      Foi uma forma boa do Rodrigo e o careca se despedirem do personagem dando ao mesmo tempo a paz que ele desejava quanto o tornar um deus da guerra vigilante.)

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    3. Sua profanação na Terra-Média acabará em ruínas para seus lacaios da Amazon, Gronark. Até mesmo seus servos na Disney estão preocupados com isso, tanto que trataram de mudar o tom do trailer e sinopse de Willow. Seu domínio sobre esses dois grupos ainda é grande, mas seus servos cairão, um a um, marque minhas palavras!

      (Muito interessante essa história de Vardalon. Pelas participações deles aqui, eu sempre imaginei que seu destino seria assumir um aspecto "Leal e Neutro" e se tornar uma espécie de Deus da Guerra, e pelo o que contou agora, foi parcialmente o que aconteceu. Um ótimo desfecho para um grande personagem. Aliás, todos os personagens que seu grupo mostrou aqui eram bastante interessantes; não digo isso por conta do nível elevado de poder de alguns, mas pelas pessoas que eram. Se o tempo permitir, seria muito positivo se vocês registrassem essas sagas em forma de contos ou livros e compartilhassem com essa nova geração de jogadores. Penso que é desse tipo de trabalho que nosso hobby precisa).

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  5. Essa arte está horrível, me falta palavras para descrever o quão ruim está esse vecna. O personagem está genérico, parece que saiu de um video-game sci-fi qualquer. O artista fez questão de descartar todo o charme da versão old school. Infelizmente, esse modus operandi, já virou padrão a muito tempo.

    Como costumeiramente não jogo em níveis altos, em geral costumo focar na arte e nas habilidades como fonte de inspiração, então não tenho condições de criticar a ficha em si do personagem em relação ao nível de poder. Agora, eu posso dizer o seguinte... em relação ao fluffy essa ficha não faz jus a Vecna de maneira nenhuma, esse personagem praticamente só tem habilidades genéricas de causar dano, como isso iria representar o deus dos segredos?

    Eis +- o que eu faria: Iria caracterizar Vecna com base na palavra-chave segredos. Ele saberia todas as magias de necromancia, adivinhação, encantamento e ilusionismo e poderia lançar a maioria delas a vontade (abaixo do 5 círculo por exemplo, dependendo do CR que eu quisesse). Ele saberia também magias de outros círculos, menos avançadas, com exceção de 1 que colocaria exatamente pra surpreender o grupo (tipo, invocar um super-celestial - justificaria que Vecna descobriu o nome verdadeiro do celestial e assim passou a controlá-lo, assim o grupo recearia em matar o celestial). Vecna jamais seria pego despreparado (ele saberia de antemão os planos dos jogadores - a não ser se os jogadores soubessem que ele saberia de antemão seus planos e se preparassem pra isso), ele conseguiria ler mentes a vontade, então ele não poderia ser flanqueado, pego de surpresa e sempre teria umas 3 reações livres por rodada. Mas acima disso tudo, ele saberia os podres, os medos e as fraquezas dos adversários.






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