quarta-feira, 13 de abril de 2016

Hall of Heroes: Richard Pendragon

Richard Pendragon
Saudações, nobres heróis!

Trago-vos hoje a história de mais um personagem; desta vez, a história de um personagem criado e jogado por mim, em uma aventura mestrada por um grande amigo durante cerca de seis anos. Convosco, a saga do clérigo Richard Pendragon.

Richard nasceu em uma pequena vila de pastores, em uma região de clima frio e invernos bastante rigorosos. Durante sua infância, ficava fascinado sempre que um bardo visitava sua vila, o que acontecia uma ou duas vezes por mês, exceto nos invernos, quando absolutamente ninguém ia até lá.

As histórias dos bardos sempre o fascinaram, e ele sonhava em crescer e se tornar algo “importante”. O que exatamente dependia das histórias que o bardo que estava de passagem na ocasião contava; quando ouvia grandes sagas sobre poderosos guerreiros, Richard queria se tornar um grande lanceiro. Quando ouvia sobre os feitos assombrosos dos magos do sul, desejava fortemente ser treinado por um deles. Quando ouvia sobre os feitos audaciosos de grandes ladrões e espiões do leste, desejava ser um fora-da-lei. E, se uma semana depois, ouvisse as lendas de um nobre paladino, o garoto desejava ser escolhido por um Deus como seu representante e se tornar um bastião da justiça. Isto, claro, quando não ouvia as histórias que os bardos contavam em recintos mais “masculinos” sobre a quantidade exorbitante de belas donzelas com quem eles haviam se deitado; nestes momentos, Richard sentia que ele não era o único que desejava ser um grande bardo...

Na verdade, Richard nunca soube o que desejava ser quando crescesse; apenas o que nunca queria ser: Um sacerdote. “Chega de rebanhos”, pensou o garoto, cujo pai era um pastor. “Tudo, menos isso”, exclamava para si mesmo. Além do mais, as poucas histórias que os bardos contavam sobre clérigos e sacerdotes eram geralmente enfadonhas e monótonas; “Quem, em sã consciência, iria querer passar a vida levando a palavra de um Deus para um bando de idiotas que só se lembram dos Deuses quando estão passando por fortes necessidades, ou quando querem muito alguma coisa?”

O caso é que, por vezes, não nos tornamos o que desejamos, mas sim, aquilo que o mundo precisa que nos tornemos.

Pouco após completar 15 invernos, Richard deixou sua vila com a benção de seus pais e com comida e dinheiro suficiente para mais de uma semana, contanto que fosse bem controlado.  Durante dias, o rapaz vagou em direção ao sul, para chegar às grandes cidades e, talvez, encontrar seu destino. Contudo, no oitavo dia de viagem, uma forte tempestade caiu, e ele se viu obrigado a sair de sua trilha e buscar abrigo em uma fazenda próxima. Ao chegar lá, durante a noite, ficou horrorizado, ao ver homens, mulheres e crianças (provavelmente parentes) estirados no chão, com os corpos completamente destroçados por garras e presas. E, para sua surpresa, havia ali um homem velho, de longas barbas brancas, cavando covas para enterrar os pobres coitados, ignorando completamente a tempestade. O velho, que vestia um manto de viagem sujo e maltrapilho, olhou para Richard com seriedade quando o viu. O rapaz sentiu seu coração quase pular pela boca, e, de repente, ele também estava ignorando a tempestade. “E se foi ele que matou estas pessoas?” “Na dúvida, é melhor sumir daqui!”. Contudo, algo em seu interior o deteve. E para seu próprio espanto, Richard foi em direção ao homem, e usando suas mãos e seu bastão de caminhada, começou a ajudá-lo a cavar.

A tempestade se agravou, mas Richard continuou cavando, mesmo sendo aparentemente ignorado pelo velho. Quando terminaram de cavar e enterrar os corpos, o velho se abaixou e fez uma pequena oração. Até hoje, Richard nunca soube o que realmente aconteceu naquele momento, mas assim que o velho proferiu sua última palavra, a tempestade repentinamente passou. “Como fez isto?” Richard perguntou. A única resposta que teve foi: “Eu nada fiz. Apenas pedi ao Senhor do Vento do Norte que levasse estas almas em paz e conforto para os planos celestiais”.

