terça-feira, 23 de agosto de 2016

Os Companheiros do Salão de Mitral juntos novamente em D&D 5

Saudações, bravos guerreiros do norte!

Como muitos têm acompanhado nos últimos anos, o mundo de Toril, a rica ambientação de Forgotten Realms, sofreu muito com a reestruturação feita em D&D 4 que, entre outras coisas, destruiu partes do cenário e jogou a cronologia oficial em cerca de um século no futuro.

Esta última medida, por si, garantiu a morte de muitos (praticamente todos) os heróis mortais e humanos do cenário, deixando um imenso vazio e destruindo muitas boas histórias. Com muito esforço, a equipe de desenvolvedores e escritores do cenário, agora novamente liderada pelo “pai” de Forgotten Realms, Ed Greewood, está trabalhando para trazer os Reinos Esquecidos a seus dias de glória, sem precisar recorrer ao recurso de se ignorar tudo o que foi feito com o cenário em D&D 4.

Neste sentido, R.A Salvatore encabeçou uma iniciativa para trazer de volta os antigos e saudosos “Companheiros do Salão de Mitral”, que tinham, de uma forma ou de outra, perecido, sendo que apenas o drow Drizzt Do Urden ainda vivo. Segundo os escritos de Forgotten em D&D 5, todos os companheiros, após suas mortes, foram encaminhados a um semi-plano paradisíaco pertencente à Mielikki, da deusa cultuada por Drizzt.

Assim, por meio dos eventos iniciados no livro The Companions e uma série de mini-sagas ocorrendo tanto nos suplementos de Forgotten Realms quanto nas atualizações do jogo Neverwinter Online, o bravo anão Bruenor e o sagaz halfling Regis voltaram à vida, reencarnados pela deusa Mielikki para auxiliarem Drizzt em uma nova e perigosa missão, na expansão Underdark de Neverwinter Online.

Contudo, meses se passaram sem que nada fosse dito sobre o bárbaro Wulfgar.

Aqueles que acompanharam os “bastidores” dos livros de Drizzt sabem que Salvatore, incomodado por alguma razão com a popularidade do bárbaro, começou gradativamente a denegrir o personagem, para então, matá-lo. Contudo, Wulfgar ainda continuava muito popular entre os leitores, e os editores proibiram Salvatore de matar o guerreiro. Contrariado, o escritor fez com que Wulfgar fosse jogado no inferno e passasse torturas terríveis nas mãos de um demônio, para então retornar com o espírito totalmente quebrado e se afundar na bebida como forma de esquecer os horrores que passou. Por fim, depois de muitos anos ele finalmente encontrou a paz, uma nova esposa e pôde recuperar sua honra.

Agora, nesta nova fase, Wulfgar inicialmente se recusou a deixar os Salões de Tempus para retornar a Toril e ajudar Drizzt em sua nova missão, o que na verdade, faria sentido. Contudo, por conta da pressão de fãs, na nova saga Storm King´s Thunder, Wulfgar reconsiderou sua posição e decidiu voltar a pedido da deusa Mielikki.

Particularmente, não gostei da decisão de fazer com que as almas de Bruenor, Regis, Wulfgar e Cattibrie fossem todas para um semi-plano de Mielliki ou da razão por traz da volta destes heróis porque me parece que suas existências estão girando em torno de Drizzt, o que, para mim, subestima bons personagens como Bruenor (meu favorito nos primeiros livros) e Wulfgar e superestima um pouco a importância de Drizzt. Mas este é apenas um ponto de vista. 

O fato extremamente positivo é que, seja como for, os Companheiros do Salão de Mitral estão juntos novamente!

6 comentários:

  1. Elladan, Filho de Elrond28 de agosto de 2016 11:24

    Este é de fato um assunto complexo. Por um lado, fico feliz em ver Bruenor, Regis e Wulfgar de volta a Toril, principalmente após a catastrófica reformulação ocorrida no cenário durante a quarta edição. Estes personagens fizeram parte importante de minha adolescência, e praticamente aprendi a ler em inglês por causa de suas histórias.

