terça-feira, 1 de março de 2016

Caracterizando raças meio-humanas no cenário

Bem trabalhados, meio-elfos e meio-orcs
podem ser personagens muito interessantes.
Saudações, nobres aventureiros!

Muito já foi dito sobre a importância de se caracterizar bem elfos, anões, halflings e outras raças exóticas em um cenário, para que o mesmo ganhe mais vida e identidade. Contudo, é muito comum que raças “semi-humanas” acabem ficando negligenciadas neste processo, e se parecendo demais com os humanos que vivem em cidades.

Em D&D, temos como padrão de raças deste tipo os meio-elfos e os meio-orcs. Ambas as raças, apesar de potencialmente interessantes, podem cair no problema da banalização, com meio-elfos com o drama eterno por não pertencerem nem ao mundo dos elfos e nem ao dos humanos e meio-orcs vivendo como párias e capangas em cidades de humanos.

Este tipo de abordagem é muito ruim porque coloca as raças em uma posição de inferioridade em relação às demais, porque eles não possuem valores culturais definidos ou mesmo uma história que os defina como raça. Desta forma, ambas ficam como meras sombras de suas linhagens.

Na época de D&D 3, lembro que em termos de regras os meio-orcs ganhavam pouquíssimas coisas interessantes, e os meio-elfos eram provavelmente a raça mais inexpressiva de todo o sistema. Em D&D 5, mesmo sendo considerados raças incomuns (o que acho correto), ambas as raças são formidáveis em relação a seus traços raciais, algo muito positivo. Contudo, isto ainda não basta se dentro da aventura os meio elfos continuarem a ser “humanos exóticos” sem nenhum traço cultural e meio-orcs continuarem a ser meros brutamontes.

Assim, para dar a estas raças a devida e merecida importância, mesmo havendo relativamente poucos membros delas no mundo, o importante é criar uma história que os dê uma identidade e um papel na ambientação. Por exemplo:

Meio-elfos em um cenário podem ser:

Poderosos druidas que combinam a sabedoria dos elfos e a determinação dos humanos para formar o mais importante círculo druídico do mundo, agindo como protetores do mundo natural e da civilização.

 Membros de uma grande sociedade de bardos, que formaram uma poderosa rede de informação ao redor do mundo. Esta rede pode auxiliar aventureiros e reis em causas importantes, sempre agindo nos bastidores, mas com boas intenções.

Líderes de uma poderosa ordem de rangers que patrulham áreas selvagens, exterminando nas sombras criaturas malignas antes que elas adquiram força suficiente para devastar pequenas comunidades de elfos ou de humanos em regiões fronteiriças.

Meio-orcs em um cenário podem ser:

Ferozes guerreiros tribais com um forte código de honra, lutando para defender suas terras das incursões de criaturas malignas, renegando tanto o modo de vida dos humanos quanto a selvageria dos orcs.

Guerreiros fortemente ligados à natureza ou a um grande círculo druídico, e como tais, se tornaram os maiores caçadores de necromantes e mortos-vivos do mundo.

Bárbaros de uma cultura xamanística com uma forte conexão com os espíritos animais, podendo convocá-los para batalha e usar as bênçãos de seus espíritos guardiões para proteger seu povo.

As possibilidades são muitas. O importante é que eles sejam bem caracterizados e deixem de ser meros proscritos ou sombras para que possam contribuir com o enriquecimento de teu mundo de campanha.