O Senhor do Vento do Norte. Bahamut, Richard pensou imediatamente, lembrando-se do Deus para o qual sua família e todos os seus antepassados oravam. Controlando o impulso tolo de perguntar o óbvio, se aquele ancião servia Bahamut, Richard perguntou o que havia feito aquilo com aquelas pessoas. O velho exibiu um semblante ao mesmo tempo sério e triste, e respondeu que foram mortos-vivos, e acrescentou: “O lastimável, é que se houvesse nesta propriedade um único santuário dedicado aos Deuses da Luz, por menor que fosse, as criaturas não ousariam entrar aqui.”
“Mas porque os Deuses só protegem aqueles que os adoram?” Richard perguntou, indignado com aquela situação. “Um guerreiro de bom coração que estivesse passando teria protegido todos aqui sem exigir nada em troca”.

O velho simplesmente balançou a cabeça e coçou a barba. “É por causa de idiotas como você que o mundo está deste jeito”. “Bahamut, assim como todos os Deuses da Luz, não exigem adoração, e desejam proteger a todos. Contudo, ao contrário do seu guerreiro de bom coração, eles não podem estar aqui em corpo para nos defender. Eles podem apenas caminhar com aqueles que caminham com eles. E, em alguns casos, conferir poder para alguns poucos transmitirem sua sabedoria aos necessitados e poder para proteger os inocentes”.

“Mas isso é o que um paladino faz” disse Richard em resposta, ainda refletindo sobre as palavras do velho. “Um paladino é um guerreiro sagrado, algo extremamente precioso”, respondeu o velho. “Porém, tão importante quanto lutar contra o mal e a injustiça, é ensinar às pessoas como elas, por si próprias, podem se proteger e viver de forma melhor e mais digna.”
Por um momento, Richard ficou atônito, como se estivesse finalmente entendendo o que o velho dissera sobre os Deuses só caminharem com aqueles que caminham com eles. “É isso que um clérigo faz?” Perguntou ele.

“Sim”, respondeu o velho simplesmente. “Você deseja aprender?”
“Sim, eu desejo”, respondeu Richard finalmente entendo qual o seu papel no mundo.

Nos anos seguintes, Richard viajou com o velho ajudando todas as pessoas por onde passavam. O velho, para a total surpresa do rapaz, era um guerreiro formidável, e o ensinou a lutar e como enfrentar mortos-vivos, necromantes, demônios e fantasmas; ensinou sobre as criaturas mais poderosas dos planos celestiais e abissais, e como fortalecer o espírito para se manter firme e íntegro diante de qualquer coisa. Ensinou, principalmente, medicina e artes da cura antigas, da época dos primeiros druidas. Contudo, Richard se sentia inquieto porque o velho jamais falava sobre o dogma de Bahamut. Nem mesmo quando conversavam com as pessoas, ele explicava algo além de “Estejam com Bahamut em seus pensamentos e ações, e ele estará convosco na mesma proporção”. E quando Richard questionava o velho sobre isto, tudo o que ouvia era “Não me faça perguntas idiotas”.

No quinto ano de viagem, quando pararam para cuidar de pessoas gravemente feridas por um ataque feroz sofrido por saqueadores orcs, uma mulher perguntou a Richard o que Bahamut desejava das pessoas. Sem pensar, enquanto fazia o curativo na mulher, ele respondeu: “Que ajamos com sabedoria e benevolência, ajudando uns aos outros, sem jamais ceder para o mal, esteja ele fora ou dentro de nós”. Neste instante, a mão de Richard começou a emitir uma tênue luz dourada, e o ferimento da mulher se fechou instantaneamente.

Observando aquilo, o velho apenas sorriu e disse: “Finalmente você entendeu. Não há dogma que possa ser memorizado e repetido. Há somente a Verdade, que pode apenas ser sentida conforme a percepção de cada pessoa”. Richard sorriu e agradeceu o velho, que, se afastando das pessoas, se transformou em um grande dragão dourado. “Meu trabalho aqui está feito. Agora, o seu começará”.

