segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Caracterizando raças não humanas em um mundo de campanha.

Humanos e outras raças são diferentes entre si, e para que se crie uma história
interessante, estas diferenças devem ir muito além da aparência.
Saudações, nobres mestres da masmorra!

Conforme dito em um pergaminho anterior, falaremos um pouco aqui sobre a importância de se caracterizar bem raças inumanas dentro de um mundo de campanha.

A principal vantagem em se ter raças inumanas em uma campanha de fantasia é justamente a possibilidade de se ver e viver algo novo e diferente da humanidade “comum e corrente”. 

E mesmo em bons cenários em que os humanos tenham diferentes costumes, crenças e traços, o fato de existirem elfos, anões e halflings serve para dar ainda mais diversidade ao mundo.

Para termos uma ideia de como isto funciona em um mundo bem desenvolvido, basta observar a Terra-Média de Tolkien (dos livros, não dos filmes). Elfos possuem uma série incrível de características que os diferenciam de humanos, e o mesmo ocorre com anões e hobbits. Pode ser que não gostemos de algumas destas raças, mas mesmo assim conseguimos reconhecer o “comportamento de um elfo, anão ou hobbit” facilmente. Isto é um dos maiores sinais de uma ambientação bem construída: Raças bem caracterizadas.

Contudo, quando temos elfos, anões, meio-orcs, etc vivendo em cidades com humanos, falando como humanos e se comportando como humanos, estas raças acabam ficando sem identidade, e a partir deste ponto, escolher uma raça inumana passa a ser apenas uma questão estética ou de atributos.

Anões bárbaros: Não há problema em se alterar o
clássico, desde que uma identidade seja definida.
Como mestre, é importante que tu caracterizes de forma simples, porém, eficiente, o comportamento padrão de cada raça não humana, para que um elfo não se pareça com um humano orelhudo, ou um halfling, um humano baixinho. Mesmo que de início os jogadores não sigam este padrão (isto ocorre muito com grupos iniciantes, e não há problema), com o tempo, tu serás capaz de criar uma forte identidade para cada raça de teu mundo, e isto será muito satisfatório. Pode ocorrer de teus jogadores, por exemplo, não gostarem de teus altos elfos caso estes sejam muito isolacionistas, mas todos reconhecerão que há forma e personalidade em teu mundo.

Alguns podem questionar: “Mas se eu não conseguir criar uma cultura e características próprias para meus elfos, anões e halflings, e seguir o padrão de Tolkien como referência, estarei apenas copiando um padrão já difundido”. Sim, isto é verdade. Contudo, vários anos mestrando e lendo livros (bons e ruins) de fantasia me ensinaram que seguir um bom padrão é muito melhor do que deixar raças não humanas descaracterizadas e sem personalidade. 

Para que um mundo de campanha que seja crível e interessante, é preferível ter elfos exatamente iguais aos de Valfenda do que elfos que vivam com humanos como se fossem um deles. Caso desejei ver como lido com a caracterização das raças do mundo de Elgalor, minha ambientação, basta entrar neste PORTALEm um próximo pergaminho, trataremos de como lidar com raças exóticas, como tieflings, draconatos e genasi.

4 comentários:

  1. Bom post. São esses detalhes que fazem um mundo mais rico.

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    1. Grato, nobre irmão; estes detalhes realmente são importantes na construção de um mundo mais rico.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Salve nobre amigo!

    Este post realmente é muito interessante. Tento sempre colocar essas diferenças e estimular jogadores a interpretá-las. Claro que personagens jogadores sempre fogem das características normais de sua raça, mas sempre algo fica lá, nem que seja no fundo e tento estimular isso. Deixo claro que anões não gostam de outras raças, principalmente elfos, mas quando se ganha a amizade de um, este é mais legal que qualquer humano conseguiria ser. Com isso, quando um personagem ganha respeito de um anão ou ainda mais, consegui ficar amigo de um, ele se sente tão importante quanto se fosse amigo de um dragão... (isso no caso do personagem não-anão)

    Sempre coloquei elfos como um raça que se enxerga superior. Afinal eles vivem mais que qualquer raça. Um humano ancião, não passa de um adolescente para um elfo. Mais mostre o contrário e prove seu valor, que um Elfo passará a respeitá-lo tanto quanto outro Elfo.

    E por aí vai... Se o personagem for um anão por exemplo, este pode gostar das aventuras, mas sempre tem no seu coração a vontade de rever sua casa e o calor da montanha. Não precisar olhar para o alto para falar com alguém é ótimo. Enfim, sentir-se em casa... Quando encontra um elfo, sentir o preconceito deste e ter que provar 2x mais do que um humano, o seu valor para um elfo (o que já é difícil).

    E por aí vai... Quando visita sua terra (seja de qual raça for), faço com que se sinta em casa. Bem recebido, coisa que não acontece numa vila humana. Assim aos poucos, os jogadores mesmos interpretam o personagem de raça não humana como deveria ser...

    Afinal, mesmo Bilbo sendo um hobbit diferente, que queria se aventurar (ao contrário de Frodo), ele sempre sentia falta do conforto de sua casa nas aventuras. É uma boa história para jogadores verem as diferenças raciais...

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