segunda-feira, 6 de junho de 2016

Warcraft: O Filme

Saudações, bravos guerreiros!

Apesar de ter obtido boas avaliações em sites como IMDB e IGN, a adaptação cinematográfica do jogo Warcraft I foi feroz e irracionalmente massacrada por boa parte da crítica auto-intitulada especializada, de forma muito semelhante ao que ocorreu com Batman VS Superman. Agora, que assisti ao filme, compartilho convosco minha opinião, como fã e conhecedor da mitologia deste universo.

A história apresentada no filme está muito diferente da história original. E, no intuito de colocar em um filme de pouco mais de duas horas uma história bastante densa e com imensas implicações futuras, houve uma enorme perda de background. A profecia do Doomhammer foi omitida, e Durotan e Orgrim, apesar de ainda serem quase irmãos, aqui pertencem ao mesmo clã. Anduin Lothar está muito diferente do que aparece na história original, apresentando um sarcasmo realmente irritante em alguns momentos, fruto evidente do desejo em se agradar o público mais jovem. O mago Khadgar também sofreu uma alteração substancial. Mesmo não gostando de modificações nesse estilo, admito que parte delas foram necessárias, seja pela falta de tempo para contar a história toda em um único filme, seja pelos objetivos traçados para este momento da história.

Uma das premissas básicas dos criadores era contar uma história por dois lados, evitando o reducionismo “humanos são bons, orcs são maus”, e as modificações feitas, especialmente na história de Durotan, ajudaram muito neste ponto. E mesmo com certas alterações profundas, praticamente todos os personagens estão bem caracterizados. Particularmente, gostei muito da caracterização de todos os orcs mais importantes; Durotan, Orgrim, Garona, Draka e Gul´dan estão muito bem feitos e retratados.

Em minha opinião, dada a proporção da tarefa que os roteiristas tinham em adaptar este clássico em pouco mais de duas horas, foi feito um ótimo trabalho. Mesmo com as alterações no enredo e a má edição (que cortou cerca de 25% do que havia sido produzido, prejudicando muito certas cenas e eventos), os personagens em geral estavam bem caracterizados e em termos visuais, o filme é bonito e convincente. Ele também cumpre muito bem aquilo que se propõe, que é mostrar o primeiro estágio de um confronto verdadeiramente titânico. Este filme não é, e nem tenta ser, épico como O Senhor dos Anéis, mas ainda assim é um interessante filme de fantasia, recomendado a todos os amantes do gênero, mesmo aqueles que conhecem pouco sobre a ambientação.

Para aqueles que desejam saber mais sobre o evento original, há um excelente artigo (em inglês) neste PORTAL.

9 comentários:

  1. Em principio, vai existir uma versão alongada de realizador no bluray, muitos dos problemas de edição devem ficar resolvidos aí. Ouvi hoje que esta historia, para ser bem contada, precisava ser em tv, com múltiplos episódios. Temos visto alguns filmes sofrer com a penalização de tempo (mais curto, mais vezes que passa no cinema no mesmo dia, mais dinheiro, em teoria). Foi um projecto muito ambicioso e que à dois anos em diria impossível. Vamos a ver se tem força para uma sequela, e quem sabe, um franchise. O realizador disse hoje numa entreviste que gostava de criar uma trilogia.

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    1. Sim, concordo contigo, velho amigo. Esta história precisa de mais tempo para ser bem contada, e provavelmente, a versão integral realmente resolverá os problemas de edição.

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  2. Salve nobre Odin!

    O problema é que nunca vai contar tudo em nenhum filme (seja videogame, livro o HQ). Quero deixar claro que ainda não vi o filme. Mas um filme nunca vai satisfazer um fã, nunca vi pelo menos! Quem viu LoA e depois leu os livros, adorou o filme, agora quem leu os livros antes, criticou bastante o filme (raras exceções).