E assim foi feito. Nos anos seguintes, Richard viajou e se juntou a grandes heróis, que por várias vezes, salvaram o mundo de destinos terríveis. No grupo, Richard às vezes assumia a posição de líder, e em outras, o de bússola moral. Durante sua jornada, ele encontrou uma bela e valente ranger meio-elfa chamada Nara, e com ela se casou. E, mesmo depois de “aposentado” da vida de aventureiro, Richard serviu como conselheiro e tutor de uma nova geração de heróis, compartilhando sua sabedoria e salvando os novos heróis em momentos de grande necessidade. Apesar da vida perigosa e atribulada, na velhice ele viveu bem e feliz até seus 104 anos de vida, e pouco depois de sua morte, sua amada também deixou o mundo e o reencontrou em uma nova jornada, agora, nos Planos Celestiais.

6 comentários:

  1. RICHARD!!! A NARA TE AMA ^_^

    Caham... parabéns pela história, Odin! Que emoção relembrar este grande personagem ♥. E que belas lições ele aprendeu. Adorei o fato de ele não querer ser um sacerdote na infância, hahahahaha!

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    1. Hahaha, no início, tudo parecia melhor do que ser um sacerdote, mas como dizem, "a vida dá voltas"...

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  2. Muito boa sua história, mas ele parecia uma mais um paladino que um clérigo rsrs. Minha visão de clérigo seria mais ligado a igreja e este está realmente ligado direto a Bahamut sem intermediários, mas isso vai da interpretação de cada um.

    Inclusive a própria visão de Richard de um Paladino e de um Clérigo é a que tenho rsrsrs (antes de tornar-se um clérigo). Mas quem sabe um Dragão pode lhe ensinar as técnicas sem ligá-lo a uma igreja (até pq um dragão não seguiria uma igreja, e se seguisse, seria para mandar e não receber ordens), com certeza seria um clérigo com alma de paladino.

    O mais legal foi realmente essa aversão aos clérigos e quando tornou-se um, foi um momento especial. Mostrando que existe sim um destino, vc pode lutar contra ele, atrasá-lo, mas uma hora ele aparecerá :)

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    1. Hahaha, quando escrevi esta história, lembrei de ti, e de nossas conversas sobre clérigos e paladinos. A aversão inicial dele pelos clérigos foi uma forma divertida que encontrei para lidar com esta questão do destino.

      Escolhi fazer este clérigo como um devoto de Bahamut justamente para ter uma flexibilidade maior, já que Bahamut não possui uma Igreja forte ou definida, e passa seus ensinamentos por meio de tradição oral.

      Por fim, o velho Richard se sentiria honrado com a menção dele ser um "clérigo com alma de paladino".

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    2. Ficou realmente muito boa a história de Richard Pendragon. Com certeza qualquer aventureiro com uma boa alma, sentiria-se orgulhoso de ser comparado com um raro paladino, que é uma verdadeira encarnação da ordem e do bem.

      Logo um bardo visitará seu reino contando a história de Lancelor Tower. Este não poderia se comparar a um Paladino (apesar de se achar um), pois apesar de uma alma bondosa, vez ou outra lutava contra o sistema (por ser neutro e não ordeiro). Sem falar que apesar de sua alma bondosa, era muito orgulhoso de seus feitos, coisas que um real Paladino nunca seria (pois um Paladino está sempre vendo mais seus defeitos (os poucos que tem) do que suas qualidades, apesar de ninguém enxergar isso, além dele mesmo. Engraçado pois tivemos a discussão outro dia do Superman (das HQ), ele seria um verdadeiro Paladino, enxergado por todos como um exemplo, mas sempre com um fardo enorme pelo que representa...

      Nas minhas aventuras, alguns chegam a achar que Paladinos não existem, tanta virtude (e raridade) tem esta classe... Outros acham que existe apenas um Paladino (afinal, quem teve a sorte de ver um, dificilmente verá outro novamente). Este é o Paladino na minha visão.

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    3. Concordo plenamente com tua visão do que um paladino deve realmente ser. E mesmo não sendo necessariamente contra paladinos que se opõem ao sistema (dependendo do tipo de sistema e tipo de oposição, é claro), em resumo, o paladino seria exatamente isto que dissestes: Um "Superman" medieval; um exemplo a ser seguido por sua coragem, honra e humildade, mas que carrega um pesado fardo nas costas todos os dias de sua vida. Em minhas campanhas, eles também são a classe mais rara, verdadeiras lendas vivas.

      E falando em lendas, espero com ansiosidade pelo bardo trazendo as histórias sobre o grande Lancelor Tower!

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