domingo, 8 de dezembro de 2013

Morte em D&D 5ª Edição

A morte D&D 5: Diferente, mas interessante.
Saudações, temerários heróis!

Trago-vos neste sombrio pergaminho informações de como funciona a morte em D&D 5ª Edição.

Quando comecei a ler sobre isso, confesso que fiquei bastante surpreso e pasmo com o que estava vendo; de início, parecia uma idéia completamente insana, que transformaria os heróis em personagens virtualmente imortais. Contudo, ao entender como o processo em sua totalidade funcionava, acabei gostando do novo sistema de morte, e explicarei por que.

Agora, um personagem só morre quando atinge um número de pontos de vida negativo igual ao seu número total de pontos de vida. Assim, um guerreiro de 20 PVs morreria quando chegasse a -20 PVs, e um guerreiro de 100 PVs morreria quando chegasse a -100 PVs. Em minha opinião, isto foi feito para que se evitasse aquela situação ridícula que víamos em níveis mais elevados, em que magias de ressurreição eram algo extremamente comum, o que banalizava muito o conceito de morte.

Louvável, mas ainda assim, se as regras parassem neste ponto, a mecânica da morte estaria muito ruim. É interessantíssimo que o número de ressurreições usadas seja drasticamente diminuído; não vemos na literatura heróis como Aragorn, Drizzt, Tannis ou mesmo Gandalf ressuscitando como se fosse uma coisa mundana. A morte deve ser vista como algo sério mesmo dentro de um RPG de fantasia, mas para que as novas regras funcionassem, seria preciso algum “mecanismo de controle” para que as coisas não fiquem inverossímeis.

Para resolver este problema, foram criados os chamados Testes de Morte. Conforme a regra, sempre que um personagem cai com pontos de vida negativos e não morreu (não importa se caiu com -1 ou -50), ele faz um Teste de Morte, que consiste na jogada de 1d20. Se o número obtido for entre 1 e 10, o personagem fica ainda mais à beira da morte. Se o resultado for de 11 a 20, ele começa uma tentativa desesperada de se estabilizar. Enquanto o personagem estiver com pontos de vida negativos, ele faz um Teste de Morte por rodada.

Se obtiver 3 sucessos, ele se estabiliza com 0 PV, e se não for curado, desperta com 1 PV em 1d4 de horas (supondo que o personagem em questão não seja novamente atacado antes de se levantar). Se obtiver 3 falhas, ele morre definitivamente. E obviamente, cada vez que um personagem tombado for atacado, considera-se que ele acumulou uma falha a mais em seus Testes de Morte; assim, ser atacado 3 vezes nesta situação implica em morte automática. As 3 falhas ou três sucessos não precisam ser consecutivos; o que vier antes define o destino do personagem.

Um outro detalhe importante na morte de D&D 5 é que quando um personagem perde de uma vez só um número igual ou superior a seus pontos de vida totais, ele morre instantaneamente, sem direito a testes de morte. Assim, um guerreiro com 90 PV que sofra 90 pontos de dano de um sopro de dragão morre instantaneamente. Se ele receber 89 pontos de dano no sopro e logo em seguida 20 pontos de dano em um ataque de garra, ele pode fazer os Testes de Morte normalmente.

A mecânica do teste de morte é muito interessante porque dá ao grupo a chance de levantar um companheiro gravemente ferido, ao mesmo tempo evitando que a mecânica da morte fique inverossímil. Mesmo que um herói épico caia semimorto e obtenha os 3 sucessos antes dos 3 fracassos no Teste de Morte, se ele for atacado enquanto está estabilizado, todo o processo começa novamente, o que torna totalmente impossível que um personagem nestas condições sobreviva caso haja inimigos por perto, não importa seu nível ou poder.

E quanto ao incômodo que é gerado por ver personagens com -50 PVs ainda terem a chance de sobreviver, acho que é válido lembrar que a idéia dos pontos de vida é na verdade uma abstração; nenhum personagem sabe se está com “-25 PV ou -50 PV”. O que se percebe, é apenas o quão ferido o personagem está ou parece estar.

Deste modo, apensar do susto inicial que tomei, gostei da nova maneira de lidar com a morte em D&D 5; apesar de pouco ortodoxa, ela ajuda a tornar ou jogo mais verossímil em níveis mais altos removendo as festas de ressurreição, e graças aos Testes de Morte, ficou realmente emocionante acompanhar se um personagem conseguirá ou não sobreviver depois de ser atingido, por exemplo, por um poderoso sopro de dragão.

Quais são vossas opiniões?

18 comentários:

  1. Vou ser extremamente chato aqui, então, por favor, me desculpe:

    Não é possível ter pontos de vida negativos. Os pontos de vida negativo a que você se refere, apenas tem papel na Morte Instantânea. Durante o ataque que deixa seu personagem com zero pontos de vida, se o dano excedente for igual o número total de seus pontos de vida ou maior, então você morre sem qualquer teste. No playtest há o seguinte exemplo: um personagem de 6 PVs recebe 18 de dano. A quantidade excedente de dano é maior do que a quantidade de pvs do personagem, o levando diretamente a morte.

