quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Novos Clérigos da Guerra para D&D 5

Saudações, nobres servos dos deuses!

Movido por nossas recentes discussões, decidi trabalhar com algo que já há algum tempo tem gerado certa polêmica e insatisfação em alguns fóruns internacionais de D&D: O Clérigo da Guerra.

No AD&D e até em D&D 3, um clérigo da guerra era quase tão formidável em combate quanto um guerreiro, mas em D&D 5, suas habilidades de combate não refletem seu status de “braço armado dos deuses da guerra”, sendo que os bardos Escaldos e os bruxos do Pacto dos Grandes Antigos são combatentes bem superiores. Contudo, o maior problema é que os deuses da guerra são extremamente diferentes entre si, representando desde Heironeous até Erythnul, e nesta versão de D&D 5, não á nada que personalize as habilidades de clérigos da guerra conforme suas divindades patronas.

Assim, criei uma nova versão do domínio da guerra, totalmente compatível com os outros domínios de clérigos presentes no livro do jogador, focada em personalizar mais os clérigos da guerra conforme suas divindades patronas e em torná-los combatentes mais respeitáveis.

Como base, usei deuses da guerra bastante conhecidos entre jogadores de D&D, e pertencentes a vários panteões, de modo que adaptações conforme o cenário jogado são simples de serem feitas. Os deuses da guerra usados foram:

Heironeous (Leal e Bom)
Bahamut (Leal e Bom)
Hextor (Leal e Mal)
Tempus (Caótico e Neutro)
Helm (Leal e Neutro)
Clanggedin* (Leal e Bom)
Corellon Larethian (Caótico e Bom)
Grummsh (Caótico e Mal)
Erythnul (Caótico e Mal)
* Clanggedin é o deus anão da guerra que comanda os exércitos de Moradin.

NOVOS CLÉRIGOS DA GUERRA EM REGRAS
Magias Adicionais
Nível 1: Auxílio Divino, Escudo da Fé; 
Nível 3: Arma Espiritual, Arma Mágica; 
Nível 5: Manto do Cruzado, Guardião Espiritual; 
Nível 7: Movimento Livre, Pele de Pedra; 
Nível 9: Golpe de Chama, Imobilizar Monstro.

Habilidades Adicionais
Nível 1: Proficiência Bônus: Armaduras pesadas e armas marciais.

Nível 2: Benção do Deus da Guerra: O clérigo gasta 1 uso de Canalizar Divindade e gera um efeito especial conforme sua divindade patrona:

Heironeous: Escudo dos Inocentes
- Usando uma Reação, o clérigo pode cancelar todo o dano causado por um único ataque desferido contra si próprio ou qualquer aliado adjacente.

Bahamut: Escamas de Platina
- Usando uma Reação, o clérigo é protegido por escamas metálicas, que fornecem um bônus de CA de +5 até o final de sua próxima rodada.

Hextor: Senhor do Medo
- Usando uma ação bônus, o clérigo força todos os inimigos em um raio de 9 metros a fazerem um teste de sabedoria. Aqueles que não forem bem-sucedidos ficam assustados até o final de sua próxima rodada.

Tempus: Fúria da Batalha
- Usando uma ação bônus, o clérigo desfere um ataque adicional corpo-a-corpo com Vantagem contra qualquer alvo que esteja a seu alcance.

Helm: Penitência
- Usando uma Reação ao atingir o alvo com um ataque corpo-a-corpo, o mesmo deve fazer um teste de Carisma. Se não for bem sucedido, fica paralisado até o final de sua próxima rodada.

Clanggedin: Corpo de Ferro
- Usando uma Reação, o clérigo adquire Resistência a dano cortante, perfurante e de esmagamento de qualquer natureza até o final de sua próxima rodada.

Corellon Larethian: Escudo Místico
- Usando uma Reação, o clérigo adquire Resistência à magia até o final de sua próxima rodada.

Grummsh: Olho por olho
- Usando uma Reação, ao atingir um alvo, o clérigo força o alvo a fazer um teste de Constituição. Se não for bem sucedido, ele fica cego até o final de sua próxima rodada.

Erythnul: Insanidade
- Usando uma Reação, o clérigo força um alvo a fazer um teste de Sabedoria. Se o mesmo não for bem sucedido, ele gargalha descontroladamente e atinge a si próprio com a arma que tiver em mãos. O acerto é automático, e além disso, é considerado um acerto crítico.

Nível 6: Ataque Adicional: O clérigo desfere um ataque adicional a cada rodada.

