quarta-feira, 25 de setembro de 2013

As Crônicas de Elgalor: O Tomo dos Cânticos Profanos (Prólogo 1)

Saudações, nobres almas!

Como havia dito em certa ocasião, estou reescrevendo meu antigo livro, trabalhando melhor o mundo, desenvolvendo mais antigos personagens e colocando na história figuras importantes que ajudaram a criar as "pedras fundamentais" do cenário.

Compartilho convosco o primeiro prólogo do novo livro, que recontará desde o início a história dos personagens apresentados anteriormente em As Crônicas de Elgalor, o Prenúncio da Tempestade.

Boa leitura.

Prólogo 1: Artanis, o Feiticeiro da Lua Negra

"Em Elgalor, pessoas como eu são conhecidas por nomes como “bruxo” ou “feiticeiro”, dada nossa habilidade inata de controlar a magia arcana. Após uma vida de perseguição e humilhação causadas por seres ignorantes e de visão limitada, meus conhecimentos sobre as artes arcanas se tornaram grandes o bastante para que eu pudesse iniciar uma busca sombria e lendária. A busca pelo Caminho das Sombras.

Contam as lendas que, nos últimos mil anos, ninguém havia encontrado o Caminho das Sombras, de modo que, para muitos, ele não passava de um mito que dava um tom mais sombrio às histórias contadas pelos bardos em noites escuras. E, de acordo com estas lendas, os poucos que eram capazes de encontrar o Caminho das Sombras morriam ou se tornavam insanos logo no início desta jornada mortal de conhecimento e poder.

Anos atrás, com a ajuda de alguns aventureiros com quem viajei durante pouco mais de três meses, quase que por mero acaso encontrei a localização de uma ilha inóspita que fora mapeada apenas pelos elfos antigos, na qual jazia um templo abandonado que dava entrada para o Caminho das Sombras. Como nossa pequena comitiva era liderada por uma paladina, não foi difícil manipulá-los para que fossem até lá comigo, sob o pretexto de evitar um mal maior. Apesar de não apreciar a companhia da paladina ou mesmo dos outros, sou obrigado a admitir que sem a proteção deles, eu jamais teria sequer colocado meus pés na ilha sem nome, pois enfrentamos muitos contratempos no caminho.

De qualquer modo, o templo abandonado havia se tornado morada de um antigo dragão negro, que meus estúpidos companheiros fizeram questão de enfrentar mesmo não havendo necessidade alguma na ocasião. Quando disse que era tolice provocar um dragão que muito provavelmente estaria hibernando pelo que tudo indicava, fui chamado de “covarde” mais de uma vez. Guiados pelo irresistível impulso de auto-sacrifício que parece ser inato em paladinos, nossa líder nos conduziu ao covil do dragão. E de fato, ele estava hibernando.

Estava.

Logo que entramos, o dragão negro despertou, e um combate desesperado - para nosso lado - se iniciou. Quando vi que a luta estava perdida, criei uma distração e fugi enquanto o restante do grupo lutava. Novamente, a palavra “covarde” foi proferida com força à medida que eu me afastava do combate, mas eu não morreria naquele momento, tão perto de alcançar meu objetivo de vida, por causa da idiotice de um grupo de tolos atrás de justiça, glória ou tesouros. Todavia, admito que lamento até hoje suas mortes.

Com dificuldade, encontrei a passagem que levava ao início do Caminho das Sombras, e sem hesitar, iniciei uma jornada de dor, escuridão, loucura e tormento. O que vi lá seria capaz de destruir e enlouquecer praticamente qualquer pessoa que eu conheça, mas apesar de meu corpo ser frágil, minha mente sempre foi forte, e eu prevaleci. No 13º dia, cheguei ao final do Caminho, já sem boa parte de minha alma, mas tendo encontrado o Poder, que apenas o verdadeiro conhecimento poderia fazer despertar.