    Caso a morte instantânea não ocorra (por exemplo se o personagem acima recebesse apenas 8 de dano). Os PVs permaneceriam em zero e o personagem ficaria sobre a condição INCONSCIENTE (ou seja, derrubaria todos os itens que está segurando, não poderia realizar qualquer ação, falharia automaticamente em todos os testes de Força e Destreza, e todos os ataques contra ele teriam vantagem).

    Daí em diante é exatamente como explicou, Death Rolls, 3 falhas morte, cada ataque recebido é uma falha, se tirar 1 no Death Roll é falha dupla. É possível parar os testes de morte se estabilizando o personagem com o uso de um Healer's Kit. Caso a criatura esteja estável, permanecera com Zero pontos de vida e ganhará 1 ponto de vida em 1d4 horas. Caso seja atacada após ser estabilizada por um aliado, o personagem deve realizar novos testes de morte.

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    1. Quando atacado, se o dano for igual a quantidade máxima de pvs o personagem morre imediatamente.

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    2. Salve, nobre amigo!

      Não te preocupes porque não fostes chato ou inconveniente; Eu usei a escala dos pontos de vida negativos apenas para explicar melhor o que acontecerá em D&D 5 em comparação com o que temos hoje. Como todos estão acostumados com este princípio, achei mais fácil explicar a nova mecânica para quem nunca teve contato com D&D 5 nos playtests desta forma.

      O que, de fato, me esqueci de mencionar, foi que quando se perde de uma vez um número igual ou superior a seus pontos de vida totais, ele morre instantaneamente, sem direito a testes de morte. Obrigado pelo lembrete.

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  2. Eu deixei de me importar com regras de morte hahaha.

    Na minha campanha um personagem morre se for reduzido ao mod. de CON negativo.
    O teste de estabilização é a velha porcentagem e depende do estado do personagem (role-playing).
    O dano que o personagem sofre ao falhar no teste e de quanto em quanto tempo ele precisa fazer um novo teste também depende do estado.

    Ou seja, na minha campanha, se um personagem cair pra uma adaga, ele poderá fazer um teste de estabilização só após algumas horas, tendo mais chance de ser resgatado, mas se levar uma baforada de dragão em cheio, só outro. hehe

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    1. Sim, em meu grupo tratamos a morte "a nosso modo" também, grande Jacome; levamos em conta a situação e geralmente, um personagem só morre definitivamente quando a coisa é realmente séria. Outra coisa que normalmente uso é uma variação da regra da morte por dano maciço.

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  3. Interessante, Jacome. Realmente faz bastante sentido, simplesmente relegar a qualidade do dano a possibilidade ou não de morte. Mas eu acho que é uma coisa que não funcionaria em muitas mesas. Conheço vários jogadores e mestres que se sentiriam inseguros se apenas o que definisse a morte fosse a decisão "arbitrária" do mestre (mesmo que completamente embasada, como é no seu caso). Esse é um dos motivos que eu acabo sempre seguindo com um tanto de precisão muitas das mecânicas do Core do jogo que estou mestrando, ou mesmo que sejam house-rules, eu procuro as deixar bem claro para os jogadores e repeti-las sempre que situações semelhantes ocorram. Acho que isso só referenda uma relação de confiança entre mestre e jogadores.

    Dito tudo isso: As mecânicas de morte realmente estão muito boas para um Core de Fantasia. Até melhores do que eram na terceira edição e no AD&D. Houve uma situação dentro da mesa em que o clérigo havia sido atacado por um orc durante uma batalha e recebeu um acerto decisivo (!) caindo para zero pontos de vida. O grupo era formado por um bárbaro humano, um clérigo anão das colinas, um ladrão kender e um mago alto elfo. Com o clérigo caído o grupo, incluindo o mago em uma tentativa desesperada, tentaram conter o avanço dos inimigos se colocando entre eles e o clérigo, que sem que os outros pudessem intervir, travava uma luta solitária contra a morte. Cada teste do clérigo anão era comemorado e lamentado por TODOS na mesa. Uma situação realmente tensa. Essa mecânica acrescentou, e muito, ao jogo, para mim. A única coisa que sinto falta são mecânicas de ferimentos permanentes, mas talvez seja algo presente no módulo de combate do D&D 5th.

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  4. Pois é Denilson, sou ciente que minha maneira de tratar a morte não funcionaria em muitos grupos (seja por insegurança ou devido a uma cultura de fidelidade às regras), além disso, ela também não é adequada a iniciantes. Ela é realmente uma regra pra minha mesa, já que meus jogadores são velhos companheiros e experientes rpgistas.

    Quanto a regra do D&D 5, eu nem me acho apto de comentar sobre ela, pelo fato da minha distância desse tipo abordagem,

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  5. Isto é algo importante de se lembrar; há regras, especialmente house rules, que funcionam bem em certos grupos, mas apresentariam problema em outras mesas.