Nível 8: Golpe Divino: Sempre que atingir um alvo com um ataque armado, o clérigo causa 1d8 de dano adicional. Este dano adicional aumenta para 2d8 no 14º nível, e seu tipo é definido pela divindade patrona do clérigo:
Heironeous: Relâmpago
Bahamut: Gelo
Hextor: Fogo
Tempus: Fogo
Helm: Força (force damage)
Clanggedin: Sagrado
Corellon Larethian: Sagrado
Grummsh: Profano
Erythnul: Sônico

Nível 17: Avatar da Batalha: O clérigo recebe Resistência a dano Cortante, Perfurante e de Esmagamento, causado por armas não-mágicas. Além disso, recebe Resistências adicionais conforme sua divindade patrona:
Heironeous: Resistência a dano necrótico.
Bahamut: Resistência a dano de fogo.
Hextor: Resistência a dano sagrado.
Tempus: Resistência a veneno.
Helm: Resistência a dano de ácido.
Clanggedin: Resistência a dano de fogo.
Corellon Larethian: Resistência a dano de força (force damage)
Grummsh: Resistência a dano sagrado.
Erythnul: Resistência a veneno.

14 comentários:

  1. Elladan, filho de Elrond17 de agosto de 2016 22:03

    Salve, Odin

    Sempre gostei do conceito do clérigo da guerra no AD&D, e na época, um de meus personagens favoritos foi um clérigo neste estilo que servia Corellon Larethian. Na terceira edição e em Pathfinder os clérigos deste domínio eram personagens muito interessantes também, mas o mesmo não pôde ser dito da versão apresentada em D&D Next. O clérigo da guerra atual tem poucas habilidades marciais relevantes, e como você disse, não faz frente às especializações "guerreiras" do Warlock ou do Bardo. E o pior, não havia praticamente nenhum espaço para customização, o que entendo dado o fato de haver vários domínios a serem explorados na classe básica, mas ainda assim, não deixa de ser frustrante.

    Sua adaptação ficou excelente, trazendo de volta uma das "pedras fundamentais" do AD&D em termos de conceitos de personagens. As habilidades ficaram equilibradas e condizentes com seus respectivos deuses, e agora, já volto a pensar seriamente em colocar um vilão central em minha campanha que sirva Erythnul. Será interessantíssimo ver a cara dos jogadores quando alguém for afetado pela habilidade "Insanidade".

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    1. Salve, nobre irmão!

      Apesar de nunca ter jogado com um clérigo da guerra, concordo que é um conceito muito importante em D&D, e fico feliz que tenhas gostado do trabalho feito aqui.

      Quanto à habilidade Insanidade, devo dar os créditos da mesma ao maldito Gronark, porque ele foi a verdadeira inspiração por trás disso: Por várias vezes, considerei cravar minha lança em meu próprio peito para me livrar de suas intermináveis profetizações em nome do Caos...

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  2. Salve nobre Odin!

    Eu não sou fã de clérigos da guerra, mas respeito a classe. Uma coisa que essa classe faz muito bem, é dividir a classe de Paladino x Clérigo, pois infelizmente alguns teimam em ter a visão do Paladino distorcida e o enxergam como uma Força Combatente da igreja, mas isso é trabalho para um clérigo de guerra e não de um Paladino que não tem vínculo com tal instituição, como já discutimos no último post.

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    1. Sim, tens razão, nobre irmão!

      A força combatente da Igreja deve ser representada por estes clérigos da guerra, e não paladinos que, mesmo mantendo boas relações com a Igreja de deuses da luz, não estão submetidos à hierarquia da mesma.

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    2. Salve nobre amigo Odin.

      Fiz uma história (não é personagem, é apenas um conto) falando um pouco de um jovem Paladino (do AD&D), que acho interessante para jogadores novos, diferenciarem Paladinos de Clérigos (muitos confundem), ou mesmo, mostrando a raridade do Paladino do AD&D. Caso queira que envie, só falar, depois se achar oportuno, pode postar aqui como um Conto.

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    3. Salve, nobre irmão!

      Sim, gostaria muito que enviasse tal história/conto, pois realmente, ajudará muito a inspirar novas gerações destes guerreiros sagrados!

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  3. Gronark, o Senhor da Dor20 de agosto de 2016 19:21

    Ficou bem legal a sua adaptação, Odin. Lembra um pouco aquelas apresentadas na Dragon Magazine. Só acho que a habilidade do Heironeous deveria ser ofensiva enquanto o "Escudo dos Inocentes" deveria ir para o Helm, pois essa habilidade representa bem o título de "guardião" que o deus de Faerun possui.

    Caolho, onde está o Khaine? O Deus da Mão Sangrenta merece estar nessa lista porque ele é o deus élfico mais másculo de todos, mesmo sendo de Warhammer!

