quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Paladinos: Cavaleiros ou Templários?

"Lâmina com quem vivi, lâmina com quem agora morro. Sirva
o que é certo e a justiça uma última vez, busque um último
coração do mal, pare uma última vida de dor. Corte bem,
velha amiga, e adeus."
Saudações, nobres aventureiros!

Enquanto organizava minha estante de livros de RPG, me deparei com meu saudoso livro de Forgotten Realms do AD&D, e folheando o tomo, encontrei por acaso As Virtudes dos paladinos:

1) Uma aproximação organizada é aquela que traz o maior bem para todos.

2) As leis existem para trazer prosperidade para aqueles que vivem sob elas.

3) As leis injustas devem ser derrubadas ou mudadas de uma maneira positiva.

4) As pessoas governam; as leis apenas organizam este processo.
5) Faça sempre o maior bem com o menor estrago possível.

6) Proteja sempre os mais fracos. Jamais tolere a maldade ou a injustiça.

7) Defender os inocentes é mais importante do que punir o mal.

8) A bondade não é um estado natural, mas precisa ser cultivada a todo momento.

9) Lidere pelo exemplo, de forma que teus atos sempre falem por tuas intenções.

10) Seja misericordioso, mas com prudência e sabedoria.

Particularmente, gosto muito deste pequeno “código de honra dos paladinos”, e até hoje, não via nada que descrevesse melhor a classe do que as Virtudes apresentadas no AD&D.

Contudo, como podeis perceber, ela claramente não menciona em momento algum devoção a uma divindade, o que achei muito interessante, porque mostra que o modelo original da classe, baseado nos 12 Pares de Carlos Magno, era facilmente separado do arquétipo do cavaleiro templário ou de um clérigo da guerra.

Em D&D 3ª edição, até para aproximar a classe àquilo que se via em jogos como Warcraft 3, o paladino começou a ficar mais ligada a uma divindade, tanto que em Forgotten Realms 3ª Edição, praticamente todas as Igrejas boas tinham paladinos que agiam, na verdade, como verdadeiros templários.

Na 5ª edição, como já debatemos, o paladino ficou completamente ligado a uma divindade patrona, e mesmo que ele não faça parte oficialmente da força militar de uma Igreja, é praticamente impossível diferenciar um paladino de um templário, pois o antigo arquétipo do “cavaleiro andante” foi substituído pelo arquétipo do cavaleiro da igreja.


Já expus minha opinião sobre isso e minha relutância em aceitar o “paladino templário”. Como muitos de vos disseram que estão acostumados a jogar com a classe ou que esta é vossa classe favorita, gostaria de saber vossa opinião: Qual é o arquétipo que melhor define o paladino: Cavaleiro ou Templário?

12 comentários:

  1. Sem dúvida que prefiro o antigo código do AD&D, pois acho que atrelar o paladino a uma divindade quebra a imagem e o comportamento do "cavaleiro andante" (para entender bem o que eu quero dizer é só recorrer aos escritos de Sir Walter Scott, mais precisamente Ivanhoé). Por experiencia em jogo a maioria dos paladinos que vi serem interpretados eram fanáticos religiosos com poderes que pregavam os dogmas divinos. Imagine um paladino do deus da sorte (em Forgotten Realms Tymora), entrando em jogos de azar e rezando para ser favorecido XD AKPOKAopkPOKApPakPOKApoKA

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  2. Hahahaha, um paladino de Tymora (por mais que me doa o ouvido escutar que isto realmente existe de uns tempos para cá) fazendo isso deve ser algo impagável de ser ver!

    Mas voltando ao assunto, concordo plenamente contigo. O "cavaleiro errante" do AD&D para mim funciona muito melhor como paladino do que o templário que começou a ganhar força em Forgotten Realms 3 ed. e que estava sendo usado em cenários de jogos como World of Warcraft.

    Lembro inclusive que quando conversei com um amigo que jogava muito WoW, ele se lembrou do clérigo do antigo jogo "Shadow over Mystara", e começou a discutir que o clérigo do grupo era na verdade um paladino, e que o nome estava errado. Eu expliquei a ele que a ideia original do paladino era diferente, e que o que se via em WoW como paladino (um guerreiro sagrado ligado à Igreja) era na verdade, em termos de RPG, um clérigo.

    Acho que este é o principal problema em se ver paladinos como templários; fica muito difícil diferenciá-los de clérigos mais combativos, especialmente os de divindades como Tyr, Heironeous ou Torm.

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  3. Para solucionar esse problema poderia existir as duas classes disponíveis, e vualáaa XD

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  4. Meu nobre amigo Odin!

    Se bem me lembro, paladinos seguem Deuses Justos (leal bom) e acho que pode também (neutro e bom). Tymora é de alguma dessas tendências? Apesar de gostar mais do AD&D não me recordo, mas se não for de nenhuma dessas tendências (o que creio que não seja), não poderia ter um paladino em seu plantel.

