sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Melhorando o ranger Beastmaster no novo D&D

Drizzt and Guenhwyvar
Saudações, verdadeiros mestres das feras!

Todos aqui que possuem o novo player´s handbook ou têm acompanhado as discussões recentes feitas nestes Salões, e principalmente fóruns da Wizards e En-World, sabem que a classe Ranger apresenta certos problemas mecânicos e conceituais. E para piorar, um de seus arquétipos, o Beastmaster (Mestre das Feras) foi infelizmente tão absurdamente mal feito que o mesmo virou motivo de piada e foi rapidamente eleito como o pior arquétipo de classes existente em todo o jogo. 

Quando li o arquétipo pela primeira vez, achei extremamente fraco, mas pensei que talvez eu não estivesse vendo algo sutilmente oculto, ou que estivesse exigindo demais. Contudo, alguns jogadores fizeram análises muito detalhadas comparando o animal de companhia do ranger como é mostrado nas regras, e no fim, percebi que o arquétipo era muito pior do que eu havia imaginado. Resumindo, os principais problemas existentes com o Beastmaster são:


- Ataques: Para que o animal desfira seus ataques, o ranger obrigatoriamente perde um de seus ataques regulares, não apenas na primeira rodada, mas em todo o combate. Se o ranger quer que seu animal continue atacando, ele abre mão de um de seus ataques regulares em todas as rodadas. Obviamente, esta mecânica virou motivo de riso quase que instantaneamente, pois como um jogador disse no fórum da Wizards “ Eu não sou treinador, mas se estou brigando com alguém e mando meu cachorro atacar, eu não preciso parar de bater e mandar que ele morda a cada 6 segundos para que ele continue mordendo o meu agressor”.

- Pontos de Vida: Os pontos de vida do companheiro animal chegam a 4 vezes o nível do ranger. Isto significa que um ranger de 10º nível terá um companheiro animal com 40 pontos de vida, e um de 20º nível, um companheiro de 80 pontos de vida.  Este valor é absurdamente baixo, e isto fica muito evidente se pensarmos nos tipos de inimigos que um ranger de 10º ou 20º nível enfrenta; o animal duraria menos de uma rodada contra um oponente apropriado para estes respectivos níveis (especialmente após o 15º). Outra forma de perceber o problema é comparar o animal do ranger com os animais conjurados por magia; um druida, mago, clérigo ou bardo no 11º nível pode conjurar uma criatura de ND 6, que possui muitas vezes mais de 100 pontos de vida, e atacará independentemente.
Para resolver estes problemas e tornar o arquétipo viável, pensei em dois métodos: Um deles, revisando o modelo proposto no novo D&D, e o outro, resgatando uma idéia do animal “seguidor” do ranger no AD&D:

1º - REGRAS REVISADAS

O beastmaster funciona exatamente como descrito no livro do jogador, com apenas duas modificações:

Rexxar e Misha
- Comandar o animal para realizar ataques e outras ações em combate: Para ordenar seu companheiro a realizar uma ação em combate (atacar, proteger, perseguir, ajudar...), o ranger gasta uma Reação, e o animal atenderá aquele comando até que receba uma nova ordem, sem a necessidade de se gastar uma reação a cada nova rodada de combate. Caso o ranger queira que o animal faça algo diferente, ele gasta uma reação naquela rodada para dar o novo comando. Exemplo: Na primeira rodada, o ranger gasta uma reação para mandar seu animal atacar, e o mesmo chega ao oponente e ataca continuamente até receber um novo comando. Se o oponente cai inconsciente e o ranger decide que quer que o animal persiga um segundo inimigo, ele gasta uma reação para dar a nova ordem, que será seguida normalmente.

- Pontos de Vida: Os pontos de vida do companheiro animal é igual aos pontos de vida normais da criatura ou metade do nível do ranger, o que for mais alto.

2º - ADAPTAÇÃO DO CONCEITO DO AD&D DE COMPANHEIRO ANIMAL DO RANGER

Jon Snow e Ghost
O ranger Beastmaster atrai um animal de ND igual a 1/2 de seu nível, arredondado para baixo. O animal segue o ranger fielmente, mas neste caso, não recebe benefícios especiais (como bônus de dano e CA). Para dar a ele um comando ou uma nova ordem, o ranger gasta apenas uma Reação.