    Me sinto homenageado por ter lhe causado dores de cabeça, isso mostra as forças da destruição estão causando problemas para você, caolho! O engraçado essa habilidade de "Insanidade" seria melhor empregada em Tharizdun (Deus ou Grande Antigo). Se me lembro bem, Erythnul dava fúria para os seus iniciados, ou algo parecido.

    Quanto a visão ser ou não ser distorcida sobre paladinos, é como eu já comentei no post anterior. Vai depender do que a pessoa quer jogar, sendo que a ideia é dar opções, e não limitar. Porque se isso é ter uma visão destorcida, então os criadores de Greyhawk (Gary Gygax e Dave Arneson) e Forgotten Realms (Ed Greenwood) são os culpados por apresentarem os paladinos tanto como templários quanto cavaleiros errantes solitários, HAHAHAHAHAHAHAHAHA

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    1. Como já falei várias vezes, falei que essa é minha visão de Paladino e cada um tem a sua. Prefiro a visão do AD&D, pois é a versão que mais joguei e mais gosto. Agora cada um interpreta do jeito que quiser e ninguém está errado.

      Quanto ao Forgotten Realms, na 3ª Edição eles realmente começaram com essa visão. Confunde-se Paladinos com Clérigos, tanto que Gareth Dragonsbane incrivelmente tem level de Paladino e Clérigo, assim, qualquer um confunde. Ignoro completamente Forgotten depois disso, O Drizzt virou um Guerreiro, ele tem mais level de guerreiro que de Ranger. No Forgotten 2ed, Drizzt é um Ranger, inclusive o mais famoso de toda Toril. Tyr deus ja justiça mata o Helm, onde formavam a tríplice da justiça juntamente com Ilmater. Depois vem Bahamut, depois Tyr passa o poder para Torm, estragaram o Forgotten Realms. Volta a falar, isso é Minha Opinião! Vai ter gente que prefere o Forgotten da 3ª edição, assim como tem gente que prefere a 4ª edição ou a 5ª.....

      Resumindo, questão de gosto. Eu tomo como base o AD&D que foi a versão que mais gostei e para MIM, a melhor. Em minha campanha, Tyr ainda é o Deus da justiça, mas cada um faz o que quiser, joga a versão que quiser e enxerga o Paladino que quiser, até Paladino do mal, como fizeram...

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    2. Grato pelos cumprimentos, demônio!

      Não coloquei Khaine porque (infelizmente) não tenho muito conhecimento sobre a cosmologia de Warhammer; mas pretendo ler mais sobre o cenário, e fazer eventuais inclusões nesta lista.

      A questão do paladino, como já conversamos, trata-se tanto de cenário quanto opinião pessoal. Mesmo eu que não aprecio muito a ideia de um paladino a serviço de uma Igreja (conceito muito usado em Forgotten e Greyhawk, como sabiamente mencionastes) tenho imensa admiração pelos paladinos Uther e Tirion do universo de Warcraft, uma ambientação na qual a Silver Hand é praticamente um braço da Igreja da Luz. No fim, creio que o realmente fundamental é o comportamento do paladino.

      Mas algo que me incomodou muito nas últimas encarnações de Forgotten Realms, como Eduardo disse, foi o "babarismo" que os escritores fizeram com as classes e com certos personagens icônicos do cenário, criando conceitos e fichas baseados não na coerência, mas na forma de tornar o personagem mais poderoso em combate (se bem me lembro, Drizzt em D&D 3 é um multiclasse com apenas 5 níveis de ranger e inclusive um nível de bárbaro), o que para mim, é um desrespeito com tudo aquilo que fora construído.

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  4. muito bom o trabalho, espero que continuem com as aventuras!
    e, só pra constar.

    AD&D tem uma reputação ruim hoje em dia justamente por causa de gente que acha que os outros tem que pensar igual

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    1. Bom dia.

      Ninguém tem que pensar igual a ninguém. Se vc está se divertindo, está bom. Se o pessoal que joga AD&D prefere AD&D (como eu), que continue jogando. Se prefere o D&D 3.x, que continue jogando. Se prefere o 4, o 5, que continue jogando, pq nessa história, como já falei várias vezes, o importante é cada um escolher a edição que prefere, eu escolhi a minha, assim como várias já escolheram a sua.

      AD&D ter uma reputação ruim é novo para mim. Ainda mais achar que tem que pensar igual, aí é mais novo ainda. Nunca ouvi falar disso, talvez seja por ser jogadores mais antigos e alguns não gostem, sei lá, sempre houve essa polêmica nos mais diversos jogos e no RPG não seria diferente.