    Como falei antes, mesmo mais ligado ao AD&D do que as outras versões que não gostei, sempre imaginei o Paladino como um guerreiro nobre de seu Deus, com uma fé inabalável que fazia com que não se prendesse a uma igreja, mas sim, estaria ligado ao seu Deus. E já foi dito isso por mim também, mas resumindo, o Paladino seria aos olhos de seus deus como o Filho que segue o pai, seu orgulho, enquanto o clérigo seria o filho nerd rsrsrs. O palada com suas ações já dizem tudo, como Thor da vida. E por onde passa, todos o vêem como herói.

    Enfim, não acho que estou certo ou que você esteja certo. Apenas pontos de vista diferentes. Eu vejo muito mais um paladino chegando a divindade do que o próprio clérigo. Mas enfim, pontos de vista......

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  5. Salve, nbre irmão!

    Hahaha, sim, fostes realmente tu quem trouxera a pérola do paladino que segue o pai e o clérigo que é o filho nerd!

    Sim, isto realmente é uma questão de ponto de vista, em que certamente não há certo ou errado, apenas lados que atendem melhor o gosto de uns e outros dependendo das preferencias pessoais e do cenário de campanha que está sendo jogado.

    No caso de Forgotten, na 3a edição foi introduzido a ideia de que praticamente todas as Igrejas Boas e algumas Neutras (incluindo as igrejas de Tymora e Sune) não ligadas à natureza tinham ordens de paladinos a seus serviços. Assim, os paladinos continuavam sendo obrigatoriamente leais e bons, mas podiam seguir divindades caótico boas e leais e neutras da 3a edição de Forgotten em diante. Acredito inclusive que esta ideia foi o embrião do "paladino da vingança" de D&D 5a edição.

    Não tenho objeção a paladinos serem devotos de deuses. Acho até interessante o conceito de um paladino que recebeu a visita de um anjo e que tocado pela experiência, passa a lutar em honra dos ideais de um deus Leal e Bom ou Neutro e Bom. Contudo, acho que eles não deveriam fazer parte da estrutura oficial de nenhuma Igreja (muito menos de Igrejas caótico boas ou leais e neutras). Para isto, já existem os clérigos e templários.

    Mas como sabiamente dissestes, estes são apenas pontos de vista...

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  6. Nas Novelas de Cavalaria da Baixa Idade Média, figurando aqui o Ciclo Arturiano, a figura do Cavaleiro Andante, o Paladino, sofria muita inspiração das ordens monásticas militares, como os Templários e Hospitalários e suas contrapartes através da Europa. Quando um homem era ungido cavaleiro, passava por uma noite de vigília e comunhão com Deus (até mesmo Sturm passou por isso em Dragonlance) e depois era sagrado cavaleiro jurando honrar as relações feudais. A própria Canção de Rolando, narrava a história de como os cavaleiros de Carlos Magno, entre eles Rolando, lutaram na Batalha de Roncesvales para defender a Europa e os Cristãos dos Muçulmanos. Na verdade, o que as Novelas de Cavalaria faziam era povoar a ethos puramente militar das Ordens Monásticas com ficção arturiana e aventuras de corte. O próprio código de conduta dos templários teria evoluido para o que conhecemos como o Código de Cavalaria. Na verdade, as primeiras Ordens de Cavalaria criadas, foram a Ordem de São João, baseada no Hospital de Jerusalém (Hospitalários) e a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, seguidos pela Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Um historiador francês chamado Gautier propôs que o Código Ancestral de cavalaria giraria em torno de:

    Acreditar nos ensinamentos da Igreja e guardar suas instruções.
    Defender a Igreja.
    Respeitar e defender os fracos.
    Amar sua nação.
    Não mostrar misericórdia com os infiéis. E não hesitar em fazer guerra contra eles.
    Cumprir todos os seus deveres feudais, conquanto eles não entrem em conflito com as Leis de Deus.
    Nunca mentir ou voltar atrás com sua palavra.
    Ser generoso com todos.
    Sempre e em todos os lugares ser correto e bom contra o mal e a injustiça.

    Dito tudo isso... Eu considero que os dois aspectos são verdadeiros, embora prefira enxergar o Paladino dissociado do serviço direto a uma divindade, e dedicado mais a justiça. Mas, claro, cabe ao mestre definir qual papel é o predominante em sua mesa.

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  7. Colocação muito interessante. E tens toda razão em relação às novelas de cavalaria; Em A Canção de Rolando, o personagem e sua tropa cai heroicamente para conter os árabes, mas na verdade, eles lutaram contra os bascos. A sagração do cavaleiro, principalmente na Baixa Idade Média, quando o poder da Igreja estava mais consolidado, envolvia mesmo a comunhão com Deus (havia me esquecido que Sturm passara por algo semelhante...)

