segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Nossas impressões sobre o novo D&D

No final, qual é vosso veredito sobre o novo D&D?
Saudações, nobres exploradores de masmorras!

Agora que muitos entre nós já tiveram um contato maior com o novo D&D, seja por termos adquirido o livro do jogador ou por meio de postagens e fóruns em sites e blogs, gostaria de saber qual vossa opinião sobre esta noa encarnação de nosso amago RPG.

Tendo lido o livro do jogador e acompanhado diversos fóruns de discussões no site da Wizards, vi que de forma geral o jogo foi muito bem recebido, especialmente por conta dos aspectos de valorização da interpretação, como os excelentes backgrounds. 

Contudo, o jogo recebeu também recebeu certas críticas, como por exemplo, a falta de utilidade real das manobras de combate do guerreiro, já que muitas delas se baseiam em derrubar, desarmar e empurrar inimigos, e nada disso faz com que eles percam sequer um ataque, o nível de poder muito alto do paladino, que consegue superar facilmente o dano causado por um bárbaro berserker ou ladinos em dois ou até três combates no dia, o fato de algumas magias de proteção requererem concentração constante para não se dissiparem, etc. Há pessoas que consideram esta edição mais equilibrada do que as duas últimas, enquanto outras, afirmaram exatamente o oposto.

De modo geral, o jogo apresenta muito mais pontos positivos do que negativos, mas os negativos, especialmente ligados à habilidades de classe poderosas demais ou insípidas, está causando certo descontentamento entre jogadores mais antigos. Nada que não possa ser resolvido com o uso de regras da casa bastante simples, mas que ainda assim, mostram que o sistema não ficou totalmente conciso.

E quanto a vós, nobres heróis que já se aventuraram direta ou indiretamente pelo novo D&D: O que acharam do jogo? Ele supera vossa versão até então favorita de Dungeons and Dragons?

16 comentários:

  1. Elladan, filho de Elrond25 de novembro de 2014 11:21

    Salve, Grande Odin

    Meu grupo e eu estamos levando uma mesa quinzenal de D&D 5 com o livro do jogador e agora o dos monstros, e uma mesa paralela de nível elevado (16+), e pudemos ter uma boa visão do sistema como um todo.

    Em níveis baixos, especialmente na faixa do 5-8, o jogo é muito equilibrado, mas depois disso, especialmente após o nível 14, a coisa fica literalmente insana. Algumas classes ficam absurdamente poderosas, enquanto outras, ficam virtualmente inúteis. Vou citar três exemplos:

    O paladino da mesa de nível elevado, além de possuir excelentes habilidade de defesa e cura, durante combates importantes é capaz de causar mais dano do que qualquer combatente. E a diferença é muito gritante. Um guerreiro que desfira 4 ataques por rodada e utilize o action surge não consegue causar o mesmo dano que um paladino que utilize a habilidade Divine Smite queimando magias de 5o nível.

    O Battlemaster Fighter pode usar poucas manobras a menos que descanse, já que todas requerem o uso do Superiority Die. Além disso, muitas são úteis apenas se você quer fugir ou evitar combate, porque derrubar ou desarmar um adversário não tem impacto nenhum no combate, diferente do que acontecia no D&D 3. A coisa é tão estrenha que o Eldritch Knight (o "fighter mage") é um combatente muito melhor do que o Battlemaster, que deveria ser o "mestre" das batalhas.

    O ranger, para meu desespero, foi montado como um "minion slayer", o que o torna quase inútil contra oponentes poderosos, mesmo com o arquétipo do Hunter, que tem habilidades muito interessantes (me desculpe, Odin, mas em outro posto você mencionou que as manobras do battlemaster são melhores, mas como alguém que viu as duas classes juntas, te digo que não são). Além disso, ele é altamente dependente de magias para causar dano, e para piorar, quase todas as habilidades de dano dele são voltadas para o uso do arco. O clássico Hunter de World of Warcraft, e não o Drizzt e Aragorn que estávamos esperando. E para piorar, bardos com o background wanderer e magias de druida (que ele pode pegar em certos níveis) se viram melhor em regiões selvagens do que o próprio ranger em níveis elevados.

    Mas apesar deste desequilíbrio e conceitos ruins entre os homens de armas, gostei muito do sistema de magias, e particularmente, não achei ruim as limitações de concentração que certas magias impõem. Elas na verdade forçam o conjurador a se proteger, o que acho bastante coerente. Claro que esta regra prejudica muito classes como rangers e paladinos em certos casos, mas acho justo.

    Bem, por fim, meu grupo e eu gostamos do novo D&D, mas achamos ele um pouco desequilibrado em níveis mais elevados. Se ele supera nossas versões favoritas do jogo (Pathfinder e AD&D), infelizmente, não.

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    1. Salve, nobre irmão!

      Fizestes colocações interessante, e os casos que narrastes realmente comprovam aquilo que tenho visto em fóruns; as classes mais combativas realmente apresentam alguns problemas de equilíbrio, que aparecem de forma mais clara a partir do 14o nível.