Rangers de níveis elevados podem dividir o ND do animal que teriam em vários animais menos poderosos. Um ranger de 18º nível teria um companheiro de ND 9, mas poderia, se desejar, possuir 3 companheiros animais de ND 3 cada.

Em qualquer uma das opções acima, o Beastmaster passa a ser bastante viável e interessante em campanha, sendo igualmente poderoso e eficiente ao Hunter, o outro arquétipo da classe. E usado  com o ranger sem magias, teríamos uma boa adaptação de heróis clássicos como Drizzt Do´urden, Rexxar e Jon Snow.

10 comentários:

  1. Simples, prático e eficiente. O primeiro ficou melhor, acho que um animal com 1/3ND fica meio fraco, como vc falou, um Mago nivel 11, já faria uma criatura bem mais forte que essa. No casos dos ataques, eu colocaria que se alguém atacasse ou Ranger ou ele atacasse alguém, automaticamente seu animal também ataca (nem necessidade de perder uma reação), ele só perderia caso quisesse que seu animal atacasse sem ele atacar, ou então, caso ele quisesse que atacasse outro alvo diferente do seu. De resto, ficou show! Abç!

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    1. Salve, nobre irmão!

      Fico feliz que tenhas apreciado, e gostei muito de suas sugestões em relação ao primeiro modelo. Faz sentido que, se o ranger fosse atacado, o animal atacaria automaticamente.

      No segundo caso, refletindo um pouco, vejo que o animal com ND de 1/3 do nível do ranger, sem os bônus, fica realmente fraco em níveis mais elevados. Creio que deixando o ND em 1/2 este problema seria resolvido.

      Grato pelas sugestões!

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  2. Ao contrário de vocês e de 70% dos jogadores de D&D, eu não vi problema no ranger "arcane archer" de D&D 5e, mas achei fantástica a adaptação que você fez da classe sem magias e mais orientada para o combate corpo-a-corpo. O ranger como classe não precisava ser alterado, mas a opção de um ranger mais Aragorn e menos Legolas com magia foi muito bacana.

    Agora, quando o assunto é o mestre das feras, é unânime que a coisa ficou um LIXO, e que os desenvolvedores do jogo pisaram muito feio na bola. Dois anos de playtest para fazer uma me@#a daquela?? Enfim, isto era uma coisa que independente de gosto ou preferência, PRECISAVA urgentemente ser corrigida, e gostei muito das duas sugestões que você deu aqui. O lance de usar reações ao invés de ações de ataque matou o problema inicial absurdo de se perder ataque para fazer o bicho bater, e o aumento nos pvs foi totalmente indispensável.

    Como não sou tão saudosista da 2a edição, gostei mais da primeira opção que você ofereceu, até porque é exatamente aquilo que deveria ter sido feito no livro do jogador. Mas achei a segunda muito boa, especialmente com o aumento do ND para metade do nível do ranger.

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    1. Sim, tens razão, nobre ancião; a questão de transformar o ranger de volta em uma classe de combate corpo-a-corpo é importante para muitos de nós, mas como o ranger padrão do novo D&D é "jogável" caso decidas encarnar um arqueiro que utiliza magias, a alteração não é algo absolutamente necessária em todos os grupos.

      O Beastmaster, no entanto, é extremamente pobre e mal construído, e por isso, precisa ser melhorado ou simplesmente é inviável em qualquer campanha. Fico feliz que tenhas gostado, e o aumento do ND na segunda opção realmente era uma necessidade que de início, acabei não percebendo.

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  3. Oi pessoal, tudo bem?

    Meu nome é Matheus Funfas, sou o editor responsável pela edição nacional do FATE RPG, que está em financiamento coletivo no momento.

    Acabamos de entrar na reta final do projeto e últimos dias de arrecadação e falta pouquíssimo para batermos a meta. Gostaria de contar com o seu apoio com a divulgação do jogo.

    O FATE é um jogo norte-americano premiado com a categoria ouro no Ennies (o oscar do RPG), e está sendo muito aguardado por vários rpgistas brasileiros há algum tempo.