    Por outro, o motivo do retorno deles, e como você disse, o local para onde foram após a morte é algo muito difícil de aceitar: Por que Moradin permitiria que a alma de Bruenor, um de seus maiores reis e guerreiros, ficasse em um semi-plano paradisíaco criado por Mielikki, uma deusa que, apesar de fantástica, não tem absolutamente nenhuma relação com a cultura anã? Ainda: Por que Bruenor e Wulfgar iriam escolher permanecer em tal destino ao custo de ficar longe de todos os seus ancestrais e do lugar de honra que certamente teriam perante os seus? Não faz nenhum sentido.

    Assim como não faz sentido nenhum todos voltarem apenas porque Drizzt precisa de ajuda para cumprir seu destino. Não me entenda mal, sou muito favorável a histórias em que verdadeiros amigos abrem mão de algo valioso para ajudar um companheiro em necessidade, mas: 1) Salvatore deixou Drizzt tão insuportavelmente poderoso que o drow simplesmente não precisa de ajuda; em uma parte da saga em Neverwinter, fica subentendido que Drizzt teria condições de lutar em igualdade contra Demogorgon sozinho por algum tempo, e que a presença de Bruenor e Regis era mais um "conforto" do que uma necessidade. 2) A vida de todos os companheiros do Salão gira em torno de Drizzt, o que os põe em uma eterna posição de coadjuvantes, quando todos, com exceção da irritante Cattibrie, têm plena condição de serem excelentes protagonistas de suas próprias histórias.

    Já foi muito discutido isso aqui, e estou escrevendo apenas para expor minha opinião: Gosto muito de Drizzt como personagem, pois ele apresenta todas as características de caráter de um verdadeiro herói: Ele é humilde, abnegado, leal e corajoso. Porém, após os dois primeiros livros da primeira trilogia, odiei praticamente tudo o que Salvatore escreveu sobre ele, porque nas mãos do autor/criador, as histórias do personagem são ridículas: Drizzt é praticamente imbatível, e tudo e todos no mundo parecem existir para apenas para comprovar isto, de modo que temos a impressão de que o próprio mundo gira em torno dele. Fora que Salvatore jogou no lixo a oportunidade de tornar Drizzt um excelente ranger simplesmente para destacar suas incríveis habilidades e talentos como guerreiro.

    Por fim, Salvatore tem mesmo uma implicância assustadora com Wulfgar, e concordo que se trata de um ciúme da atenção que o personagem recebe por grande parte dos leitores. Tanto que durante um bom tempo (digo isto porque li todos os livros da série, na vã esperança das coisas melhorarem) Salvatore se dedica quase exclusivamente a denegrir Wulfgar sempre mostrando em seguida como Drizzt é diferente e "melhor", nitidamente como se estivesse tentando convencer os leitores disto.

    Em resumo, Drizzt é um personagem que gosto muito, mas que foi completamente desperdiçado por causa do ego de seu criador.

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    1. Salve, nobre irmão!

      Concordo plenamente com tudo que dissestes, e lamento muito Drizzt não ter se desenvolvido no ranger que poderia por conta dos delírios de seu criador. E também considero tolo e até imperdoável o que Salvatore fez com seus outros personagens, transformando-os em meros expectadores do brilhantismo exagerado de Drizzt, criando situações cada vez mais forçadas.

      E infelizmente, com a passagem dos livros, as coisas apenas pioraram, até chegarmos a este ponto risível em que se insinua que Drizzt pode fazer frente a um lorde abissal com o poder de Demogorgon.

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  2. Gronark, o Senhor da Dor28 de agosto de 2016 20:40

    Minha única preocupação é se o Wulfgar vai ficar decente nessa nova história. O Salvatore destruiu os seus personagens no decorrer dos livros. A série do Neverwinter é muito ruim, a amizade forçada do Artemis com o drow, o Drizzt sendo ainda mais intocável do que antes. A decepção foi o "The Companions", reforçando ainda mais a visão de protagonismo do drow e relegando um retorno sem muito sentido dos consagrados personagens.

