sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Bardos em D&D 5ª Edição

O bardo de D&D 5 pode ser descrito em duas palavras: Heavy Metal!
Saudações, nobres escaldos!

Trago-vos aqui informações interessantes sobre os bardos em D&D 5ª Edição.

Durante a 3ª edição de D&D o bardo ficou conhecido em muitas mesas como uma espécie de “personagem pato”; alguém que pode fazer diversas coisas, mas não faz realmente bem nenhuma delas. Apesar dos vários problemas mecânicos, o bardo era um personagem divertido de se jogar e interpretar, e todos os aventureiros apreciavam o fato de ter um bardo em seu grupo. Contudo, eram poucos os jogadores que realmente se arriscavam “a sério” nesta carreira.

Em D&D 5ª edição, isto mudou totalmente. E em minha opinião, a maior e melhor mudança que a classe sofreu foi em relação ao seu conceito. O bardo na nova encarnação de D&D deixa de lado o arquétipo do bobo da corte e “ladino de boa índole” para retornar às origens célticas da classe, de forma ainda mais nítida do que acontecia na época do AD&D. Como muitos aqui sabem, os bardos e escaldos do RPG usaram como molde os bardos nórdicos e principalmente celtas, que eram guerreiros andantes que, após um extenso e duro treinamento com sábios e experientes druidas, aprendiam a arte da magia da palavra.

Na cultura celta, os bardos eram sagazes guerreiros andantes que, viajando de cidade em cidade, aprendiam praticamente tudo sobre um povo e sobre acontecimentos potencialmente bons e ruins que poderiam se suceder em determinada região. Com perspicácia e astúcia, eles levavam a verdade por onde quer que fossem, desafiando autoridades injustas e usando os conhecimentos aprendidos com os druidas para controlar animais e curar doenças. Muitos destes bardos das lendas celtas possuíam o dom da vidência.

Na cultura nórdica, os bardos, chamados de escaldos, eram guerreiros poetas que usavam os conhecimentos obtidos com os druidas junto ao que fora aprendido no campo de batalha para despertar o melhor dentro de cada guerreiro, dentro e fora do combate. Os escaldos lutavam na linha de frente junto aos melhores guerreiros de um clã, e com suas palavras de força e coragem, tornavam guerreiros ferozes em guerreiros lendários. Eles registravam todos os feitos de um guerreiro, e conforme as lendas, registravam sempre a verdade (mentir em suas canções seria uma ofensa aos Deuses), o que lhes trazia um enorme prestígio nas comunidades nórdicas. Especialmente porque quando contavam a história de uma batalha, eles estavam sempre no meio dela, e nunca na retaguarda.

Em relação às habilidades de classe, houve também uma melhoria substancial, como podeis observar abaixo:

CONHECIMENTO DE BARDO (1º nível): Sempre que o bardo faz um teste de Inteligência, o bardo considera um valor 9 ou inferior como 10 quando o assunto está relacionado a alguma perícia de Conhecimento (arcano, religioso, natureza, história...).

PERFORMANCE DOS BARDOS (1º nível): Ao cantar, tocar um instrumento ou simplesmente usar seu poder de oratória, o bardo faz uso do poder da magia da palavra e canção. Não há limite de uso diário em relação a quantas vezes o bardo pode usar as habilidades de Performance, mas é estabelecido que o efeito de cada canção dura um máximo de 10 minutos e que para usar a habilidade novamente, o bardo precisa de um período de descanso de pelo menos 10 minutos. Outro ponto importante é que o efeito de apenas uma destas habilidades afete um alvo de uma vez. As Habilidades de Performance disponíveis no 1º nível são:

Call to Arms (Chamado das Armas): O bardo e todas as criaturas aliadas em um raio de 9 metros dele são instigados a lutar com mais tenacidade, recebendo um bônus de 1d4 em todas as suas jogadas de dano. Este bônus aumenta para 1d6 no 6º nível, 1d8 no 9º nível, 1d10 no 13º nível e 1d12 no 17º nível.

Inspire Competence (Inspirar Competência): O bardo e todas as criaturas aliadas em um raio de 9 metros dele adicionam o bônus de proficiência do bardo em todos os testes realizados com uma habilidade escolhida (Força, Destreza, Constituição...). O bardo pode alterar sua escolha de habilidade a cada rodada.

CONJURAÇÃO DE MAGIAS (2º nível): Logo no 2º nível, o bardo começa a conjurar magias. É interessante notar que o aspecto céltico da classe fica muito evidente na lista de magias do bardo, que inclui magias como: Animal Friendship, Speak with Animals, Plant Growth e outras magias druídicas. Também é interessante notar que entre as magias de bardo encontram-se magias poderosas como Raise Dead e Teleportation Circle.

EXPERTISE (3º nível): O bardo escolhe 4 de suas perícias ou instrumentos com os quais tenha proficiência e recebe um bônus de +5 em todos os testes envolvendo eles.

ATAQUE ADICIONAL (8º nível): Semelhante aos homens de armas (que recebem um ataque adicional no 5º nível), o bardo recebe um ataque adicional quando chega ao 8º nível. É interessante notar que nem mesmo clérigos ou monges recebem ataques adicionais regulares, e que o bardo é o único fora do grupo dos homens de armas que pode realizar regularmente dois ataques por rodada, sem recorrer a habilidades especiais que podem ser usadas um número limitado de vezes.

BATTLE MAGIC (11º nível): O bardo é capaz de conjurar magias de uma ação usando apenas uma swift action (não me lembro como traduziram isto para o português). Isto significa que no 11º nível, o bardo pode por exemplo realizar em uma mesma rodada 2 ataques e ainda conjurar em si mesmo a magia Cure Wounds ou Sleep em seus adversários.