    Filme de HQ é a mesma coisa, como que vão capturar uma imagem de um heróis que tem anos de HQ e um filme (ou mesmo uma trilogia). Nunca! Não há tempo para isso, além de cada leitor ter sua visão do seu heróis, coisa que um filme não permitiria, com tom de voz, sarcasmo, ou nível de stress ou nervosismo.

    Quando tomarmos por base somente uma história baseada nos livros (ou HQ, videogame, etc), aí sim vamos ter um olhar mais crítico para o filme e sí e não em comparação com sua forma original. Seria como um filme baseado em história real, a história principal é a mesma, mas os personagens, comportamentos mudam, até pq seria impossível fazê-la igual (sem falar que seria chato).

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    1. Salve, nobre irmão!

      Muito bem observado; tens toda razão!

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  3. Apesar das falhinhas, acho que o que gostei tanto nesse filme foi a sensação de estar assistindo um filme de fantasia feito com paixão (e com carinho pelo mundo sendo retratado) de novo. Ultimamente, a alta fantasia tem sido levada com bastante desleixo ao cinema. Os poucos que saem têm carinha de "filme B" com roteiros esburacados e pouquíssimo desenvolvimento de personagens (vide "O Sétimo Filho"). Parecem feitos com preguiça só pra arrecadar uma graninha e atingir um público-alvo que os envolvidos nem respeitam (se respeitassem, seriam mais cuidadosos com as histórias). Tivemos a trilogia do Hobbit, mas eu a achei tão esquizofrênica por conta da direção exagerada do Peter Jackson que acabo nem me lembrando. Não curti mesmo.

    Já em Warcraft, nós temos um filme que leva a sério o que está sendo contado e que trata com respeito a maioria de seus personagens. Os humanos (com exceção de Medivh) sofreram mais com a falta de caracterização, mas mesmo assim não tivemos nenhum personagem completamente de papelão. Tivemos arquétipos, como o "rei justo" Llane, a "rainha sábia", mas eu sinceramente não me incomodo com os "tropes" e cliches da fantasia, porque, afinal, eu gosto de fantasia e das suas características. O Lothar realmente podia ter sido diferente, porque o Travis Fimmel teria sido melhor aproveitado como um personagem mais sério mesmo (ele tem uma atuação muito comedida, completamente focada no olhar, quem assistiu Vikings sabe do que digo), mas no cinema eles precisam do "alívio cômico". Ainda assim, é bom ver um filme que não se preocupa o tempo todo com piadas e gags nessa era em que todo mundo quer ser Marvel/Homem de Ferro/Guardiões da Galáxia.

    Enfim, eu me senti "contemplada". Não, o filme não é perfeito e não é "O Senhor dos Anéis" (e nem acho que se proponha a ser). Mas, por alguns instantes, me senti um pouco "em casa" de novo. Além disso, aquela ceninha com o Murloc me fez dar um sorrisão. :D.

    (E o que são aquelas magias lindas na tela do cinema? Babei).



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    1. Tens toda razão, sábia barda! Já fazia tempo que não conseguíamos assistir a um filme de fantasia que fosse bem feito. Mesmo com os problemas de edição e alguns pormenores, ficou bem claro a dedicação da Blizzard e sua equipe para nos entregar um bom trabalho. E sim, deu de fato a sensação de "volta ao lar", coisa que O Hobbit definitivamente não passou.

      Os efeitos ficaram mesmo impressionantes e bem fieis ao cenário, e pelas minhas barbas, aquele Murloc que apareceu três segundos realmente me fez rir...

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  4. Gronark, o Senhor da Dor10 de junho de 2016 22:39

    Eu adorei o filme, realmente não estava levando fé nele, mas me surpreendi positivamente. Os personagens da Aliança ficaram bem caracterizados, principalmente os anões e sua maravilha mecânica "pau de fogo" (que mostra que a maior contribuição da China para as artes marciais foi a criação da pólvora, hahahahaha).