12 comentários:

  1. Salve nobre amigo!

    Interessante essa sua abordagem e diferenciação dos meio-humanos com outros humanoides. Eu sempre coloquei o meio-elfo como uma raça boa e com vantagens sobre as demais raças. Meio-elfo normalmente são bem aceitos no meio humano e existem muitos meio-elfos nas cidades humanos, mais que qualquer outra raça (tirando humanos, claro). Sempre achei o meio-elfo mais humano do que elfo e explico. A idade dele é bem mais próxima do humano do que de um elfo, então poderiam facilmente ser amigos de infância (apesar do meio-elfo viver um pouco mais). Elfos sempre pareceram atraentes aos olhos humanos, mais um tanto estranhos. Logo um meio-elfo aos olhos humanos, são tão atraentes (ou até mais) do que um elfo, mas não tem essa "estranheza" dos elfos. Realmente meio-elfo costuma gostar de florestas, devido parte de seu sangue élfico, mas isso, existem até humanos assim. Você falou das classes ligadas as florestas, mas esqueceu do principal (pelo menos em AD&D), o bardo. Meio-elfo bardo é tão clássico quanto um anão guerreiro. Tanto é, que o único não humano a chegar no level 20 no AD&D é justamente o meio-elfo bardo. Inclusive, como já citei aqui em outro pergaminho, meu personagem preferido foi justamente um meio-elfo bardo, mulherengo e abusado (puxando isso do seu lado humano), mas gostava de florestas, gostando de viver justamente em cidades pequenas médias, sempre perto de uma floresta. Gostava mais dos humanos do que dos elfos, até porque tinha mais sangue humano do que elfico, mas por vezes, sentia necessidade de conversar com outros meio-elfos que compreendiam o que humanos e elfos não compreendiam.

    Quanto aos meio-orc, só tive uma vez, mas joguei pouco D&D 3, pois não gostei, então prefiro deixar com quem jogou mais esse sistema. Mas sei que para eles seria bem mais complicado, pois humanos não gostam de orcs e vice-versa. Logo seria sempre visto com desconfiança, tanto de um lado, quanto de outro, sendo respeitado mais pelo medo de sua força.

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    1. Salve, nobre irmão!

      Concordo contigo que se pensarmos bem, os meio-elfos se parecem mesmo mais com humanos do que com elfos, especialmente por causa da longevidade, que em D&D, se aproxima muito mais da dos humanos. Assim, é de se esperar que eles convivam bem em cidades humanas e que despertem o fascínio que mencionastes. E até para valorizar mais isto, é que creio que seja muito importante caracterizá-los bem como raça dentro do cenário.

      Eu realmente foquei mais no aspecto das florestas, mas não deixei os nobres bardos de lado (é a segunda das três opções do meio-elfo). Não poderia fazer isto, pois como bem lembrastes, o meio-elfo do AD&D era um personagem célebre e icônico, como anões guerreiros e elfos magos. Mas admito que deveria ter dado mais foco no caminho do bardo quando escrevi o pergaminho, e trabalharei isto melhor em uma outra ocasião. Mas aproveitando o assunto, algo que gostaria ver é uma biografia de teu célebre bardo de AD&D. Farei uma série de posts trabalhando isto, e se puderes nos honrar com teu personagem, seria muito apreciado.

      O caso dos meio-orcs é mesmo bem mais complicado: São personagens que, se ficarmos restritos ao que está escrito no livro do jogador de D&D 3, 4 ou 5, praticamente o descartamos porque conforme os livros, eles não passam de encrenqueiros barulhentos, xucros e temperamentais. A menos que se queira muito fazer um personagem assim, pouquíssimos recorreriam à raça. Contudo, se forem bem aproveitados, eles também podem ser interessantes: Em meu mundo de campanha, eles eram escravos humanos em um império governado por necromantes, que foram usados em experiências arcanas para mesclar sangue de orcs a humanos para formar uma casta de escravos mais fortes. Contudo, se rebelaram e depois de receber ajuda de um deus da natureza, se tornaram grandes caçadores e criaram uma cultura própria, adotando até um novo nome racial, Rokan.

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    2. Salve nobre Odin!