      As manobras do battlemaster são mesmo inexpressivas porque podem ser usadas poucas vezes ao dia sem que se faça um descanso curto e porque ações como desarmar, derrubar ou empurrar um oponente são úteis apenas para se deixar um combate ou para personagens dispostos a trabalhar uma exaustiva estratégia de "bater e correr" usando seu deslocamento (o que não funciona em todas as ocasiões).

      O divine smite do paladino é realmente poderoso demais porque não requer nem o uso de uma reação ou ação bônus para ser ativado, e pode ser usado em todos os ataques desferidos por ele.

      Também fiquei decepcionado com o conceito dado ao ranger; a classe é muito eficiente quando se combate orcs ou outras criaturas mais fracas, mas quando se trata de inimigos de poder mais elevado, o ranger é de pouca utilidade. Além disso, ele é realmente muito dependente de magias para ser eficiente, e suas magias "marciais" estão todas (exceto Hunter´s mark) voltadas para o uso do arco. É claro que como o sistema de regras é bastante aberto, o mestre e os jogadores podem discutir e alterar a essência de algumas magias, mas mesmo assim, entendo o que dizes; estamos muito longe do ranger Drizzt e Aragorn da literatura de fantasia.

      Porém, de forma geral, o sistema ficou bem feito, e como dissestes, a parte das magias foi muito bem trabalhada. Em minha opinião, contornando certos problemas, podemos aproveitar bem este jogo, mesmo ele não sendo tudo o que eu esperava.

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  2. Oiii, to de volta, pelo visto não voltou ainda meu blog a aparecer ao lado ne?
    Sera que teria como vc tirar e colocar de novo pra ver se volta?
    Fiquei triste com isso. =/

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    1. Salve, nobre irmã!

      Sinto muito por este problema do blogger, e todos os dias estou retirando e recolocando o link de vosso blog em meus irmãos de armas, e cedo ou tarde as coisas se normalizarão, como sempre ocorre nestes casos...

      Lamento mesmo pelo inconveniente.

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    2. Que pena... fico me perguntando se foi algo que eu fiz...

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    3. Não te preocupes, pois não foi nada que fizestes. É um problema do blogger mesmo, que frequentemente ocorre, mas que sempre se resolve sozinho com o tempo.

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  3. Achei a nova versão bem melhor que o D&D 3.x (a 4 nem comento pq aquilo não é D&D), as classes ficaram boas em geral, mas tem alguns problemas como esses de desequilíbrio grande em level alto. O jogo ficou bom, mas ainda não chegou perto do velho e bom AD&D...

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    1. Entendo com o que queres dizer, nobre amigo, e concordo contigo. Este novo D&D está no geral muito melhor que a terceira edição e conseguiu trazer de volta o clima verdadeiro do jogo, que fora perdido na quarta edição.

      Contudo, ele não conseguiu trazer aquela "simplicidade" das classes e do AD&D, o que é uma pena.

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  4. O jogo é excelente, mas desequilibra um pouco depois do nível 14, e apesar das magias estarem bem legais e bem feitas, é muito deprimente ver os efeitos das magias de "morte". Eu gostei do warlock dessa edição, e os magos estão bem interessantes.

    As classes de melee são onde o maior desequilíbrio está mas ainda assim, não e nada que torne o game injogável. O monge, como sempre, é o fraquinho do grupo, mas está bem melhor do que na 3e.

    Vocês falaram bastante do ranger, e olhando por esse lado, ele realmente seria uma droga, SE fosse uma classe de melee. Como vocês disseram, todas as magias de dano com armas dele, tirando a hunter´s mark que é ridícula por ter dano irrisório e por exigir concentração, são feitas para usar com arco. Um ranger que fique à distância e utilize swift quiver junto com conjure animals e outras habilidades de arco bate qualquer combatente porque o cara simplesmente não consegue chegar nele. Não é o que os fãs do AD&D queriam, mas ainda assim funciona muito bem. Mas admito, o inimigo favorito agora está um lixo, e nem no nível 20 fica algo minimamente decente.

    Tem muita gente reclamando deste conceito de "ranger wow", mas eu não ligo. Ainda mais porque se quiserem fazer um ranger Aragorn ou Drizzt, é só fazer um fighter com o arquétipo Wanderer e pronto. Mais fiel que isso, impossível.

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  5. Salve, nobre mestre dos magos! Sejas bem vindo aos Salões de Valhalla!

    Ironicamente, meu cunhado fez o mesmo comentário que ti sobre a falta de impacto das magias de morte, mas mesmo com este pequeno problema, as magias no novo D&D ficaram muito interessantes.

    Quanto ao ranger, assim como Elladan, fizestes uma análise muito interessante: A classe agora está focada na eliminação de muitos alvos mais fracos ao invés de um único bem mais poderoso (oposto do paladino), e para ser realmente eficiente, depende do uso intenso de magia e também do arco como arma principal. Um ranger arqueiro que saiba escolher bem suas magias é de fato um pesadelo no campo de batalha, e com Conjure Animals, pode inclusive derrubar oponentes mais poderosos de forma tão eficiente quanto um guerreiro, paladino ou bárbaro. O problema é que este não é o conceito que estávamos esperando, porque é justamente o oposto do ranger de AD&D.