    O que me decepcionou um pouco foi a Horda. O Durotan e o Orgrim foram completamente descaracterizados. Usaram o Durotan do lore do Warlords of Draenor, e não o clássico chefe berserker que foi o terceiro a tomar o sangue de Mannoroth (senti falta dele também, seria legal se no final mostrasse todos os orcs fazendo o pacto com ele).

    O Orgrim é que me me machucou de verdade ver ele daquele jeito, ali ele era um orc que era do clã Lobo de Gelo, indeciso, não sabendo o que fazer, caído de paraquedas no roteiro para ser um apoio para o Durotan. Totalmente diferente do guerreiro Rocha Negra que se recusou a beber o sangue de Mannoroth, que era um ferreiro lendário, um lutador terrível, estrategista implacável e dono da Armadura Negra e do Martelo da Perdição. Lembrando que ele era verde pelo fato de viver muitos anos longe do Sol, e também foi ele quem salvou o Durotan da sede de sangue no final do primeiro jogo.

    O Blackhand também ficou estranho, porque ele é o segundo a fazer o pacto e era totalmente louco, sendo lacaio do Gul'dan e do Conselho das Sombras. No filme ele uma hora é honrado, na outra é doido, depois volta a ficar honrado, surta de novo e morre honradamente no duelo.

    Para mim, o personagem que ficou melhor retratado, que roubou a cena todas as vezes que apareceu foi o Gul'dan, o bruxo! A hora em que ele salva o Thrall o corrompendo bebê, a cena em que a Horda tenta se rebelar apenas para que ele quebrasse a vontade deles usando os poderes demoníacos e o sacrifício dos draeneis para abrir o Dark Portal mostram quem ele é.

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    1. Também tive boas surpresas com este filme, e estou muito ansioso para ver a versão estendida (com os 40 minutos que fizeram muita falta em algumas partes).

      Particularmente, gostei da forma como trabalharam Durotan, especialmente porque era preciso passar uma parte mais "nobre" dos orcs para que o filme não caísse em uma situação na qual os humanos eram os heróis e os orcs os vilões. Dificilmente isso seria obtido com o Durotan original porque não haveria tempo para mostrar que mesmo corrompido, ele era uma guerreiro honrado, como mostravam suas conversas com Drek´Thar, um personagem de quem senti falta. Gostaria também que eles tivessem explorado um pouco da cultura xamanista dos orcs, mas talvez algo assim surja na versão estendida.

      No caso de Orgrim, concordo plenamente contigo. Não acho que ele esteja ruim, mas merecia mais atenção. Creio que ele será muito mais desenvolvido no próximo filme, e talvez, neste momento, vejamos armadura negra e a profecia do Martelo da Perdição. Eu realmente espero que este personagem seja melhor trabalhado no próximo filme, porque é um dos maiores líderes e guerreiros que os orcs já tiveram. Por conta da falta de espaço/tempo os produtores tiveram que fazer escolhas, e algumas não muito acertadas. No caso de Orgrim, o que mais me perturbou foi o fato de o terem colocado no mesmo clã de Durotan, os Frostwolves.

      Concordo também que Blackhand poderia ter ficado mais sombrio, e que Gul´dan (mesmo liderando de frente a Horda), ficou muito bem caracterizado e cumpriu de forma excelente seu papel.

      Por fim, ganhei de presente os livros Durotan e o da adaptação oficial do filme. O primeiro deles, que é o que estou lendo, está muito interessante, apesar das mudanças. O segundo, pelo pouco que vi, tem muito mais informação do que o que foi passado no filme, e por isso, recomendo a ti e a todos que gostaram do filme.

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    2. Outro fato de que me lembrei: Durotan não bebe o sangue de Mannoroth. Ele foi o único chefe tribal que recusou, e isto fez com que Gul´Dan expulsasse todo o seu clã da Horda.

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