segunda-feira, 18 de maio de 2015

Trabalhando o Ranger no novo D&D

Adaptando algumas magias já existentes, podemos
facilmente criar rangers "espadachins" em D&D 5.
Saudações, nobres guardiões!

Antes de começarmos, acho importante lembrar que, como já foi sabiamente dito aqui antes, o valor de uma classe não está simplesmente em sua capacidade combativa. Mesmo para homens de armas. Como já foi dito repetidas vezes em dezenas de fóruns e sites especializados de RPG, o ranger no novo D&D é uma classe que apresenta problemas sérios quando o jogador tenta usá-lo em combate corpo-a-corpo em níveis acima do 10º. O que faremos aqui não é apontar novamente defeitos e problemas mecânicos, mas sim, propor uma solução simples e sutil sem criar novas habilidades nem alterar em nada a classe.

Para quem estiver “chegando agora”, o ranger no novo D&D é um personagem interessante e eficiente em níveis mais baixos, mas que perde muito de seu valor como combatente em combate corpo-a-corpo em níveis elevados, porque suas habilidades ofensivas não escalam como a dos guerreiros, bárbaros, monges e paladinos. Este problema começa a surgir por volta do 10º nível, e fica realmente grave após o 15º.

Para dar um exemplo trabalhando com danos próximos do máximo possível: Enquanto guerreiros, bárbaros, paladinos e monges em níveis acima do 17º conseguem causar por volta de 80-100 pontos de dano em uma única rodada utilizando o máximo de sua capacidade, um ranger consegue causar no máximo 40-50 pontos de dano em combate corpo-a-corpo na mesma situação. Um bardo escaldo de mesmo nível utilizando magias de paladino como Banishing Smite, consegue causar por rodada cerca de 80 pontos de dano em combate corpo-a-corpo.

O ranger e o paladino na nova edição possuem uma mecânica parecida; a maior parte de sua capacidade ofensiva vem de suas magias. Mas enquanto as magias de paladino causam um dano severo em um oponente em combate corpo-a-corpo, as do ranger permitem causar um dano quase equivalente a vários oponentes dentro de uma pequena área, mas apenas em combate à distância, utilizando o arco como arma principal.

Utilizando certas magias como Hail of Thorns um ranger arqueiro pode causar cerca de 50-80 pontos de dano em um única rodada, com a vantagem de algumas magias (como Hail of Thorns e Conjure Volley) permitirem atingir vários alvos de uma só vez. Assim, mesmo causando um pouco menos de dano a um único alvo do que os outros combatentes do jogo, o ranger consegue se manter competitivo quando se trata de combate à longa distância. Isto significa que, se o jogador decidir criar um arqueiro, ele terá um excelente personagem em seu ranger (apesar de um guerreiro arqueiro ainda ser superior em combate), mas se desejar um ranger espadachim inspirado na literatura como Aragorn e Drizzt, ele terá um sério desapontamento.

Deste modo, percebemos que a deficiência em combate da classe está totalmente concentrada no combate corpo-a-corpo. Para resolver isso de modo simples e funcional, basta que adaptemos algumas magias da classe que originalmente foram concebidas para serem usadas com o arco de modo que elas possam funcionar com espadas, lanças, machados, etc, usando a mesma mecânica empregada pelas magias de paladino. Isto daria ao ranger uma margem de ação em combate muito interessante e necessária para a classe, porque ele poderia escolher magias de efeito relativamente sutil para utilizar tanto com o arco quanto com sua espada.

