quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Paladinos clássicos: Guerreiros Sagrados e não Templários

Historicamente, Paladinos foram baseados nos cavaleiros de elite de
Carlos Magno, e representavam a epítome física e moral que um
guerreiro poderia alcançar.
“Nos curvamos a todos os deuses da luz, mas não os servimos. Honramos todos os reis justos e sábios, mas não erguemos nossas espadas em seus nomes. Lutamos com honra e justiça por tudo aquilo que é bom e correto. Lutamos para proteger todos aqueles que não podem proteger a si mesmos. A estes, servimos. Em nome destes, erguemos nossas espadas.”

- Tristan de Eredhon, comandante dos Cavaleiros do Céu no cenário Elgalor.

Saudações, nobres guerreiros!

Muitas vezes, com o passar do tempo, valores e conceitos são modificados. Às vezes, concepções são “simplificadas” e alteradas gradativamente levando uma determinada idéia a um caminho completamente diferente daquilo que ela se propunha a ser originalmente.

Semelhante ao que aconteceu nos últimos anos com os Rangers, que infelizmente passaram a ser vistos mais como uma especialização de ladinos do que como guerreiros, o conceito do paladino também foi sendo gradativamente alterado, e a classe foi transformada em algo consideravelmente diferente daquilo que se propunha a ser.

Os jogadores mais antigos que começaram a jogar com o AD&D devem se lembrar que o paladino era uma guerreiro sagrado, e não um templário. Os paladinos obviamente podiam seguir um deus em particular, mas seus poderes vinham de sua inabalável convicção nos valores da ordem e da bondade, e não de um determinado deus. O compromisso deles sempre foi com os mais fracos, e não com alguma organização religiosa.

Os paladinos de AD&D foram historicamente baseados nos cavaleiros de elite de Carlos Magno, que representavam a epítome física e moral que um guerreiro poderia almejar a chegar. Este mesmo conceito foi usado nas obras de Tolkien para descrever personagens como o rei Elendil e o príncipe Imharil.

Quanto à sua ligação com poderes divinos, os paladinos de AD&D lembram muito (e duvido que haja coincidência nesta relação) os Cavaleiros Jedi da série Star Wars; guerreiros altamente treinados que possuem uma forte conexão com uma Força Universal que representa da forma mais pura e primordial os princípios do bem, da ordem e da harmonia.

Atualmente, paladinos são vistos como templários, guerreiros a serviço de uma determinada ordem ou Igreja. Apesar do conceito do templário ser muito interessante em nossas histórias, ele não representa um bom arquétipo para paladinos por vários motivos.

Os principais, em minha concepção são: Ele distorce a essência do paladino, ao ligar a classe aos preceitos e dogmas de uma determinada Igreja, mudando de forma sutil, porém determinante, o foco das ações do paladino; o paladino luta em nome da justiça, e não em nome de um deus (nem mesmo se este for o deus da justiça).

O outro problema é que paladinos templários são praticamente idênticos a clérigos da guerra (os verdadeiros templários se observarmos a questão mais profundamente). Desta forma, um paladino templário tentaria fazer sempre com que os membros de seu grupo vissem questões importantes influenciados pelo dogma e filosofia de sua divindade. Outra característica do clérigo do grupo, e não do paladino.

Sei que muitos dos mais jovens estranharão minhas palavras e podem até julgar que não há diferença nenhuma entre o guerreiro sagrado e o templário, mas espero que este pergaminho ajude a lembrar o que o paladino realmente se propôs a ser originalmente. Assim, cada um pode refletir e decidir de que forma melhor usar a classe, seja interpretando um paladino ou usando-os em suas campanhas.

14 comentários:

  1. òtimo texto mano. Esse é um dos meus conceitos favoritos!

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  2. Muito esclarecedor, Odin. Os conceitos realmente vão mudando com o tempo. Pra melhor ou pior, dependendo de cada caso. Pra mim, usar a classe paladino como guerreiro inquebrantável ou como sacerdote combatente vai depender mais da estética do cenário.

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  3. Salve, nobres irmãos!

    Este também é um de meus conceitos favoritos, bravo Rafael.

    O papel do paladino realmente depende mais do cenário do que de qualquer coisa, grande José, e isto é algo que podemos observar em relação a todas as classes. Na minha concepção a ideia do paladino templário é um distorção, porque ele passa a cumprir um papel que na realidade não é propriamente dele.

    Na 3a edição de Forgotten Realms, principalmente nos suplementos mais "recentes", praticamente todo deus bom ou leal possui paladinos como templários, e temos a impressão errônea de que paladinos são sempre guerreiros atrelados à Igrejas, o que não é correto. Mas em última instância, cada mestre deve usar esta (e todas as outras classes) como julgar mais sensato dentro de seu cenário.