    Estamos com kits para lojistas, apoiadores e também itens avulsos. Agradeço muito desde já por qualquer apoio que possa nos dar e desejo muito sucesso para suas empreitadas.

    A página do FATE com mais informações sobre o jogo é www.catarse.me/fate

    E eventuais artes para divulgação podem ser encontradas aqui: https://www.pinterest.com/solargames/fate-financiamento-coletivo/

    Grande abraço.


    Matheus Funfas
    Solar Entretenimento
    contato@solarentretenimento.com.br
    (43) 9122-2929
    (43) 3037-4299

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    1. Salve, nobre irmão!

      Desejo muito sucesso em tua honrosa contenda, e certamente ajudaremos em tudo o que for possível.

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  4. Estou passando para desejar a você um excelente fim de ciclo, e que o novo ciclo que se inicia seja extremamente bom para você e seu blog!
    Eu respondi uma TAG no meu blog e pensei em te marcar para responder também, mas como o seu blog é de outro assunto, não te marquei para responder, mas caso quiser sinta-se a vontade para responder.
    Boas festas!

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    1. Muito obrigado, nobre irmã! Desejo o mesmo para ti!

      E grato pela atenção em relação à TAG também!

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  5. Elladan, filho de Elrond30 de dezembro de 2014 09:57

    Salve, grande Odin

    Mais uma vez, você mostrou que com boa vontade e bom senso, conseguimos excelentes resultados, e de forma simples, prática e funcional. O beastmaster apresentado no player´s é uma verdadeira abominação, e dá a nítida impressão de que foi um trabalho feito às pressas e de forma muito leviana. O ranger como classe pagou caro pela falta de cuidado dos criadores, mas o beastmaster foi um verdadeiro trabalho de amador, na melhor das hipóteses.

    Achei a primeira opção que mostrou simplesmente perfeita, mas para mim, talvez por questões de nostalgia, a segunda opção atualizada foi a mais interessante. Seja como for, você resolveu nosso problema de forma simples, prática e eficiente, como Denilson disse.

    Odin, abusando um pouco do espaço, queria lhe passar um retorno sobre o uso do seu ranger sem magias dentro de uma mesa de jogo: Meu grupo e eu jogamos uma aventura curta neste final de semana, dividida em quatro partes. Os personagens eram experientes, de nível 12, e no grupo havia uma guerreira battlemaster, um clérigo da luz, um ladino "ladrão", um mago abjurador e eu, que joguei com o seu ranger.
    Junto da guerreira, meu ranger assumiu a linha de frente em todos os combates, e digo com satisfação que ele se saiu muito bem. Mesmo quando lutamos em uma cidade sitiada, local em que suas habilidades são bastante prejudicadas, ele se saiu muito bem, ficando pouco atrás da guerreira. E quando entramos em uma floresta e enfrentamos trolls - meu terreno favorito e meus inimigos respectivamente- consegui até superar a guerreira.

    Eu já havia jogado, em outra ocasião, com o ranger "oficial" neste mesmo nível, e percebi que em termos de dano, ambos são extremamente equiparados, apesar do ranger do livro conseguir causar um pouco mais de dano. Enquanto o ranger do livro do jogador precisa ficar à distância e utilizar suas magias de ataque com o arco e de invocação de criaturas, o ranger sem magias consegue resistir muito mais quando luta em combate corpo-a-corpo, causando quase o mesmo dano. No fim, tudo depende da preferência do jogador: Se você quer um ranger arqueiro conjurador que causa mais dano ou um ranger mais resistente que se sobressaia no combate corpo-a-corpo.

    O seu ranger sem magias é excelente, e cumpre muito bem o seu papel de verdadeiro homem de armas. Assim como o guerreiro, bárbaro, paladino e monge, tem suas vantagens e desvantagens, mas consegue se manter firme na linha de frente, mesmo contra inimigos poderosos. Parabéns e obrigado por nos oferecer esta importante opção.

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    1. Salve, nobre irmão!

      E perdoe-me pela demora em responder vosso comentário.

      Fico muito honrado por terem apreciado a versão do ranger que disponibilizei aqui, e agradeço muito pelo feedback!

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