    Fazia anos desde a última vez que li este código que trouxestes, e sempre achei que ele estava ligado a Ricardo Coração de Leão, na época em que o sanguinário rei lançou uma investida massiva para retomar Jerusalém.

    Este código de cavalaria é mesmo da Baixa Idade Média, porque coloca o cavaleiro claramente como um servo de Deus e da Igreja, ao contrário do que acontecia na Alta Idade Média e nos tempos do império Carolíngio, em que o cavaleiro era antes de qualquer coisa, um leal servo do rei. As próprias incoerências dentro dos mandamentos retratam bem a visão da época (ex: Ser generoso com todos e Não mostrar misericórdia com os infiéis).

    Este tipo de código cabe muito bem ao modelo de um templário, mas apesar de também servir a uma ordem de paladinos dependendo do cenário, também acredito que o paladino deva estar mais focado na justiça em si.

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  8. Nobre Odin, numa coisa concordamos, o Paladino em nosso ponto de vista não está ligado a uma igreja e nisso concordo.

    Para mim um Paladino recebe seus poderes de um Deus diretamente, mas ele tem um vínculo maior que o do clérigo e por isso, não necessita de Igreja nenhuma para interferir sua relação com ele. Na minha visão qualquer um poderia ser um Clérigo, desde que tenha fé e um dom para isso, mas um paladino não, esse recebe o chamado diretamente do Deus, ele já nasceu com esse destino, coisa que um clérigo jamais entenderia. A justifica dele ter menos magias, seria por ele não ter estudos de uma igreja, por outro lado, ele tem uma aura permanente que mostra a ligação com o divino, foda sua montaria sagrada, além do que, ele pode usar espadas, pois sua fé é tamanha que cortes não os abalam (clérigos, com poucas exceções utilizam somente arma de esmagamento) e sua cura milagrosa pelas mãos, habilidades natas dada pela sua divindade e não objetivo de rezas e estudos.

    Para mim um templário nada mais é do que um clérigo de guerra (que usa espada e tem outras restrições). Regido por uma ordem militar e ai de quem não se submeter as ordens de seus superiores... rsrs

    Enfim, como falei, Paladino para mim é o cara! Você pode fazer o que quiser, mas nunca será o cara! rsrs. Mas falando sério, o Palada na minha visão é isso, um cara que recebeu um chamado, que nasceu para isso, com uma ligação direto com sua divindade. Enquanto o clérigo é apenas um ser fiel a uma Igreja que logicamente é fiel ao seu Deus. Por isso, um clérigo de uma divindade boa é sempre bem recebido, mas um paladino da mesma divindade, é o cara, o iluminado, o herói, enfim, o cara! (pelo menos na visão dos fiéis comuns dessa divindade).

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  9. Hahaha, é a primeira vez que ouço que "o paladino é o cara", e de certa forma, eles são mesmo.

    A separação que fizestes entre Igreja e Divindade é muito interessante, e realmente sou obrigado a concordar com ela; meu problema com paladinos religiosos era o fato deles estarem de certa forma "presos" à hierarquia de uma determinada Igreja, algo que acho que cai bem para clérigos e templários, mas não para paladinos.

    Porém, a ideia de que o paladino recebeu um chamado divino não por adorar um determinado Deus, mas por naturalmente personificar os ideais de justiça, humildade e bondade o torna muito diferente do clérigo e do templário, porque deste modo, ele está ligado ao divino, mas não às instituições feitas pelo homem para representar divindades no mundo mortal.

    O paladino, desta forma, seria alguém que lutaria pela causa da justiça de qualquer forma, mas que possui uma pequena "ajuda" de seres superiores nesta jornada pessoal, não por conta de devoção, mas por causa de uma forte convicção natural despertou o interesse de uma divindade. Assim, ele seria diferente do clérigo, que tem um caráter mais evangelizador, e do templário, com um caráter mais arbitrário e dogmático.

    Muito bom mesmo.

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  10. Olá, nobres cavalheiros! Estou fazendo um backgroud de Paladino e segui o caminho ditado pelo Eduardo: Heironeous encontra uma criança digna e a guia. Gostaria de personificar esse Deus de alguma forma, pois é uma criança.. o chamado é intenso e queria trasforma-lo em algo físico, já que ela acabou de ser "salva" de uma situação devastadora. Tem alguma forma de fazer isso que honre os métodos do Deus da Justiça?

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  11. Sempre tive ressalvas com paladinos e suas devoções. acho que joguei muito tempo como ladrão.

    mas eu me arrepiei com esse texto, e ate me fez pensar em jogar com um palada:

    "Lâmina com quem vivi, lâmina com quem agora morro. Sirva
    o que é certo e a justiça uma última vez, busque um último
    coração do mal, pare uma última vida de dor. Corte bem,
    velha amiga, e adeus."

    muito bom velho odin!

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