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  4. Gostei do texto, mas como fã de Star Wars devo dizer que você fez uma concepção bem errada da Força. Ela não boa e nem má, ela é a Força, muito bem explicada pelo Kenobi no epi. IV. O lado negro e o lado luminoso nascem da vontade do próprio sensitivo, se caso essa pessoa tenha pensamentos egoístas e use a força com raiva, ela terá efeitos diferentes da pessoa que a usa de uma forma moderada e controlada.

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    1. Nossa, olha esse fanboy revoltado querendo parecer sabido pra cima do Odin, mas que na verdade não passa de mais um babaca querendo aparecer.

      Jedis são paladinos sim e a força é do bem! A única diferença entre paladinos e jedis é que um tem espada laser e o outro não, agora olhe o nome do blog e para que publico ele é voltado antes de querer começar a falar sobre força, jedi e outras bobagens!

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    2. Sim amigo você esta correto , a força não é boa e não é má é simplesmente algo que emana dos seres vivos e , ao que tudo indica, do proprio universo , então não é como se ela tivesse a capacidade de ser boa ou má, afinal o conceito de bem e mal é algo puramente humano. Segundo a ordem jedi o uso da força deve ser apenas para ajudar o proximo e deve ser feito com muita sabedoria, porém ha quem discorda e começa a usar o poder que a força propicia para beneficio próprio , ai entra o chamado ''lado negro''.

      Os Jedi não são paladinos, apesar de algumas semelhanças, afinal o objetivo deles é manter a ordem da força , não fazer o bem sobre todas as coisas, eles não se envolvem, inclusive, com a politica diretamente, mas muitas vezes é necessário que aconteça para que a própria ordem seja mantida, portanto eles são apenas uma ordem que tem seus objetivos, ideais e expectativas, assim como muitas ordens no universo SW, compara-los com paladinos é uma coisa, o problema é dizer que estes são paladinos ja que estes tem muitas diferenças com os mesmos.

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  5. Não há motivos para brigar por conta disso, bravos irmãos!

    Admito que meu conhecimento sobre a Força é realmente limitado, mas sempre que li a respeito, ela era mostrada como algo benigno no sentido de Harmonia e Equilíbrio. (Semelhante à concepção de bem e mal na dourina oriental, animista e até mesmo nórdica, onde o bem é uma força que retrata o equilíbrio, e não exatamente a erradicação do mal)

    O lado negro seria uma distorção deste equilíbrio, resultado justamente de sentimentos como o medo e o ódio. Ao cultivar a sabedoria, disciplina e compaixão, você estaria mais ligado à Força, e ao cultivar o medo e o ódio, você se ligaria a esta distorção ( o Lado Negro), que cedo ou tarde destruiria seu corpo e mente.

    Se esta concepção está parcial ou totalmente errada, me desculpo com os fãs assíduos da série, mas de qualquer modo, creio que ficou clara a relação que fiz entre os Jedi e os paladinos.

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    1. A Flari falou tudo: Jedis não são Paladinos, podem ser parecidos, mas não são!

      Sua ideia da Força está parcialmente errada, Odin. Em termos de D&D a Força seria neutra e ela seria influenciada pelas pessoas, mas sempre procuraria um equilíbrio, por isso sempre a embates entre os Jedi e os Sith ao longo dos milênios. O lado obscuro da Força não é anti-natural, só parece, o que é anti-natural são os seres vivos ou lugares onde a conexão da força foi rasgada, por exemplo: os Rakatanos e os Vongs, eu iria explicar mais sobre a natureza da força, mas depois de ver o modo como você se omitiu ao cometário totalitário e preconceituoso do Warrior of Ice, eu não irei perder meu tempo tentando explicar, afinal, eu "olho o nome do blog e seu alvo".

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  6. Warrior of ice , seu comentário foi desrespeitoso e prepotente, o paladino não disse nada demais , apenas demonstrou a opinião dele com alguns argumentos, seus argumentos foram simplesmente:
    '' isso é assim por que é ''
    argumentos quase inválidos em uma discussão logica.

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  7. DarthMBN

    Concordo com Flari, Commander Shepard e o Paladino. Jedi não são paladinos, um paladino serve a ordens com objetivos diferentes, podem ser objetivos egoístas ou altruístas. Já um Jedi mantem a ordem, o que é diferente, Jedi são anti-guerra e os mesmos não gostam de lutar, só o fazem quando necessário. E a Força é neutra, e o dever de um Jedi é usa-la contra os que a usam com objetivos egoístas, mantendo assim a paz.