      Será um prazer lhe ajudar em tal pergaminho, falando do velho Myrddin Emrys e seu bandolim, que tocava mais para atrair lindas humanas (ele preferia humanas a elfas, por ter sido criado no meio dos humanos) do que para lançar encantos (por vezes, as 2 coisas juntas para "facilitar" uma conquista), que foi um dos meus primeiros personagens de RPG. Apesar dessa aura de um bondoso conquistador, ao contrário dos bondosos elfos, ele era neutro, e isso vem uma longa história por trás, que o dia que quiser, contarei um resumo de sua história e aventuras, com ele mesmo faria (afinal, ele era um bardo que contava histórias dele mesmo, mesmo que por vezes usasse outros nomes). Ele parecia um pouco com aquele bardo folgado de seus quadrinhos (falando nisso, cadê a continuação mesmo que por texto?), apesar de Myrddin realmente fazer feitos incríveis em combate, mas sempre aumentava em suas histórias, sendo adepto do "aumento, mas não invento".

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    3. Hahaha, traços digno dos maiores bardos, realmente!

      Logo farei a série de pergaminhos para conhecermos mais os célebres personagens dos aventureiros destes Salões, e será uma honra abrir a série com Myrddin Emrys. Muito em breve trataremos disto.

      Quanto ao infame Jake Evermore, como disse anteriormente, aquela era para ser apenas uma despretensiosa história isolada, mas como várias pessoas também me pediram a continuação, conversarei com o artista para tentarmos fazer uma sequência. Se isto não for possível, em meu primeiro tempo livre escreverei a continuação em forma de conto...

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  2. Tu vejas Allfather, eu segui pelo caminho contrário. Quando era mais guri e jogávamos os meados de 3.5 e começo de pathfinder, eventualmente notara como tinham várias raças em meu cenário que eram ou "meio-coisa" ou "descendente de coisa" que na prática eram humanos um pouco diferentes; meios elfos, meios orcs, meios ogros, feytouched, aasimar, tiefling (classico, não 4e), changelings (de pathfinder, as futuras bruxas), genasi e outros. Mesmo o cenário sendo originalmente pouco mais do que "meu cenário de D&D" sem nada particular, essas raças faziam parte do imaginário coletivo do cenário, mas eram raças de invidíviduos.

    Diferente de eberron onde por exemplo meios-elfos são como em seu artigo uma raça por si só, em alancia eles eram indivíduos, figuras. Toda uma raça de jogador para eles era... excessiva. Especialmente quando suas habilidades eram tão pouca coisa.

    Eventualmente então nós tivemos uma ideia que ao fim da contas era absolutamente o que a gente precisa: Sub-raças para humanos. Não -exatamente- subraças, mas o que nós chamávamos na época de Linhagens. Meio-elfo, meio-orc, changeling, dampiro, essa galera toda eram Talentos [Linhagem], que só podem ser pegos no nível 1, e que você só pode ter um único tipo.

    Dessa forma você poderia pegar seu talento extra de humano e escolher um talento de linhagem, sendo então um meio-orc. Era como se vc "trocasse" o talento de humano pelas habilidades típicas de sua meia-raça. Claro que isso também permitia que outros povos pudessem pegar vários deles (como tiefling, aasimar, dampiro, etc).

    Acabara que em alancia as coisas evoluiram e tornaram-se mais únicas, e essa noção virou um plot device do cenário: alancia tem -espécies-, não raças. Elas não se misturam, algumas posuem biologia bem diferente e outras sequer são capazes de comer a mesma comida.

    Exceto os freaks, os humanos, que vieram de verdadeiras crias do Cáos que cortaram o cordão umbilical com a Mãe dos Monstros. Essa raça de monstros que tudo molda e tudo assimila e que cria aberrações (não dissimilar aos Daelkyr de eberron) eventualmente viraram os humanos, cujos traços de determinação e adaptabilidade vem disso. E humanos são a única espécie que é capaz de ter cria com outros povos. Não é comum, as chances são pequenas, mas eles conseguem, apesar de que geralmente somente se a mãe é humana. Nasce um humano como qualquer outro, em ficha inclusive, mas com traços da espécie pai, pouca coisa (claro que em alancia como um cenário de fantasia negra essa "pouca coisa" é o suficiente para os plebeus fazerem você ser o freak da vila...). Em 5e a gente representava isso com os humanos tendo opções de "sub-raças" que eram na verdade Humano Puro, Meio isso, meio aquilo, etc.

