domingo, 13 de dezembro de 2015

Criando a atmosfera do jogo

Saudações, bravos irmãos e irmãs!

Nos últimos tempos, tenho recebido por meio de meus corvos alguns pedidos solicitando mais atenção a jogadores iniciantes, fornecendo algumas dicas sobre como conduzir uma aventura, ideias para campanhas, etc. Desta forma, começarei aqui uma série de pergaminhos que tratará regularmente destes temas, o “Forjando Mundos e Aventuras”.

Para começar, tratarei brevemente de algumas coisas que aprendi ao longo dos anos que ajudam muito um mestre a conferir mais “clima” a sua mesa de jogo. Criar uma atmosfera em que todos possam se sentir parte de um mundo de fantasia é extremamente importante para que tenhamos uma aventura digna das canções dos bardos. Afinal, poucos são aqueles que se recordam do número de acertos críticos tirados em uma partida, mas muitos são se lembram com orgulho de terem derrotado o rei orc, em um combate gloriosamente descrito, mesmo que se passem anos.

1) Descreva as cenas de maneira simples, mas como se estivesses escrevendo um livro: Esta talvez seja a parte mais importante de todas quando se deseja passar uma atmosfera mais interessante à uma aventura. Não digas simplesmente “Vocês abrem a porta e encontram um salão escuro, com quatro minotauros lá dentro.”. Tente algo como “Após ... (nome do ladino do grupo) abrir a porta, todos se deparam com um cômodo úmido e escuro, e lá dentro, conseguem ver quatro pares de olhos vermelhos, olhando fixamente na direção da porta.” Permita a seus jogadores imaginar o que está acontecendo, e eles logo farão questão de interpretar mais seus personagens justamente para poder deixar suas marcas no mundo.

2) Descreva os combates de forma rápida, mas "realista": Após algum tempo, todos caímos no erro de descrever combates como “acertou. Levou dez pontos de dano”. Apesar de difícil, descreva de forma simples o que acontece no combate. Algo como “a clava do ogro o acertou em cheio o peito do guerreiro, causando dez pontos de dano” já é o suficiente para conferir um clima mais emocionante aos combates. É muito importante que todos imaginem o combate, e não apenas se limitem a ativar poderes especiais ou subtrair pontos de vida.

3) Dirija-se ao jogadores pelo nome de seus personagens: Quando for dizer algo referente à aventura, evite usar o nome dos jogadores participantes, e incentive todos a se chamarem por seus nomes de aventureiros durante a partida. Este é um hábito difícil de se criar no início, mas faz muita diferença quando todos o adotam.

4) Descreva personagens, não atributos: Isso é mais raro em grupos experientes, mas ainda assim é importante lembrar. Não digas “vocês viram um guerreiro forte com 19 de força”, ou “uma linda ninfa com 20 de carisma”. É melhor “vocês viram um guerreiro gigantesco, que parece ter a força de dez homens”, ou “vocês vêem a linda ninfa, e por um instante ficam completamente paralisados, tamanha a beleza que contemplam.”

5) Dê vida a teu mundo: Descreva vossos personagens lhes dando nomes com significado e características simples, mas marcantes. O mesmo deve ser feito com itens mágicos; grandes armas merecem ser conhecidas por algo mais do que “espada +5”; elas devem possuir nomes, e de preferência, uma história ou lenda por trás.

6) Sempre que possível, utilize recursos externos para criar uma atmosfera mais emocionante: Músicas, imagens de localidades e de personagens podem ser facilmente encontradas nos dias de hoje. Usados com moderação, estes recursos tornam mais nítido aquilo que vossos jogadores imaginam, criando a atmosfera perfeita para um jogo de proporções épicas. Uma imagem que descreva bem um personagem importante, ou uma música épica durante um combate decisivo são sempre muito apreciados.

7) Lembrai que o mestre, antes de tudo, é um contador de histórias: Dentro do possível, o mestre deve escolher bem as palavras que usa para narrar o que está acontecendo, tentando, através de suas descrições e das falas de seus personagens, criar uma atmosfera apropriada. Por exemplo: Se estás mestrando uma aventura típica de fantasia medieval, é interessante evitar gírias modernas. Outro ponto importante é que devemos lembrar que maneira como um NPC humano fala deve ser diferente da forma que um elfo ou anão se comunicam, Quanto mais se investe nestes cuidados, mais crível se torna o mundo e por consequência, toda a aventura.

8) Dê personalidade às raças de teu cenário: Hoje em dia, temos um grave problema de “humanização” de personagens na literatura e em jogos de RPG, de forma que muitos elfos, anões, halflings, etc, se comportam exatamente como humanos. Todas estas raças possuem particularidades importantes que as diferenciam de membros de outras raças, e para que elas possam ter uma identidade verdadeira, é preciso que os personagens do mestre demonstrem isso. Por exemplo: o meio orc em um mundo em que meio orcs são guerreiros tribais que possuem um forte código moral são muito mais marcantes do que meio orcs que vivem em cidades humanas fazendo trabalhos braçais.

Convido agora vós, bravos aventureiros e grandes mestres da masmorra, a tornarem este pergaminho mais rico com vossas nobres experiências.

4 comentários:

  1. muito bom Odin!
    com o DW aprendi a narrar melhor as cenas de combate, por exemplo, o que rende uma saída ao ataque/dano, fazendo outros testes aparecerem na mesa e usando mais a criatividade dos jogadores. parece estar dando certo! hahahaha

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    1. Hahaha, muito bom, grande Criador! Também concordo que este é o caminho para aventuras mais divertidas para todos.

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  2. Muito bom, Odin!

    Esse tipo de material ajuda muito a nós, novos jogadores. Abraço!

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    1. Esta é a ideia, nobre e valente hobbit!

      Grato pela presença.

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