sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O Senhor dos Anéis e D&D 5: Classes (Parte I)

BÁRBAROS (POUCO COMUNS): Bárbaros na Terra Média são guerreiros tribais de grande força e coragem, que combatem com grande selvageria e temeridade. Apesar de muitos deles servirem direta ou indiretamente a Sauron e Saruman durante a Guerra do Anel, há vários, como os Drúedain e os Beornings que possuem uma inclinação para o bem e caçam ferozmente as forças das sombras quando estas adentram seus territórios.

Exemplos: Beorn (O Hobbit) Haleth (O Silmarillion), Ghâm (O Senhor dos Anéis).
Raças Permitidas: Anões*, Raça dos Homens.

* Pequenos clãs de anões bárbaros foram brevemente descritos em O Silmarillion, mas eles, além de extremamente raros, representam anões que perderam suas terras e muitas vezes seu orgulho. A maioria deles serviu Morgoth e lutou contra os anões da linhagem de Durin e seus aliados elfos e homens.

GUERREIRO TOTÊMICO: Os guerreiros totêmicos geralmente pertencem às tribos dos Drúedain e dos Beornings.

BERSERKERS: Berserkers normalmente são os bárbaros que endossam os exércitos de Sauron.

BARDOS (EXTREMAMENTE RAROS/ ÚNICOS): Os bardos representam a classe mais difícil de todas de se aplicar à Terra-Média, porque trata de duas coisas extremamente distantes uma da outra; Durante a Primeira Era do Mundo, havia elfos que, seja por treinamento nas artes dos Valar ou por dons inatos, dominavam a Magia da Canção. Através de palavras, geralmente entoadas em meio a cânticos ou canções, eles eram capazes de paralisar inimigos, controlar criaturas, motivar exércitos e em alguns casos mais raros, alterar a própria estrutura física do mundo. Na Terceira Era (quando se passa a Guerra do Anel), esse conhecimento havia sido praticamente perdido, porque os poucos elfos que o dominavam ou pereceram em batalha (como Finrod Felagund) ou rumaram para o Oeste. Assim, o que temos na Terra-Média durante a Terceira-Era que mais se aproximaria de um bardo seriam Trovadores e Escaldos; ambos são indivíduos extremamente versáteis, mestres da oratória, possuem vastos conhecimentos, são capazes de inspirar seus aliados aos maiores atos de grandeza e de destruir ou manipular sutilmente os espíritos de seus inimigos. Contudo, eles não são capazes de conjurar magias como o bardo de D&D ou como os bardos da Primeira Era. Dessa forma, os Trovadores serão descritos como um arquétipo do Ladino, enquanto os Escaldos serão descritos como um arquétipo do Guerreiro.

Exemplos: Lúthien (O Silmarillion), Finrod Felagund (O Silmarillion). Tom Bombadil (O Senhor dos Anéis)


BRUXOS (EXTREMAMENTE RAROS): Bruxos são extremamente raros na Terra-Média, e todos estão ligados a Sauron ou a Morgoth. Contudo, mesmo nos exércitos do Senhor do Escuto, eles são raros, uma vez que Sauron confere poder apenas a poucos escolhidos, e eles, em contrapartida, o servem cegamente. Desta forma, obviamente é extremamente desaconselhável que personagens jogadores assumam esta classe em uma campanha na Terra-Média.

Exemplos: Os Nove Cavaleiros Negros (O Senhor dos Anéis), A Boca de Sauron (O Senhor dos Anéis), Sauron e Morgoth.

Raças Permitidas: Raça dos Homens, Valar e Maias corrompidos.

CLÉRIGOS: Como nunca existiu um culto formal e organizado que venerasse e passasse os valores de Eru e dos Valar, clérigos não existem na Terra-Média. É importante lembrar que no Leste, Sauron era cultuado como uma espécie de divindade, mas seus sacerdotes não recebiam “poderes conferidos” pelo Senhor do Escuro; Sauron ou um de seus tenentes versavam seus servos mais importantes no uso rudimentar de magia negra e segredos obscuros.

DRUIDAS (EXCLUSIVOS): Druidas talvez sejam a mais rara classe de personagem na Terra-Média, porque há apenas dois personagens na história do mundo que poderiam se enquadrar nela: O primeiro seria Yavanna, a Vala Rainha da Terra, que em termos de D&D, poderia ser considerada uma divindade menor/intermediária. O segundo seria o Istari (ordem comumente chamada de “magos”) Radagast, o Castanho, que é o escolhido de Yavanna.

Exemplos: Radagast, o Castanho (Contos Inacabados).