    Também achei esta nova mecânica de morte a melhor já apresentada no D&D; explicarei-a a meus jogadores e com o consentimento de todos, a usarei na campanha de D&D 3 que estou mestrando atualmente.

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  6. Piada besta do dia: Essas regras são de matar! XD
    Eu gostei da dinâmica, não achei absurdo justamente porque agora tanto em baixos quanto em altos níveis o personagem tem as mesmas chaces de morrer. E usando essas regras acabamos com a "industria da ressurreição". Muitos mestres ou jogadores nunca pensaram nisso, mas imagine se uma empresa HOJE descobrisse uma forma de ressuscitar pessoas. O mundo seria um lugar bem estranho, o mesmo ocorre com as igrejas e cultos religiosos dos cenários de fantasia, pois eles teriam um poder divino nas mãos e provavelmente tomariam o poder.

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  7. Hum... realmente tens razão, nobre amigo. Sempre combati o uso indiscriminado da ressurreição em minhas campanhas, e gostei da nova mecânica pelos mesmos motivos que citastes.

    E "indústria da ressurreição" é um ótimo termo!

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  8. E "indústria da ressurreição" é um ótimo termo! XD KApoKOPAkOA pior!

    Senta que la vem história 2:
    Certa vez em uma tradicional mesa de AD&D, Eu jogava com um clérigo (poucas vezes joguei com clérigos), E o mestre nos deu uma missão épica: Explorar os infindáveis corredores de Undermountain e não era só isso, precisávamos encontrar e derrotar nosso querido amiguinho Halaster. Bom vocês devem imaginar que nada disso aconteceu, justamente porque um ou dois membros do grupo morria nas malditas armadilhas a cada sessão e o estoque de desculpas para a ressurreição do mestre tinha acabado. Então durante as orações do meu personagem fui abençoado com uma FENIX e minha divindade me explicou que eu poderia usar suas penas para ressuscitar meus colegas. XD
    Nós depenamos a bichinha e não tínhamos chegado nem na metade da dungeon. Os jogadores já muito frustrados e com vontade de jogar outra coisa resolveram conversar com o mestre, depois de uma reunião acalorada, o contrariado mestre decidiu nos tirar de undermountain. Por "acaso" encontramos um portal e adivinha onde ele nos levou?! UNDERDARK!
    Os jogadores ficaram em silencio, e eu disse: - Esmago a cabeça da fenix com meu martelo e depois cravo a adaga na minha cabeça! O mestre:- Mas porque isso? Eu: - Porque eu prefiro passar a eternidade no tártaro á continuar essa aventura.
    Voz do príncipe Adam: Hoje aprendemos que morrer pode ser uma grande vitória.

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  9. Hahahahaha, é a primeira vez que a sabedoria do príncipe Adam foi indiretamente citada nestes Salões! Sem falar na pobre da Fenix!!!

    Por teus exemplos, nobre amigo, vejo que em termos de aventuras, fostes forjado nos Campos de Batalha Infernais de Aqueronte... em meu grupo havia presenciado muitas coisas grotescas e bizarras, mas tuas histórias sempre me surpreendem e me fazer rir muito!

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    1. Nobre Odin coleciono pérolas e alguns diamantes de mesas de RPG, tanto como mestre quanto jogador. Acho que uma das piores coisa que já presenciei (e mais engraçadas) foi quando um jogador atirou o próprio sapato da cabeça de outro (que tinha feito uma besteira sem precedentes).

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  10. Hahaha, isto me lembra um dia em que um de nossos jogadores, indignado por ter perdido seu cavaleiro por causa de uma estupidez que outro jogador interpretando um bárbaro fizera, queimou a planilha do seu personagem no meio da mesa...

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  11. Hahaha, histórias muito divertidas nobres amigos.

    Se me permitem, eu também vou compartilhar uma história de uma baita sacanagem que eu fiz na minha mesa.
    Teve uma vez, que o guerreiro do grupo acabou a sessão desmaiado numa casa mal assombrada.
    Como eu sabia que o grupo ia tentar resgatá-lo, eu liguei para o jogador do guerreiro e disse que ele iria acordar com parte de seus PVs, possesso por um fantasma e que deveria atacar o grupo. Além de prometer toneladas de xp por uma boa interpretação.

    O guerreiro interpretou bem: "Buuu... saiam da minha casa e etc"
    mas o grupo ingênuo ou nervoso não se atentou que ele estava possesso.
    Eu acabei tendo de revelar a farsa antes de tentarem assassinar o jogador do guerreiro hahaha.


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  12. Hahaha, este é um exemplo de como "interpretar bem demais" pode causar problemas...

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  13. Essa mecânica é boa e usada já em outros sistemas como o Gurps. É uma boa forma de dar chance aos personagens de sobreviverem.

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  14. Se um personagem tem 13 PVs máximo, mas está com 7 por exemplo, e cai com -13 PVs é morte instantânea? se sim, por ter pego negativo igual ao seu máximo ou aos PVs que ele estava?

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