terça-feira, 12 de setembro de 2017

Game of Thrones 7ª temporada: O Inverno finalmente chegou

Saudações, filhos do Fogo e Gelo!

Como todos os guerreiros destes Salões, sou grande admirador de obras de fantasia medieval e de ambientações dentro deste gênero. Apesar de minha predileção absoluta pelo tom e moral das sagas que seguem o caminho do grande mestre Tolkien, sempre tive curiosidade em relação à saga de Game of Thrones.

Esta curiosidade não se deve à violência exagerada, exposição sensacionalista de cenas de sexo ou à moral deturpada que são amplamente celebradas na série produzida pela HBO. A curiosidade se deve apesar disso tudo, principalmente por causa da ambientação muito interessante que é descrita nos livros que, apesar de serem muito mais brutais que obras clássicas de fantasia medieval, não são nem de longe tão apelativos quanto a série.

De qualquer modo, por conta dos problemas acima mencionados, parei de assistir à série logo após o final da primeira temporada, e passei a ter contato com a obra apenas por meio dos livros e “guias de ambientação”. Contudo, ao final da sétima temporada, meus corvos me trouxeram notícias sobre uma profunda mudança de tom na série, mudança que agradou muitos e enfureceu outros tantos.

As principais mudanças que me informaram foram que a série agora havia extirpado todas as cenas sensacionalistas de violência desmedida, sexo e estupros. Além disso, por conta da própria estrutura da história, começava a rumar mais para o lado da fantasia épica do que de intrigas palacianas. Mudanças que, para meu gosto, são extremamente bem vindas. Em contrapartida, como os desenvolvedores da mesma pretendem “dar tempo” para George Martin terminar a saga, a temporada foi muito curta, e alguns elementos, como o deslocamento dos personagens pelo mundo, trabalhados de forma muito apressada.

A grande crítica que ouvi sobre esta nova abordagem foi a mudança de “tom”; a série estava substancialmente mais leve e direcionada para fantasia medieval, e algumas pessoas disseram que isso havia descaracterizado a história. Isto, contudo, não é verdade. Quem leu os livros, mesmo que apenas os primeiros, pode perceber desde o início a intenção do autor em conduzir a história para um desfecho épico, no qual todas as diferenças e intrigas que preencheram todo o enredo precisassem ser deixadas de lado para que se enfrentasse um inimigo comum e muito mais poderoso.

Sim, é o clássico embate entre bem e mal, mas é bastante perceptível que os ventos da história rumariam para este lado. E por isso, não há descaracterização da história ao se voltar mais para a fantasia épica. E em minha humilde opinião, a dificuldade severa que George Martin está tendo para concluir a obra vem precisamente do fato de que diante o desfecho que ele tinha em mente, é absurdamente difícil evitar que todos os planos, intrigas e traições que permearam a saga toda sejam completamente irrelevantes diante do mal maior que todos precisarão enfrentar.

De qualquer modo, movido mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa, assisti à 7ª temporada da série e gostei muito. As mudanças de tom na trama não fizeram com que se perdesse a inteligência e astúcia característica dos livros, muito pelo contrário; como agora não se despende tempo com estupros, torturas e etc, a história fica mais focada nisso. 

É possível ver também a força de caráter de diversos personagens e o preço que pagam por agir de forma honrada de modo muito mais interessante do que antes. A honra não é vista mais como tolice, e sim como algo de valor que apesar de dificultar muito/encerrar a vida de alguém, é algo digno de respeito. As poucas batalhas foram bem feitas (os dragões, estão simplesmente magníficos) e a brutalidade vazia e abuso de mulheres foram felizmente cortados. O único ponto negativo é realmente o curto espaço de tempo no qual a história foi contada. Mas ainda assim, foi uma ótima temporada, focada muito mais em uma boa história do que em sensacionalismo sujo.


2 comentários:

  1. Grande Odin! Uma bela visão, em meio a tantas criticas negativas, hm. Acho que o problema não foi nem a mudança do tom, mas o sentimento de que esse ponto, o fantástico, ficou superficial. Eu imaginei que a temporada ia iniciar como terminou: com a Muralha caindo. Com toda aquela propagando de o "Inverno está aqui", acreditei que finalmente teríamos mais do Rei da Noite, que algumas pontas soltas seriam resolvidas (o que deu certo até o episódio 4) e depois seria só Rei da Noite+Bran+Benjen, e o que entregaram nesse sentido foi muito pouco. O fantástico da série é uma ameaça enorme... mas que caminha muito devagar e com poucas informações, ficando, nessa altura do campeonato, atrás das outras tramas.

    E fiquei decepcionado com o protagonismo do Snow, hm. Acho que a história toda se destaca por não ter um protagonista, o tempo de cena dos personagens sempre foi bem equilibrado. Gosto, por exemplo, do episódio 4, em que Bronn, um secundário, é tão protagonista quanto Jaime na luta contra o exército da Dany. Mas... Jon Snow simplesmente está em todos os lugares nessa temporada, rs.

    Uma coisa é certa: essa temporada é a que mais rende conversa, haha.

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    1. Salve, nobre irmão, e sejas bem vinco aos Salões de Valhalla!

      Realmente, há sabedoria em tuas palavras... A grande ameaça/sobrenatural na série é algo que está ainda muito oculto, como uma espécie de "pano de fundo", e que por isso, sempre assumiu uma posição muito secundária na trama. Particularmente, me interesso mais por esta parte da história do que pelas outras tramas (que, apesar do tempo que ocupam e sua complexidade, são secundárias em última instância) e também senti falta de mais desenvolvimento relacionado ao Rei da Noite.

      Também concordo que a trama geral se focou muito em personagens como Jon e Daenerys; apesar de ambos terem sido suficientemente bem trabalhados, eu gostaria que personagens secundários como Beric e o filho de Robert tivessem mais espaço.

      Creio que estes problemas, em parte, ocorreram por falta de espaço/tempo, e concordo que são coisas que comprometem a qualidade geral da temporada. Mas apesar disso, creio que a mudança de tom foi um movimento na direção certa. Se na próxima temporada estes problemas forem resolvidos e mantivermos uma narrativa focada na história e não em sensacionalismo, teremos algo realmente muito bom.

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