Nota: Em termos de jogo, Tom Bombadil poderia ser descrito como um druida/ bardo, por causa de sua forte ligação com a natureza. Beorn, apesar de poder se transformar em um imenso urso e ser capaz de “falar” com animais, não é um druida porque ao que tudo indica, seus dons são inatos, oriundos de sua misteriosa linhagem.

FEITICEIROS: A magia na Terra-Média é um conhecimento extremamente seleto que é adquirido através do estudo e compreensão sobre as energias que permeiam o mundo, e não um dom inato. Apesar de elfos possuírem uma facilidade absurdamente maior do que outras raças para lidar com sutis formas de magia, estas magias ainda precisam ser aprendidas e estudadas. Por essa razão, não há feiticeiros na Terra-Média.

4 comentários:

  1. Gandalf não seria um feiticeiro? Ele não tem um grimório, não estuda suas magias, conhece poucas magias... Certamente ele não se encaixaria em nenhuma das subclasses de feiticeiro da 5E, mas também não me parece ser um mago (aliás, a magia me parece ser a maior dificuldade de adaptar SdA para 5E).

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    1. Salve, nobre guerreiro, e sejas bem vindo aos Salões de Valhalla!

      A questão da magia é realmente a mais complicada em se adaptar SdA para D&D. No caso de Gandalf, ele realmente não utiliza grimório e conhece poucas magias (em termos de D&D). Contudo, há certos fatores que, se considerados, me fazem crer que ele seria melhor (não perfeitamente, apenas melhor) retratado como um mago:

      - Em O Silmarillion, é descrito em diversos pontos que tudo o que os elfos aprenderam sobre confecção de itens especiais, arte da guerra e magia foi ensinado pelos Valar. Os Istari são Maia, agentes diretos dos Valar e realmente possuem "poder e sabedoria superiores", mas ainda assim, não é feita nenhuma menção ao fato deles possuírem dons inatos.

      - Cada um dos Istari representam um determinado Vala, e seus poderes e conhecimentos refletem seus patronos; Radagast, o escolhido de Yavanna, a Mãe da Terra, possui dons únicos de falar com animais. Saruman, o mais poderoso dos 5 Istari, era discípulo de Aulë, o Forjador dos Valar, o que explica a habilidade dele para criar a "industria" sob Isengard. Gandalf era um dos mais fracos dos Istari, mas servia Manwë, Rei dos Valar, que possuía domínio sobre os Céus e a luz. Por isso, Gandalf possuia maior afinidade com a Águias e com encantos que afugentavam a Sombra. Assim, é mais plausível que seus poderes venham do treinamento que receberam de seus tutores do que de dons inatos.

      - Em todas as descrições dos Istari feitas por meio de citações diretas, eles são retratados como indivíduos de "grande conhecimento e sabedoria". Esses traços remetem muito mais a um mago do que a um feiticeiro.

      - Para um mago poderoso de D&D, Gandalf conhece mesmo poucas magias. Contudo, em um cenário onde conjuradores praticamente não existem, o conhecimento dele sobre as artes arcanas é assombroso, e quando ele ascende à posição de O Branco, ele pode ser considerado o maior conjurador da Terra-Média depois de Sauron.

      - Sauron era um discípulo de Aulë, e por isso, dominava grandes conhecimentos sobre a terra e o metal. Era também o maior tenente de Morgoth, e por isso, dominava as artes da necromancia. Novamente, há o padrão de discípulo-mestre.

      Em todos os casos de conjuradores poderosos da Terra-Média, notamos indivíduos talentosos e com grande potencial, mas que receberam treinamento de alguém superior. Por estas razões, creio que Gandalf, mesmo sem um grimório, seria melhor retratado como um mago.


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    2. Elladan, filho de Elrond20 de setembro de 2015 09:38

      Olá, Odin.

      Já tive muitos debates com meu grupo sobre a melhor classe para Gandalf em um contexto de D&D, e ficamos sempre entre o mago, feiticeiro e clérigo. Da forma que você explica aqui, fica claro que Gandalf seria melhor retratado como um mago. Gostei muito de suas ideias nessa adaptação, e principalmente com a decisão de transformar certas classes em arquétipos de outra para manter uma maior coerência com o cenário.

      Estou muito ansioso pelos arquétipos do guerreiro e do ladino.

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    3. Salve, nobre irmão!

      Depois de refletir (e ler) muito, cheguei à opinião de que Gandalf seria, em termos de D&D, melhor descrito como um mago mesmo. E quanto aos arquétipos do guerreiro e ladino, os veremos muito em breve.

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