domingo, 16 de fevereiro de 2014

Conhecendo as raízes do mundo de A Roda do Tempo.

Uma sábia "maga" Aes Sedai e seu experiente guardião.
 Saudações, nobres almas!

Para aqueles interessados em saber um pouco mais sobre o enredo da série The Wheel of Time, agora disponível em nossas terras, segue uma pequena explicação sobre os principais eventos que moldaram este rico universo de fantasia medieval.

Na mitologia da série, uma divindade conhecida como O Criador forjou o universo e a Roda do Tempo (Wheel of Time), que, quando se move, influencia a vida de todos os seres. A Roda tem sete raios, cada um representando uma era, e ela gira sob a influência do Um Poder (One Power), que representa a onipresente essência da magia no cenário. Essencialmente composto por duas metades masculinas e femininas (Saidin e Saidar) que se opõem, mas ao mesmo tempo se complementam, esse poder movimenta a roda. 

Aqueles seres humanos que podem usar este poder são conhecidos como canalizadores, e a principal organização de tais “magos” é chamada de Aes Sedai ou "servos de todos", no idioma antigo.

O Criador prendeu a sua antítese, Shai'tan, the Dark One (traduzido como “O Tenebroso”) , no momento da criação , selando-o para longe da Roda. No entanto, em durante a Era das Lendas, ou a Segunda Era, um Aes Sedai inadvertidamente causou uma fissura na prisão do Tenebroso, permitindo que sua influência se espalhasse pelo mundo. Em pouco tempo, ele reuniu seres poderosos, os corruptos e os ambiciosos para a sua causa e estes servos começaram a buscar meios para libertar totalmente o Tenebroso de sua prisão. Em troca, o Tenebroso lhes prometeu dádivas poder e imortalidade quando pudesse reinar sobre a criação. Poucos, mesmo entre os servos do Senhor das Trevas, sabiam que libertar o Tenebroso poderia culminar na quebra da Roda do Tempo e no fim da própria existência.

Em resposta a esta ameaça, a Roda girou e deu origem ao Dragão, um homem que seria o campeão da luz. O Dragão era um homem Aes Sedai chamado Lews Therin Telamon, que chegou à grande influência e poder entre os Aes Sedai. Um século após o contato acidental com a prisão do Tenebroso, a sociedade dos homens havia se tornado em boa parte corrupta e decadente graças à influência do ser maligno, e uma guerra sem precedentes irrompeu entre as forças de Shai’Tan e os campeões da luz. Após dez anos de uma terrível guerra aberta, as forças da luz se viram à beira da derrota e da obliteração.

Em desespero, Lews Therin liderou uma força de elite formada pelos mais poderosos Aes Sedai e guerreiros em uma missão praticamente suicida, tentando selar o local de encontro entre a prisão do Tenebroso e o mundo. Após uma terrível batalha, Lews Therin e o pouco que restou de suas forças foram vitoriosos e conseguiram selar Shai’Tan, mas de forma imperfeita. No entanto, em um ato de vingança, pouco antes de ser selado, Shai’Tan corrompeu o aspecto Saidin (masculino) do Um Poder, o que resultou no enlouquecimento completo de todos os canalizadores de sexo masculino, incluindo os homens Aes Sedai e o próprio Lews Therin. O estrago que estes conjuradores corrompidos causaram foi tão intenso que o mundo foi praticamente devastado pelo Um Poder, desencadeando terremotos e maremotos que reformularam o planeta, em uma era conhecida posteriormente como "A Quebra do mundo".

Em sua insanidade, o próprio Lews Therin matou seus amigos, sua família e todos os seus conhecidos. Dado um momento de sanidade por Ishamael , um dos mais poderosos servos de Shai’Tan, Lews Therin percebeu o que tinha feito. Em sua dor, ele cometeu suicídio acessando uma quantidade assombrosa do Um Poder. Com o tempo, os restantes Aes Sedai masculinos foram mortos ou cortados do Um Poder. Agora, naquele mundo completamente devastado pelos canalizadores insanos, apenas as mulheres eram capazes de acessar a magia do Um Poder com segurança.