Um exemplo muito simples de como isso funciona está na criação de uma magia “corpo-a-corpo” utilizando a magia de ranger Hail of Thorns como base. Esta magia funciona perfeitamente bem para este fim porque ela é uma magia de 1º nível que pode ser conjurada como uma magia de até 5º nível. Hail of Thorns (“Saraivada de Espinhos” em português) funciona da seguinte forma:


Hail of Thorns
1st-level conjuration
Casting Time: 1 bonus action
Range: Self
Components: V
Duration: Concentration, up to 1 minute
The next time you hit a creature with a ranged weapon attack before the spell ends, this spell creates a rain o f thorns that sprouts from your ranged weapon or ammunition. In addition to the normal effect of the attack, the target o f the attack and each creature within 5 feet o f it must make a Dexterity saving throw. A creature takes 1dlO piercing damage on a failed save, or half as much damage on a successful one.
At Higher Levels. If you cast this spell using a spell slot of 2nd level or higher, the damage increases by 1d10 for each slot level above 1st (to a maximum o f 6 d10).

Uma variação desta magia que funcionasse em combate corpo-a-corpo seria:

Strike of Thorns (“Ataque de Espinhos”)
Conjuração de nível
Tempo de conjuração: 1 ação bônus
Alcance: Você
Componentes: V
Duração: Concentração até o máximo de 1 minuto.
Da próxima vez em que você atingir uma criatura com um ataque corpo-a-corpo antes que a duração da magia termine, sua arma causará uma pequena explosão de espinhos no ponto de impacto, causando 1d10 de dano perfurante adicional. Todos (exceto você) que estiverem a até 1,5 metros do alvo precisam fazer um teste de Destreza ou sofrerão este mesmo dano adicional. Se passarem no teste, recebem metade do dano.
Em níveis mais altos: Se conjurar essa magia usando uma magia de 2º nível ou mais, o dano causado aumenta em 1d10 por nível de magia utilizado, ao máximo de 6 d10.

Com uma única adaptação (ou criação de uma “nova” magia de ranger baseada em uma já existente, dependendo do ponto de vista), resolveríamos o problema de falta de poder em combate corpo-a-corpo. Usando esta magia em combate corpo-a-corpo, um ranger de 17º nível seria capaz de causar duas vezes ao dia perto de 80 pontos de dano a um inimigo, com a vantagem de poder atingir outros que estejam adjacentes. Obviamente, há a desvantagem de que se o ranger estiver com aliados na área, estes também seriam afetados (como aconteceria na versão original da magia). Contudo, nada impede o mestre de determinar que o ranger pode escolher um número (2-3) de aliados que seriam imunes ao efeito secundário da magia. O mesmo poderia ser feito com outras magias da lista de ranger; Hunter´s Mark, por exemplo, poderia dispensar o uso de concentração já que eu bônus de dano é pequeno, permitindo que ela pudesse ser usada junto a outras magias, Swift Quiver poderia ser adaptada para ser usada com espadas, etc.

Como vêem, mesmo com o ranger “arqueiro” de D&D 5, o sistema permite a possibilidade de criarmos um ranger “espadachim” nos moldes de Drizzt e Aragorn. Basta apenas trabalhar um pouco suas magias, com é explicado no Livro do Mestre.

13 comentários:

  1. Para mim o problema do patrulheiro está em mais do que apenas combate, mesmo por que minhas campanhas sempre tiveram um peso grande em exploração e socialização e menos em combate (em porcentagem eu diria 40/40/20). Com uma premissa como essa classes muito focadas em ser alguém que luta bem não chamam tanta atenção quanto as classes com outras coisas, e nisso o patrulheiro falha por ser uma das classes que mais parece ser hábil com isso, apesar de não ser.

    Tu olha para o guerreiro e sabe que se escolher ele você não fará grande coisa em 80% da campanha; tu olha para o patrulheiro e espera brilhar na parte exploração. Para mim as modificações do artigo de modificando as classes devem ser usadas como uma *adição* ao invés de substituição. Eu até acho que ele deveria ter algo como a Canção do Descanso do Bardo quando em seu terreno favorito, para simbolizar as ervas medicinais e coisas assim.

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    1. Saudações, nobre irmão!