    Então você veja, apesar de em Alancia os meio-humanos serem LITERALMENTE pouco mais do que humanos com alguns traços (eles são realmente humanos mesmo), as pessoas do cenário tendem a considerar eles freaks, e essas pessoas tem todo um papel único e todo uma persona no cenário, mais do que meios-elfos e meios-orcs em vários cenários por aí.

    Ou seja, em conclusão, eu acho que seja como preferir, ou dando papeis importantes para as meio-raças ou as delegando à meios-humanos, faça de uma forma que seja condizente com o cenário, bem explicada, e mais importante: consistente. Desconstrua, ou seja, dê explicação para tudo, e teça essa explicação como uma verdade do cenário.

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    1. Sábias palavras, nobre irmão. Como dissestes, seja como preferir, o importante é fazer com que as raças ou meio-raças se encaixem adequadamente no cenário, de forma bem clara e consistente. Só assim aquilo que decidires se tornará uma referência para o mundo de campanha e para os jogadores.

      Achei muito interessante tua ideia de trabalhar raças mistas como uma etnia dos humanos. Isto dá uma marca muito interessante no cenário, porque valoriza as diferenças culturais de diferentes povos humanos de uma forma muito forte. Valoriza muito a diversidade dentro da própria humanidade. É como na ambientação The Elder´s Scrolls, em que a etnia humana dos Bretões carregam sangue élfico; na prática, eles são considerados humanos, mas humanos diferenciados, que carregam pequenos traços físicos e culturais dos elfos.

      Esta é uma abordagem que de fato deve ser levada em consideração na hora de criar um cenário ou caracterizar raças.

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  3. Salve, Odin!

    Queria te agradecer por esses posts voltados para iniciantes. Eles estão ajudando MUITO o meu grupo, e tenho certeza que muita gente também está aproveitando.

    Valeu, senhor dos deuses!

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  4. Uma coisa que eu acho importante também é a visão da outra raça sobre os "meio qualquer coisa". Tudo é sempre visto pelo lado dos humanos: Diz-se "Meio-elfo" para informar que tem "sangue élfico" naquele humano. Ok que nós somos humanos e tendemos ver a coisa como tal, mas para uma raça não humana fica estranho um Elfo chamar aquele carinha de "meio elfo", sendo que ele tem sangue humano: porque não meio humano então? Ou ainda dar um nome pejorativo ao híbrido. Orcs poderiam chamar um meio Orc de "fracote" ou ter uma palavra orc para inválido ou "aleijado" (embora não seja o caso de ser uma aleijado mas na hora de ser ofensivo qualquer coisa próxima serve)

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    1. Tem toda razão, sábio monge. Tanto que, em minhas campanhas, os elfos referem-se aos "meio-elfos" como meio-humanos, nunca como meio-elfos...

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  5. Salve a todos!

    Penso da mesma forma e com certeza os Elfos tem um nome específico na linguagem deles. Mas "traduzindo" para a linguagem dos humanos, seriam tratados como Meio-humanos sim, pq não? Apesar de achar como falei acima, que um Meio-Elfo tem mais características humanas do que de Elfos (não digo fisicamente, mas mentalmente, tanto que a longevidade de um Meio-Elfo é muito semelhante a de um humano e não a média dos 2), fazendo com que em geral, humanos o aceitem muito melhor do que um elfo aceitaria, apesar de ser claro que ainda achem melhor lidar com um Meio-Elfo (ou meio-humanos na visão deles) do que com um humano puro.

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