Agora formada apenas por mulheres, as Aes Sedai trabalharam muito para reconstruir a civilização e guiar a humanidade para fora deste tempo sombrio. Os homens que pudessem canalizar eventualmente o Um Poder tornaram-se objeto de medo e horror, e até mesmo o Dragão havia se tornado uma figura odiada. Entre as Aes Sedai havia inclusive mulheres cuja única função era caçar esses canalizadores masculinos, cortando sua conexão com o Um Poder ou simplesmente destruindo-os.

O que se seguiu depois disso foram 3500 anos de história que foi marcada por uma série de pequenas ascensões e inevitáveis declínios na civilização, um tempo de problemas e caos que estava em contraste marcante com a agora mítica Era das Lendas. Unidas e da própria civilização caiu, levantou-se e caiu novamente. Diversas pequenas guerras ocorreram neste tumultuado período, mas duas delas foram verdadeiramente dignas de nota:

A primeira foram as Guerras Trolloc, em que os servos de Shai’Tan tentaram destruir a civilização mais uma vez, em uma guerra não contínua que durou várias centenas de anos. Este período finalmente chegou ao fim graças a uma aliança de nações liderada pelas Aes Sedai. A segunda foi a Guerra dos Cem Anos , uma devastadora guerra civil que se seguiu à queda de um império que abrange todo o continente governado pelo Rei Supremo, Artur Hawkwing.

Nesta era conturbada e tensa, mesmo o prestígio da Aes Sedai caiu, pois as pessoas começavam a temer o poder por elas controlado, e além disso, seus números caiam exponencialmente a cada década que passava. Outro fator que contribuiu para a queda de prestígio e influência das Aes Sedai foi o surgimento de organizações como os Filhos da Luz, uma ordem militante que sustenta que todos os que se envolvem com o Um Poder, são, na verdade, servos de Shai’Tan.

Nestes tempos de incerteza, a humanidade vive sob a sombra de uma profecia que prega o retorno de Shai’Tan, e que uma vez mais, o Dragão irá renascer para enfrentá-lo, trazendo ao mundo destruição e caos no processo de tentar salvá-lo do Tenebroso.

Algo triste, mas que achei muito interessante nesta ambientação foi o fato de que as pessoas comuns por vezes têm mais medo de seu salvador do que da encarnação do mal propriamente dita, e que neste caso, não se trata apenas de superstição tola; Eras atrás, o mundo foi praticamente destruído não pelo Mal, mas pela tentativa de contê-lo. Agora, as pessoas temem porque algo parecido está para acontecer novamente.

5 comentários:

  1. Bem interessante, não conhecia. Mundos com heróis falíveis, são os melhores.

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  2. Sim, pelo pouco que li até o momento, este me pareceu mesmo um trabalho bem interessante.

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  3. Estou lendo o livro e realmente é algo totalmente fora dos padrões dos cenários mais comuns.

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  4. É mesmo. Esta história lembra um pouco O Senhor dos Anéis, o que é ótimo em minha opinião, e traz ainda muitas outras novidades interessantes dentro da ambientação.

    A única coisa que me incomoda um pouco é o nível de poder que Rand atinge na série; particularmente, gosto de heróis mais com o "pé no chão", como Aragorn, Faramir, John Snow, etc, mas ainda assim, estou gostando muito do que estou vendo até o momento.

    E apesar de meu incômodo, parece que o poder aqui sempre vem com um preço, que geralmente não se compensa pagar...

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  5. Ótimo resenha! Quanto aos livros, valem apena a leitura! Um mundo bastante complexo com cada vez mais descobertas e desafios. Há sempre uma novidade o que faz com que o livro, mesmo sendo gigantesco, não se torne enfadonho ou chato, ao contrário só melhora. O lado ruim é que a editora está super enrolada para cumprir a promessa de um livro a cada seis meses. Pelo que tenho notado ta publicando a cada um ano e meio (ou mais) o que é bastante ruim para os fãs da serie (me incluo nessa). A saída que achei foi comprar a edição completa em inglês o que tem valido muito. Inclusive acabei descobrindo que há um livreto menor (não traduzido para o português) que conta a história de Lan e Moraine antes do início do livro um "O Olho do Mundo". Também recomendo.

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