      Fizestes uma observação interessante, que acabou confirmando algo que estava notando em minha mesa de D&D 5. O ranger do grupo, mesmo dentro de seu terreno favorito, não consegue se destacar no campo da exploração porque o guerreiro do grupo possui proficiência nas perícias Survival e Perception. Há muitas ocasiões inclusive, que o guerreiro rola um número melhor no d20 e consegue um resultado melhor do que o do ranger, e acaba guiando o grupo através de terrenos perigosos.

      Tens razão quando dissestes que o ranger "parece ser hábil, mas não é". Isso é um problema particularmente sério porque o ranger tecnicamente deve ser um combatente respeitável que se sobressai em situações que envolvam sobrevivência em ambientes inóspitos e rastreamento. Contudo, como observastes, ele não consegue cumprir devidamente nenhuma de suas premissas básicas no novo D&D

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  2. Elladan, Filho de Elrond19 de maio de 2015 14:52

    Salve, grande Odin

    Achei muito acurada sua análise sobre a (falta de) capacidade marcial do ranger no combate corpo-a-corpo, e a solução que propôs foi simples, prática e bastante funcional. Ao invés de criar um ranger sem magias ou desenvolver novas habilidades para tentar remendar o que não pode ser consertado, adaptar as magias é um caminho muito mais suave e mecanicamente falando, mais coerente e eficiente para resolver este problema.

    Usando sua versão de Hail of Thorns junto com Hunter´s Mark sem o requerimento de concentração, teremos um ranger eficiente em combate (corpo-a-corpo e à distância). Ele não seria o melhor combatente em nenhuma das duas instâncias, mas seria expressivo em qualquer tipo de situação. Acho que este é o ponto de equilíbrio que todos estávamos buscando no ranger no novo D&D.

    Mas mesmo admirando o trabalho que fez, eu sou obrigado a concordar com Bastet. O problema do ranger na nova edição não é apenas o desempenho sofrível em combate corpo-a-corpo (apesar deste ser o maior problema).

    A questão da exploração é seríssima porque um ranger deveria mesmo "brilhar" nessa área, o que não acontece mais nem mesmo em seus terrenos favoritos porque:

    1) Qualquer classe com o antecedente certo têm acesso a perícias como Sobrevivência, Percepção ou Conhecimento (Natureza). Agora, qualquer um pode ser um "ranger". Basta escolher o antecedente Wanderer e você consegue se sair bem em qualquer tipo de território. O ranger teria vantagem em seus terrenos favoritos, mas esta vantagem (um bônus de +12 ao invés de +6 na rolagem do d20 em níveis máximos) não é algo expressivo.

    Em D&D 3, um ranger de 20o nível teria 23 graduações em Sobrevivência, Ouvir, Observar e Procurar e o talento Rastrear. Guerreiros, paladinos, monges, clérigos, magos, feiticeiros... teriam um máximo de 13 graduações em uma ou duas dessas perícias e não teriam a habilidade de rastrear. Aqui, o ranger realmente se destacava na exploração, sendo inclusive indispensável em certas ocasiões. No AD&D, a situação era a mesma. Mas em D&D 5, um grupo pode perfeitamente bem passar pela Floresta das Trevas da Terra-Média sem ter um ranger.

    2) Bardos e Ladinos conseguem perfeitamente guiar grupos com excelência através de pântanos, florestas, desertos, montanhas, subterrâneos e outros ambientes inóspitos escolhendo as perícias apropriadas. O ranger consegue fazer isso com excelência apenas em seu terreno favorito. Alem disso, o bardo possui uma utilidade enorme para o grupo dentro e fora de combate, assim como o ladino. Já o ranger, tem pouquíssimo a oferecer fora suas habilidades de rastreamento, que como expliquei, são facilmente imitadas por outras classes.

    Não me leve a mal, Odin. Eu admiro muito seu esforço em tornar o ranger do novo D&D em um personagem digno de nossos dias antigos de AD&D, mas a verdade é que a classe inteira está quebrada, e precisaria ser refeita do zero. E no campo da exploração, nem sei se isso seria possível, porque o sistema não facilita as coisas neste sentido.

