terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ranger Variante sem Magias para D&D 5ª edição

Saudações, nobres guardiões!

Aqueles entre vós que leram o livro do jogador do novo D&D ou têm acompanhado sites e fóruns de discussão, notaram que há uma verdadeira avalanche de reclamações acerca do novo ranger, que apesar de muito interessante no início, fica pouco útil em níveis mais elevados, especialmente após o 10º nível. 

Apesar de algumas críticas serem exageradas, a classe apresenta alguns problemas mecânicos e conceituais sérios, como:


- A capacidade do ranger em causar dano corpo-a-corpo não escala da mesma forma como a dos outros homens de armas, o que torna um ranger focado neste tipo de estilo de combate completamente inviável com o passar do tempo.

- A classe foi feita para abater grupos de criaturas fracas de uma só vez. Contudo, como em níveis mais elevados dificilmente se encontra criaturas com 15 pv em combates importantes, as habilidades da classe tornam-se cada vez mais irrelevantes.

- Um ranger arqueiro que utilize bem suas magias (em especial as magias de invocar animais) pode causar mais dano do que qualquer homem de armas, já que praticamente todas as magias de combate direto do ranger são focadas no arco. Contudo, ele precisa estar sempre afastado do combate para manter sua concentração (algo necessário para muitas de suas magias), e para conseguir usar bem seu arco. Conceitualmente, isto desagrada muito os jogadores mais antigos que têm em Aragorn e Drizzt seus modelos de ranger.

- O ranger do novo D&D é extremamente dependente de suas magias para ser realmente eficiente em situações de combate após o 6º nível.

- Habilidades clássicas como Inimigos Favoritos e Terrenos Favoritos agora conferem bônus praticamente irrisórios fora de combate, e em combate, são virtualmente inúteis.

- O arquétipo de ranger Beastmaster (mestre das feras) é ridicularizado como o pior arquétipo do novo D&D, não apenas por ser extremamente fraco, mas por ter sido muito mal construído em termos de regras.

Muitas discussões foram feitas tentando corrigir estes problemas, e a solução mais comentada foi a de criar um ranger variante, que não utilizasse magias. O desafio nisso estava justamente em fazer um ranger desta forma que não ficasse parecido demais com o guerreiro. A pedido de nosso irmão de armas Elladan, trago-vos aqui a minha tentativa de criar um ranger nos moldes de Aragorn e Drizzt, com mudanças sutis e que não agridam o equilíbrio do jogo.

Os objetivos deste ranger variante são:
- Melhorar a capacidade do ranger de no combate corpo-a-corpo.

- Criar uma maneira de se escalar o dano causado pela classe conforme o ranger ganha níveis.

- Valorizar mais habilidades clássicas do ranger (Inimigos e Terrenos Favoritos).

- Criar um forte vínculo com a natureza, mas sem depender de uma lista de magias.

RANGER SEM MAGIAS PARA O NOVO D&D
O ranger variante funciona exatamente como o ranger mostrado no Livro do Jogador, exceto pelo fato dele não conjurar magias, e no lugar disso, receber as seguintes habilidades:

2º nível: O ranger pode escolher, entre seus estilos de combate disponíveis, o Combate com Armas Pesadas.

3º nível: Movimento Rápido – Estando sem armadura ou usando armaduras leves ou médias, o deslocamento do ranger aumenta em 3 metros.

5º nível: Foco do Guardião – Esta habilidade permite ao ranger combinar seu intenso treinamento marcial com seu forte vínculo com a natureza, e ela funciona com o uso de Pontos de Foco. O ranger tem um total de pontos de foco igual ao seu nível de classe, e ao gastar um ponto de foco, seu próximo ataque com armas que atingir um inimigo causa um dano adicional de 1d6 a cada 5 níveis de classe (1d6 no 5º nível, 2d6 no 10º nível, 3d6 no 15º nível e 4d6 no 20º nível).  Após um descanso longo, todos os pontos de foco usados são recuperados.

O ranger que puder realizar dois ataques em uma rodada pode gastar dois pontos e aplicar o dano em ambos os ataques, mas não pode usar mais de um ponto por ataque realizado. Além do aumento de dano conforme o ranger adquire níveis na classe, o Foco do Guardião está sujeito a outros modificadores:

Situação em que a habilidade é usada
Modificador no dano
O ranger se encontra dentro de um terreno Favorito
+1d6
O ranger está enfrentando um Inimigo Favorito
+2d6
O ranger está em um ambiente urbano (cidade, metrópole...)
-2d6
O ranger ataca com uma arma de ataque à distância a mais de 9 metros de seu alvo.
-1d6

6º nível: Empatia Selvagem – O ranger é capaz de utilizar as magias Falar com Animais, e Amizade Animal, uma vez cada, e recupera novos usos da magia através de um descanso curto.