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  8. Hey fui dar uma olhada aqui por mero acaso.E estava até feliz por aprender sobre os paladinos saca? Até ver o "verme do gelo" que veio fazer um comentário deveras preconceituoso sobre uma série que muita gente adora.Queria ver o que aconteceria se fosse eu a vir aqui e xingar sobre AD&D falar que é um sistema de bosta que é igual ao 3D&T só com dados diferentes (reparem que casa certinho com o que ele decidiu escrever).

    Ao suposto Deus Nórdico Odin,parabéns pelo post só espero que na próxima reprima quem,sem conhecimento,ofende os demais impondo seu modo de pensar sem respeito aos demais ,são essas coisas que fazem seu blog perder credibilidade.

    Ao verme do gelo, o próprio Código Jedi fala o que você deveria aprender: Não existe Ignorância,Existe Conhecimento.E pega todo esse seu ego e..

    Paz.

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  9. Pelas minhas barbas!!! Faz tempo que não temos problemas assim por aqui...

    Irmãos, realmente não há motivo para brigas por conta disso. Sou um grande admirador dos Cavaleiros Jedi e de toda a mitologia que gira em torno do conceito da Força. Fiquei até feliz quando soube que na Austrália foi fundada uma "religião" baseada nos princípios éticos e morais que compõem esta nobre mitologia.

    Contudo, reforço que a maneira como descrevi a Força como algo positivo não foi no conceito de bem e mal usados em nosso amado D&D, mas como uma força universal ligada a EQUILÍBRIO e HARMONIA. Estes são conceitos construtivos muitos mais próximos do bem do que do mal, e por isto, tenho certa resistência em reconhecer a Força como um conceito puramente neutro. Não estou dizendo que minha visão de interpretar isto é a verdade; é apenas minha percepção pessoal sobre o tema. A Força lida com um conceito filosófico complexo, que como os fãs mais assíduos da série sabem muito melhor do que eu, não é algo simples de se entender ou definir. A concepção de Força e universo presente em Star Wars é idêntica à concepção xintoísta de universo e equilíbrio. Mas discutir a neutralidade ou "bondade" da força requereria que definíssemos muito bem o que é neutralidade e o que é bondade, e acho que uma discussão destas seria muito longa e complexa para ser feita nestes humildes Salões de guerreiros. Por isso, aceito a palavra de quem entende mais de Star Wars do que eu e os agradeço pelo esclarecimento.

    E apenas para constar: Eu não disse, em momento algum, que Jedi são paladinos; disse apenas que suas filosofias e códigos morais são muito parecidos.

    E Hell, deixemos algo claro aqui: O comentário de Warrior of Ice realmente foi feito de forma grosseira e fora de contexto, o que me surpreendeu e desagradou muito. Mas que foi respondido à altura por ti Flari e pelo guerreiro Anônimo.

    Não houve necessidade alguma de intervenção da minha parte. Hell, não sei a quanto tempo frequentas estes Salões, mas já houve brigas literalmente titânicas aqui, e sempre resolvemos isso diretamente, como guerreiros, sem que o "suposto deus nórdico" precisasse puxar orelhas ou apagar comentários como quando lidamos como crianças. Gostei muito da resposta que Flari deu; clara e direta, sem trocar ofensas ou xingamentos. Resposta digna dos guerreiros que normalmente frequentam estes Salões.

    Este acontecimento foi bom para lembrarmos algo importante, que a tempos não precisava ser dito: Todos são bem vindos para expor suas opiniões aqui, mas reforço que o façam com RESPEITO.

    Que os deuses da sabedoria estejam convosco!





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  10. Falou tudo nobre Odin!

    Tb me irrita essas modificações e achei muito bom o post. Mas me irrito mais ainda com o "Ranger Ladino" se é que me entende rsrs. Talvez por gostar da classe ou então por gostar do velho e bom Drizzt, que se alguém chamasse de ladino, com certeza iria mostrar como se luta como um bom e velho Homem de Arma e não como um ladino...

    Enfim, ótimo post. Não vou nem comentar o que falou sobre os Jedi, pois entendi sua colocação, mas infelizmente nem todos entenderam.

    Saudações do velho mundo!

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  11. Salve, nobre Eduardo!

    Concordo contigo: Estas modificações também me perturbam consideravelmente; e apesar de não gostar do paladino templário, o que mais me incomoda também é o "ranger ladino" (que os cães de Hela devorem o maldito que começou isso...).

    E fico feliz que tenhas compreendido minha colocação ao comparar Jedis a paladinos...

    Saudações do velho mundo!

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