Muitos alegam que perdi a sanidade quando deixei o Caminho das Sombras, mas é inegável o fato de que saí vivo de lá. Vivo e extremamente poderoso. Ao terminar o Caminho das Sombras, constatei que eu havia me tornado o mais poderoso feiticeiro que já viveu em Elgalor, e além disso, recebi uma espécie de “imortalidade” semelhante àquela de que os elfos desfrutam. Mas tudo isso, no entanto, foi apenas uma pequena parcela do que recebi.

Meu maior presente foi ter percebido a causa do sofrimento e restrição que prende todos os mortais deste mundo a uma vida de insignificância e ignorância: os Deuses. Nossos tão aclamados “protetores”, na verdade nos temem. Temem que um dia sejamos mais do que eles. Temem que deixemos de adorá-los. Temem que descubramos a Verdade. Temem que percebamos que não precisamos deles. Nem hoje, nem nunca.

Por conta desse temor, eles nos acariciam com dádivas e doces mentiras, como um pastor que treina seus cães para que sejam sempre submissos e agradeçam a cada dia o fato de terem alguém que esteja “cuidando” deles. Deste modo, durante Eras, os deuses nos enfraqueceram. Nos aleijaram e nos prostraram em uma posição humilhante e servil. Mas isto está prestes a mudar, pois irei libertar os mortais de seus grilhões divinos, e depois, juntos, marcharemos e destruiremos todos os Deuses.

Usando meus recém adquiridos poderes ampliados e consciência, criei uma ilha flutuante oculta, na qual o poder dos Deuses não pode ser sentido. Lá, fundei a Irmandade da Lua Negra, uma sociedade composta por indivíduos que aceitaram a sabedoria de minhas palavras. Durante décadas, aperfeiçoei-me, lutei e aprendi muito com meus erros. Percebi, por exemplo, que é impossível matar um Deus diretamente.

Mas percebi, também, que haveria outros meios de conseguir isso. Levaria séculos, mas graças a uma dádiva deixada pelo poderoso Vormav, o criador do Caminho das Sombras, isso seria possível.

Há cerca de quinze anos, descobri a existência de um artefato poderoso, esquecido e apagado pelas areias do tempo e pelos mais poderosos cleros de Elgalor. O artefato consistia de um conjunto de 3 livros intitulados Tomos dos Cânticos Profanos.  Cada um dos tomos, se aberto da forma correta, é capaz de temporariamente enfraquecer a ligação de todos os Deuses sobre nosso mundo, e deste modo, impedir que eles alimentem seus poderes às nossas custas. Quando os três Tomos estiverem abertos na ordem correta, calculo que após dois séculos, a maioria das divindades menores de Elgalor se tornará mortal e poderá ser destruída. Em cerca de meio milênio, terei condições de matar até mesmo divindades maiores como Lanto, o Deus da Luz e Narak, o Deus da Morte.

Todavia, de acordo com o que aprendi no Caminho das Sombras, Vormav foi uma divindade poderosa, que após se rebelar contra os outros deuses, foi banido dos Planos Celestiais por heresia. Essa traição tornou sua alma fria e sombria, e como consequência da escuridão de sua alma, uma vez aberto, cada tomo faz com que as noites se tornem mais longas e escuras, de forma que criaturas do além túmulo e os necromantes que as manipulam se tornem sensivelmente mais poderosos. Além disso, a arcanjos e outros seres celestiais de grande poder ficam consideravelmente mais fracos quando entram em nosso mundo, enquanto portais para os Infernos Profundos podem ser abertos com muito mais facilidade por mortais que mantêm pactos com criaturas nefastas oriundas desse plano. Lamentável, mas um preço pequeno a se pagar para enfraquecer nossos carcereiros e caminhar rumo à liberdade.

Dez anos atrás, após muitas buscas, encontrei um dos tomos, mas, para meu infortúnio, esse era o Terceiro Tomo, que só poderia ser aberto depois que os dois primeiros estivessem ativados. Durante os anos seguintes, busquei, sem sucesso, os outros dois tomos. Contudo, esse fracasso não diminuiu minha determinação. Muito pelo contrário. Eu tenho tempo, e graças aos castigos que o mundo me inflige desde meu nascimento, aprendi a inestimável lição da paciência.