    Na minha opinião a Wizard errou com Faerun nessa edição. Eles tentaram juntar tudo numa coisa de forma muito artificial no "The Sundering". Eles deviam ter feito o mesmo que a Alderac fazia com o cenário de L5Rs, os Jogos e eventos que determinam o destino do mundo com base na decisão dos jogadores. A Wizard deveria ter feito uma mega campanha basado numa volta ao passado, com os jogadores tentando evitar uma tragédia no futuro alterando a linha do tempo. Dessa forma poderiam manter as coisas antigas que o pessoal gosta, mas também manter algumas mudanças positivas no cenário ao mesmo tempo que recriaria o presente do cenário de uma forma única.

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    1. Forgotten Realms ficou "quebrado" como ambientação no início da quarta edição, quando os editores tentaram imitar a saga "Cataclysm" de World of Warcraft dentro de Faerun na tentativa absurda de transformar o cenário em algo mais "palatável" para o público de MMOs. Foi um verdadeiro desastre, que o trabalho na quinta edição ainda não foi capaz de corrigir. Ao menos não com as histórias da saga The Sundering.

      Também concordo que, dado o fiasco descomunal de Forgotten 4a edição, o mais sensato seria criar uma saga (em um ou dois livros, talvez), que que houvesse algum tipo de anomalia temporal preparando o terreno para que os próprios personagens jogadores retornassem ao passado em sagas pré-montadas (como as que são feitas em D&D 5)para reescrevê-lo, trazendo assim o antigo Forgotten de volta, mas com espaço para mudanças que comportassem novos conceitos de D&D 5, como o bruxo, os bárbaros totêmicos e diferentes ordens de paladinos. E evidentemente, cada grupo decidiria o que usaria ou não.

      Quanto a The Companions, li apenas uma resenha estendida e fiquei bastante desapontado, tanto que não busquei ler o livro. O retorno de Wulfgar e Bruenor ainda é uma incógnita, mas ao julgar pelo que Elladar narrou e pelo que eu mesmo li, definitivamente não tivemos um bom começo. Assim, nos resta aguardar...

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  3. Salve nobre amigo Odin.

    Eu sempre gostei de Drizzt e é meu personagem favorito do Forgotten, apesar de Salvatore ter cometido alguns erros sim, como já discutimos aqui. Mas se levarmos em conta o Forgotten 2e, vemos o Drizzt apenas como Ranger (sem nível em qualquer outra classe) e prefiro essa visão assim. Entendo que no 3e fizeram ele mais como guerreiro para "adaptar" aos novos tempos, que na minha humilde opinião, foi um erro, mas há quem goste.

    Não gosto disso de quererem colocar Drizzt chamando atenção apenas pelo seu poder. Suas histórias são belíssimas, e para isso nunca precisou colocá-lo do nível de um Elminster por exemplo. A história de Drizzt já o faz ser o que é, mas como já falaram, o exagero acabou estragando parte de sua história. No próprio suplemento do Forgotten AD&D, vemos diversos NPC mais poderosos que Drizzt, bem mais poderosos e nem por isso, o diminuiu, pelo contrário, talvez só Elminster consiga ter a fama de Drizzt, mesmo com personagens com 10 níveis acima de Drizzt.

    Enfim, concordo que deveriam criar uma anomalia temporal. Nem é tão difícil num cenário cheio de magia, basta enviar um grupo ao passado e este modificaria toda a história (fazendo com que voltassem algumas coisas e modificassem outras). Mas parece que a Wizard prefere o jeito mais difícil...

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    1. Realmente, nobre irmão, a Wizards sempre opta pelo caminho mais longo, tolo e mais difícil...

      Sobre Drizzt, é inegável que o personagem tem um potencial incrível, muito mais por seu caráter do que por suas habilidades exageradas nas mãos de Salvatore. E como sabiamente dissestes, o que o consagra como bom personagem não é seu nível de poder elevado, mas algumas boas e bem feitas histórias da época do AD&D, mais especificamente, na época de sua primeira trilogia, quando o estrago de Salvatore ainda era muito menor do que seus méritos.

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