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    2. Salve, nobre guerreiro, e sejas bem-vindo aos Salões de Valhalla!

      Agradeço pelo apoio, e reconheço que a postura de certos jogadores de AD&D (e de qualquer versão de D&D, para sermos honestos) que agem como se sua visão fosse a verdade absoluta não é algo saudável. Contudo, garanto que todos os entusiastas de AD&D que frequentam estes Salões sempre foram bastante respeitosos neste sentido, deixando claro que têm uma preferência, mas que entendem que "o melhor D&D" é uma questão totalmente subjetiva, e que todos os pontos de vista são válidos neste sentido. Como o irmão Eduardo sempre disse, o que importa é se estás se divertindo.

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  5. Gronark, o Senhor da Dor21 de agosto de 2016 20:07

    Cada edição de D&D possui suas qualidades e defeitos, pois cada pessoa possui seus gostos e desgostos. Os jogadores cometem o cruel erro de criticar as edições no lugar dos desenvolvedores e roteiristas, pois esses são os verdadeiros culpados nas mudanças em cenários como Greyhawk e Forgotten Realms. O D&D em todas as suas edições sempre partiu da ideia de criar opções variadas para variados jogadores, o problema há tantas opções que termina nas lendárias "guerras de edições". Essas discussões sobre qual edição é melhor só servem para criar rixas tolas que no fim só serve pra desunir mais a comunidade rpgistica. O pessoal deveria se unir mais para fortalecer o hobby em geral.

    Eu tenho uma opinião sobre o caso de AD&D ter ou não ter uma má reputação. Acredito que a culpa disso se deva principalmente a comunidade Old School, que no começo tinha o objetivo de fazer um retorno as origens, mas com o passar do tempo a mentalidade do grupo se tornou mais um policiamento sobre como se jogar "rpg de verdade". O pessoal da comunidade começou a ter alvos as pessoas mais novas e os "otakus", segregando eles por não possuírem o espirito de um "verdadeiro rpgista". Eu já vi isso tanto em blogs nacionais quanto internacionais, também presenciei no "RPG PORTO ALEGRE" quando o pessoal mentiu que não tinha mais lugares nas mesas pra um cara que estava com uma camisa de One Piece, dizendo barbaridades como "o otakoide ai não se enxerga", "Só vem pra poluir o jogo". O problema é que o AD&D é o sistema favorito da comunidade Old School, e infelizmente paga o pato por causa desse pessoal de pensamento limitado, fazendo esse sistema parecer ser de gente intolerante. Vou um pouco mais alem na minha critica, para mim todo grupo Old School é culpado, pois não se vê o pessoal criticar esses comportamentos dentro da comunidade, e para mim quem tolera esses pensamentos é porque no fundo aceita eles ou tem medo de ser criticado dentro do grupo.

    Quanto ao Drizzt ser ranger já foi respondido antes. O culpado é o Salvatore, que não retrata o Drizzt como ranger em seus livros, fazendo o drow abrir fechaduras e invocar demônios desde a "Estilha de Cristal", e depois transformando ele em um guerreiro invencível na "Joia do Halfling" em diante. Tudo isso ainda em AD&D, logo o culpado é o Salvatore, e o Drizzt é indefensável, HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

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    1. Sou obrigado a concordar contigo neste ponto.

      O "movimento old school", que começou como uma ideia nobre para resgatar alguns conceitos que estavam se perdendo, tornou-se uma "bandeira" em muitos lugares, e criou-se com isso um certo complexo de superioridade que é muito errado e injustificado. E como o AD&D geralmente é o sistema favorito destes jogadores mais velhos, o sistema em si acaba ficando com a fama de preconceituoso, pagando pela atitude fundamentalista de alguns jogadores.

      Felizmente, aqui nunca tivemos este tipo de problema, pois tanto quem prefere AD&D quanto Pathfinder ou D&D 5, reconhecem que tudo no fim se trata de uma questão de opinião. Contudo, reconheço que eu mesmo já fiz críticas pesadas ao D&D 4 porque na minha concepção aquele jogo destruiu muitas pedras fundamentais de D&D para poder continuar usando este nome. Mas ainda assim, não se trata de um preconceito quanto aquilo que é novo, apenas uma indignação pessoal com o que foi feito com um jogo que me é caro.

      Quanto a Drizzt, é o que conversamos anteriormente: Seu problema é indiscutivelmente Salvatore, que com seu ego gigantesco, preferiu transformar o drow em um guerreiro invencível que faz praticamente tudo do que desenvolvê-lo no grande ranger que ele certamente poderia ser. Uma pena e um grande desperdício...

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