Há um ano, um necromante extremamente poderoso, conhecido apenas como “Servo da Morte”, encontrou o primeiro tomo. Para minha surpresa, o tomo que ele encontrara era o Primeiro. Contudo, ele não sabia como ativá-lo, o que não foi um problema, uma vez que eu detinha este conhecimento. Sei o que o Servo da Morte pretende com a abertura do Tomo, e se ele obtiver êxito, Elgalor se tornará uma extensão do Vale dos Mortos, o plano de morte e escuridão reinado por Narak.

Quando os bardos contarem minha história, serei retratado como um dos maiores vilões deste mundo, por contribuir com um plano tão nefasto. Todavia, não permitirei que o Servo da Morte obtenha sucesso em sua busca, pois meu objetivo é devolver a força que nos foi roubada e nos libertar do julgo dos Deuses, e não colocar o mundo de joelhos perante o Deus da Morte. Mas, por hora, as ações do Servo da Morte servem a meus propósitos, e, por isso, permitirei que ele continue.


Também impedirei que o arcanjo Laguel e suas Hostes Celestes interfiram. Se for o destino do mundo ser “salvo” do mal liberado pelo Servo da Morte, que seja por meio de mãos mortais. Pelas mãos dos verdadeiros mestres deste  mundo."

16 comentários:

  1. Ficou perfeito, Odin!!! Estou ansiosa por isso!

    Artanis foi um personagem muito marcante em nossas mesas... XD

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  2. Não sei quanto à história, mas a revisão textual que fizestes realmente ficou perfeita. Muito obrigado, nobre barda!

    E sim, Artanis foi um personagem marcante neste cenário, e terá uma participação importante nesta saga.

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  3. Uma notícia incrível nestes tempos de turbulência. Não vejo a hora de ler este tomo, que promete ser ainda mais espetacular que o anterior.

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  4. Fico feliz que tenhas gostado, nobre amigo! A agradeço a ti também por todo o apoio que sempre nos deu.

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  5. A escrita está muito boa, imaginação não falta e parece que se diverte enquanto escreve, o que é otimo. A certa altura tive o sentimento de querer aprofundar ainda mais na leitura de certos capítulos.
    Quando tiver oportunidade gostava que desse uma olhadela nas minhas short stories. O renascer de uma tibo; Os três Picos
    (fazem parte de algo maior, mas por agora são só short stories)
    http://pensamento-indescoberto.blogspot.pt/search/label/Short%20Storie

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  6. Uau! Está espetacular :) Isso precisa ser lido por mais pessoas! Fico feliz com a notícia!!

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  7. Muito obrigado, nobres irmãos! Fico feliz que tenham gostado.

    Agradeço-te muito por toda a ajuda no primeiro projeto, amigo André, e certamente lerei teus trabalhos, God Zamiel.

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    1. Foi uma honra poder colaborar! E espero que agora possa colaborar divulgando lá no Meia-Lua pra Frente e Soco o que você precisar ;) Abraços

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  8. Obrigado pelo empurrãozinho Odin. Estou a começar agora. Continue se divertindo a fazer o que gosta.

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  9. Não tem de que, nobre irmão. E devo dizer que os créditos pela criação deste personagem não pertencem a mim: Foi meu cunhado que o criou e o desenvolveu. Eu apenas estou colocando o personagem dentro de uma história.

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  10. Hahaha, sim, assim como o "Penoso", Artanis voltou...

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  11. Curti a "arrogância" mortal. Inspirador!

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  12. Sim, esta arrogância mortal é a característica mais forte no feiticeiro Artanis, em sua busca pela erradicação dos deuses. E isto ainda trará muitos problemas aos mortais que vivem em Elgalor.

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