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    1. Salve, nobre filho de Elrond!

      Fizestes uma análise muito interessante sobre como as habilidades de exploração do ranger são defasadas em relação ao que deveriam ser. Realmente, apesar dos problemas de D&D 3, lá o ranger inegavelmente se destacava neste quesito. Se seu grupo fosse passar por um território inóspito altamente perigoso, a presença de um ranger era quase imprescindível. Especialmente se a região fosse habitat de um de seus inimigos favoritos.

      No novo D&D, infelizmente a classe é totalmente dispensável até neste quesito, pois ela foi indiretamente "derrubada" pela nova mecânica de perícias e principalmente pela mecânica dos Antecedentes.

      Talvez tenhas razão, e apesar de todos os méritos do novo D&D, houve um descaso tão grande com o ranger que a classe precisa mesmo ser refeita desde o início. Há muitos jogadores afirmando isso desde o início oficial do novo sistema, e eu realmente gostaria se os desenvolvedores do jogo fizessem algo a respeito.

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  3. Eu não sabia que o ranger tava tão complicado assim na nova edição. Já pensaram em postar o texto no grupo de blogs de RPG que tem no facebook?

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    1. Salve, nobre irmão! Sejas bem vindo aos Salões de Valhalla!

      A situação do ranger, como podes ver, realmente não é das melhores nessa nova edição do D&D. Eu não tenho facebook, mas se desejares, podes colocar esta discussão lá. Seria muito interessante saber mais opiniões a respeito.

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  4. Esqueci de postar o endereço do grupo rsrs. Se não já estão por lá estão convidados. https://m.facebook.com/profile.php?id=153465688182194

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  5. Olá, guerreiros! Vou explicar-lhes como as coisas funcionam no D&D 5 edition:

    Se você deseja um combatente excepcional, faça um Guerreiro ou um Bárbaro.
    Se você deseja um combatente excelente, com habilidade de curar e inspirar, faça um Paladino.
    Se você deseja um combatente excelente, com habilidades úteis fora de combate, faça um Monge.
    Se você deseja um explorador excepcional, que faça seu trabalho em QUALQUER local, faça um Ladino ou Bardo com o background Wanderer.
    Se você deseja o melhor arqueiro, faça um Guerreiro.
    Se você deseja um poderoso elo com a natureza, faça um Druida.
    Se você deseja o melhor rastreador, faça um Bárbaro com o totem do Lobo.

    Se você deseja algo que faça mediocremente tudo o que foi listado acima, faça um Ranger.

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    1. Salve, nobre Fizban. Sejas bem vindo aos Salões de Valhalla!

      Infelizmente, sou obrigado a reconhecer que há sabedoria em tuas palavras... Creio que é como Elladan dissera: A classe está quebrada e precisa se refeita do zero.

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  6. Irmãos, apenas uma correção: Estamos usando o termo Wanderer (habilidade especial do background/ antecedente) quando o nome correto do antecedente é Outlander.

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  7. Caramba!

    O Ranger da 5ª edição é o Bardo da 3.5!

    Em todo o lugar que vejo algo sobre ele tem comentários negativos a respeito da classe.

    Poxa. Não era exatamente meu personagem favorito, mas Caramba! Até o bardo teve um tempo de análise para ver que ele tinha problema, já o ranger da 5ª Edição já tem seus problemas "sacados" logo de cara!

    Mas Ok. Pelo menos dessa vez, o Monge/Bardo não é o problema!

    Quero só ver o que vão fazer com os psiônicos...

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    1. Tens razão, nobre amigo! O ranger infelizmente é o "bardo de D&D 3.5"

      Também temo pelos psiônicos, mas ao menos temos excelentes bardos e monges agora...

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  8. Eu queria ver a sua sugestão de correção pro beast master. Eu criei a minha depois de muito quebrar a cabeça. Em relação ao texto, acho que as magias do ranger melee, neste molde, sofreriam com a perda de concentração. Coisa que o ranged não sofre tanto.

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