MAGICAL SECRETS (20º nível): O bardo aprende 5 magias de outras classes e as conjura como se fossem magias de bardo. Estas magias devem pertencer até o 5º nível de magia (o máximo que o bardo pode normalmente conjurar).

Além de tudo isso, o bardo no 3º nível escolhe um entre dois caminhos; College of Valor, escolhido por escaldos e bardos da guerra e College of Wit, escolhido pelos bardos mais focados em obter conhecimento e em desmascarar monarcas corruptos. Isto contudo, veremos em um pergaminho futuro.

E então, nobres irmãos? O que acharam no bardo de D&D 5ª edição?

8 comentários:

  1. Os bardos realmente precisavam de uma turbinada e eu até gostei do bardo dessa edição.

    E eu concordo contigo grande Odin, o texto do bardo costuma ser mal explorado, sempre tendendo para o lado bobo da corte, mas acho que as habilidades do bardo em si, sempre foi genéricas o suficiente para deixar um jogador mais informado interpretar da forma que quisesse.

    Acho interessante mencionar que o RPG Castles & Crusades, publicado pela troll lord games, e que seria a terceira edição de D&D caso seguisse a linha de AD&D, o bardo não possui magia e sim um D10 como dado de vida.

    Eu acho que cortar a magia do bardo não é interessante, mas aumentar seu DV é. Um escaldo com d6 como dado de vida não me agrada muito.

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    1. Concordo, nobre amigo. Minha única ressalva foi em relação a isto; o escaldo deveria mesmo ter o d8 como dado de vida.

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  2. Boa-tarde meu amigo Odin!

    Nossa, o Bardo tb está retornando as origens, lembrando que o bardo de AD&D era muito bom em magias arcanas. Apesar de não ser minha classe preferida, o personagem que interpretei que mais me diverti em AD&D foi um Bardo meio-elfo. Ele era uma bardo de guerra (usava magias arcanas direto, como bola de fogo e outras), e usava as habilidades de ladrão, pois não tinha ladrão no grupo na época. Ele era ótimo em combate (magias), dava uns buff para galera e ainda me divertia muito na cidade, com ele usando suas músicas para encantar donzelas. Qdo jogava com ele, imaginava um cara tipo o zorro e nunca me diverti tanto jogando... Ele morreu heroicamente em uma batalha em que metade do grupo morreu, mas ele ficou famoso e era contado lendas dele por outros bardos nas tavernas, enquanto os outros foram esquecidos...

    Mas voltando a esse bardo, pelo que me parece, esse está tão bom em batalha quanto os bardos do AD&D, com a diferença que esse está mais parecido com homens de armas, ou seja combate direto com espadas, enquanto o do AD&D também era ótimo em batalhas, mas como função de magos...

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    1. Este retorno às origens me agradou muito também, grande amigo. E agora com a eliminação de praticamente todas as magias de buff (o que acho excelente), o bardo ficou mesmo um pouco mais voltado para o combate direto, apesar de ainda ser eficiente com magias, semelhante à época do AD&D.

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  3. ** Lembrando que amanhã será o último dia em que o playtest estará disponível para download no site da Wizards of The Coast. Então, se você ainda não deu uma olhada e está curioso, faça seu download.
    Alguns comentários sobre o Bardo:
    Ele ainda tem dois outros poderes descritos no playtest: Jack of All Trades (ganho no quinto nível, permite que o bardo adicione metade de seu bônus de proficiência aos testes de perícias que não tenha proficiência) e Countercharm (sétimo nível, esse poder de performance garante aos aliados do bardo vantagem contra serem amedrontados ou encantados).
    Minha experiência com o bardo atual em jogo é que ele é uma das classes mais poderosas do playtest, e facilmente substitui o Ladrão quando o assunto são as perícias a medida que se avançam os níveis e acaba tendo o benefício da conjuração, embora limitada. Claro que o Ladrão, como classe, ainda é tão ou mais eficiente que o Bardo naquilo que se propõe, ser furtivo, sútil e versátil, mas o bardo acaba sendo uma alternativa que supre tanto o papel de conjurador quando de ladino.
    Um dos vilões na minha campanha atual é um elfo bardo que é divertidíssimo de se jogar, embora não particularmente maligno e já tenha servido tanto como aliado como antagonista, Kithiantas do Crepúsculo é extremamente ambicioso e egoísta e suas habilidades de oratória e combate acabaram frustrando os planos dos jogadores algumas vezes durante as últimas aventuras.
    Por último, embora, para mim, o melhor bardo ainda seja o Bardo do Complete Bard’s Handbook do AD&D, que cobria uma grande gama de facetas dos menestréis; esse novo Bardo tem com certeza muito potencial a ser explorado por jogadores e mestres. E acabo curioso para saber como o Bardo vai ficar na versão impressa!

    Ps: Odin, que achou daqueles links que postei aqui anteriormente? Um dos artigos explicava bem como são os planos da equipe da WotC para o tempo em que os personagens estiverem fora de aventuras, inclusive falando sobre as propriedades, seguidores, fabricação de itens, exércitos e seguidores. Mas o que eu gostaria mesmo de ver aqui nesses Salões é uma discussão sobre os Monstros Lendários, incluindo os grandes exemplos do Dragão Verde e do Dragão Negro.

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    1. Salve, nobre amigo!

      Parece que todos concordamos que este novo bardo está muito mais interessante do que o de D&D 3, seja em seu aspecto marcial, conjurador ou mesmo ladino. Quanto aos links, estou em viagem agora, mas quando retornar, irei examiná-los e certamente teremos discussões interessantes sobre vários assuntos, inclusive sobre os temidos Monstros Lendários.

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  4. Mais um acerto critico dos designers \o/

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