8º nível: Benção da Natureza - O ranger recebe uma reserva de energia natural igual a seu nível de classe vezes cinco. Ele pode usar esta reserva (total ou parcialmente) para curar pontos de vida de si mesmo ou de um alvo. Alternativamente ele pode gastar 5 pontos dessa reserva para curar um alvo de qualquer doença ou neutralizar venenos.

10º nível: Passo da Natureza – o ranger recebe permanentemente a habilidade Movimento Livre, sempre que estiver em um de seus Terrenos Favoritos.

14º nível: Comunhão – O ranger pode usar a magia Comunhão com a Natureza como um ritual uma vez por descanso curto.

18º nível: Proteção da Natureza - Em seus Terrenos Favoritos, o ranger adiciona seu bônus de proficiência a sua CA.

Espero que aqueles descontentes com o novo ranger tenham apreciado esta nova versão, e caso alguém o teste em jogo, eu ficaria muito grato se pudesse nos passar um feedback. Em um próximo pergaminho, trarei uma solução simples para tornar o ranger Beastmaster viável. 

10 comentários:

  1. Interessante e muito melhor que o original. Só senti falta de um ou mais animais de companhia em níveis mais altos (claro que para níveis baixos seria o Beastmaster). Explico, pois no AD&D em níveis altos, aparecem os seguidores animais, e mesmo um Ranger não especializado nisso, acho que poderia ter um animal. Pelo menos na minha visão de Ranger real como o Drizzt (por um acaso, como na foto que postou, com Drizzt e sua companheira inseparável).

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    1. Salve, nobre irmão!

      Fico feliz que tenhas gostado deste ranger mais "clássico", e espero que ele tenha conseguido se aproximar de Drizzt, um de teus personagens mais caros.

      Tens razão quanto aos animais de companhia que a classe tinha no AD&D; era uma maneira muito interessante de ligar a classe a um companheiro, e muito eficiente porque o animal ficava mais poderoso (ou em alguns casos, mais animais se juntavam ao ranger) conforme o ranger ia evoluindo.

      Abordarei esta ideia no próximo pergaminho, em que trarei sugestões para tornar o Beastmaster algo digno de Drizzt e Guenhwyvar, e não o motivo de risos que é hoje.

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  2. Elladan, Filho de Elrond17 de dezembro de 2014 09:43

    Simplesmente magnífico, Odin! Sem querer, você deu um imenso presente de natal para meu grupo de jogo. ISTO é um ranger, e como o Eduardo falou, está muito melhor do que o do Player´s Handbook. Não dá nem para comparar.

    O Foco do Guardião usa uma mecânica muito parecida com a do Ki do monge, e resolve o problema da falta de dano que a classe tanto sofria. Melhor que isso: Ela resolve o problema sem apelar para a ideia de dar ao ranger 4 ataques, o que o deixaria muito parecido com o guerreiro, e ainda dá utilidade real ao Favorite Enemy e Favorite Terrain dentro de combate.

    Achei interessante também a ideia de dar o ranger uma habilidade quase idêntica à Cura Pela Mãos do paladino, ao invés de simplesmente conferir magias de cura para ele. Este ranger ainda é mais fraco do que o paladino, mas isso não é defeito, pois é o paladino do D&D 5 que está exagerado.

    Foi um trabalho magistral, Odin. Com sua permissão, eu gostaria de passar isso para o inglês e postar nas minhas contas nos fóruns da Wizards e EnWorld. Tem muita gente lá que vai gostar disso.

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  3. Elladan, Filho de Elrond17 de dezembro de 2014 09:46

    Só para acrescentar: A ideia de usar a mecânica do animal de companhia do ranger do AD&D para consertar o desastroso Beastmaster é excelente.

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    1. Salve, nobre irmão!

      Fico muito feliz por ti e teu grupo terem aprovado esta versão sem magias do ranger. Se desejar, pode fazer a tradução e postar este ranger nos fóruns que frequenta. Há muitas pessoas insatisfeitas com a classe atualmente, e talvez isto possa servir a outros grupos como serviu para o teu.

      Quanto ao Beastmaster, a ideia de Eduardo foi realmente muito boa; Se esta especialização não existisse, o animal de companhia do AD&D poderia ser inserido nas habilidades básicas da classe, mas como este arquétipo é lastimável, ele pode ser reformulado usando-se a mecânica do AD&D como base.

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  4. Nossa, Odin, senti firmeza agora! Pensei que você iria apenas tirar as magias e colocar algumas habilidades interessantes e 3/4 ataques como o guerreiro - que é o que vemos na web, mas você fez um trabalho de mestre!

    Curti muito!

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    1. Fico feliz que tenhas gostado, nobre ancião! E obrigado pelos cumprimentos!

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  5. De onde tirou isso ? Por favor passe a página do manual !

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    1. Salve, nobre irmão!

      Esta é uma versão alternativa da classe, criada por mim.

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  6. De onde tirou isso ? Por favor passe a página do manual !

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