    Contudo, como sabiamente dissestes, se quisermos "rangers old school" como Drizzt e Aragorn, basta criar um Fighter e adotar o arquétipo Wanderer, que confere habilidades de rastreamento e perícias muito interessantes. E como a regra dos backgrounds permite que uma perícia seja trocada caso ela já esteja na lista da classe, um fighter wanderer poderia ter as perícias Percepção, "Atletismo", Furtividade e Sobrevivência. E nisto, teríamos um excelente retrato dos rangers que admiramos na literatura fantástica.

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  6. Odin, boa tarde. O que acontece com o D&D não é diferente de outros RPGs. As regras são para simular a resolução de ações. O problema é que os RPGs ganharam uma nova cara. Eles precisam simular um aumento de experiência dos personagens o que se traduz em XPs e Niveis de Experiência.

    A medida que os personagens vão evoluindo, vão ficando mais forte e podem enfrentar desafios mais difíceis. Legal! O que vejo que é impossível prever como cada personagem vai se comportar no 25º Nível. Assim, as classes ficam desequilibradas.

    Bem, apesar do desequilíbrio, com regras da casa (como você disse) as coisas podem ser bem resolvidas. Afinal, RPG é um jogo de interpretação e não apenas de estatísticas e rolagens de dados.

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    1. Sábias palavras, nobre irmão.

      O RPG é, e sempre foi, mais do que um punhado de regras e estatísticas. O que acontece no caso do D&D é que por conta do "mito" por trás do nome, somos mais exigentes, e como foi feito mais de um ano de playtests, certos problemas que surgiram não deveriam estar acontecendo.

      Mas isso não tira a razão de tuas palavras. Em um jogo de RPG, se vemos que algo não está funcionando bem e que isto compromete a diversão do grupo, podemos (e talvez, até devamos) fazer pequenos ajustes através de regras da casa previamente discutidas e aprovadas por todos.

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  7. Que me desculpe o amigo acima. Mas colocar Drizzt como um guerreiro com habilidades florestais é o mesmo que colocar Elminster como Bardo! Não gosta do AD&D tudo bem, mas não vamos assassina-lo!!!

    Se for para fazer isso, melhor largar de vez o D&D e migrar para o Pathfinder ou outro RPG, pq o dia que Drizzt for visto como guerreiro eu coloco Elminster de Bardo, Tarrasque como um lagarto de ITU e nunca mais jogo RPG da Wizard.... ai ai, saudades da velha TSR...

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    1. Hahaha, o mais engraçado de tuas comparações é que em uma versão oficial de Elminster na época da terceira edição, se não me engano, ele tinha mesmo alguns níveis de bardo, e Drizzt tinha mais níveis de guerreiro do que de Ranger. Totalmente absurdo, mas como muitos aqui devem se lembrar, realmente aconteceu

      Entendi bem tua colocação, grande Eduardo, mas creio que o Mestre dos Magos não pretendeu criticar o AD&D em seu comentário. Ele apenas ofereceu a nós, fãs de AD&D, uma maneira de trazer de volta os rangers de nossa época, já que o ranger de D&D 5 está muito diferente do "ranger Drizzt" da segunda edição.

      Pelo que pude entender, o Fighter/Wanderer seria nada mais do que um ranger sem magias e que não precisa depender do arco para ser um combatente realmente impressionante em níveis mais elevados. Da mesma forma que comentamos antes que o paladino do voto da Devoção era o "verdadeiro paladino clássico", este fighter/wanderer seria o verdadeiro ranger da literatura fantástica, e uma representação muito mais fiel de Drizzt e Aragorn do que o ranger mostrado no novo livro do jogador.

      Isto não quer dizer que Drizzt seria um guerreiro; quer dizer que, por causa de problemas conceituais graves, o mais icônico Ranger de AD&D seria melhor representado como um guerreiro com o antecedente wanderer do que como o ranger descrito no livro, especialmente se lembrarmos que guenhwyvar não é um animal comum como o companheiro do ranger beastmaster.

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    2. Por isso nunca gostei da 3ª Edição, pois ela assassinou o Forgotten Realms! Mas enfim, entendi sua colocação, mas não concordo. Seria como falar para um fã de WoW que Trall passou a ser warlock ou que Garrosh é um paladino se é que me entende.

      Essa edição nova do D&D foi a melhor delas desde o AD&D, mas ainda prefiro o velho e bom AD&D. Ainda mais que agora lançaram as reedições para quem quiser na Amazon... Em português, só correr atrás da internet que vc acha os livros básicos.

      Mas é isso, achei que poderia substituir o velho AD&D mas infelizmente ainda não é a hora (talvez nunca chegue essa hora...). Não é nostalgia, quem jogou AD&D e gostou entende, assim como sei que vc entende nobre amigo.

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    3. Sim, compreendo perfeitamente. Gostei muito do novo D&D, mas para mim, o AD&D ainda é superior porque gosto do jogo menos tático e estratégico. Como não havia dezenas de poderes especiais e o nível de poder era mais baixo, as classes eram bem equilibradas e depois que se aprendia como jogar, o jogo caminhava muito bem.

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