sábado, 18 de fevereiro de 2012

As Crônicas de Elgalor Capítulo IX: A caminho do Abismo (Prólogo)

Saudações, bravos aventureiros!

Trago-vos aos Salões de Valhalla o início da continuação da série As Crônicas de Elgalor. Para aqueles que desejem conhecer mais sobre a série, recomendo que leiam o livro, que pode ser adquirido neste PORTAL, ou no Cancioneiro de Astreya.

Boa leitura, espero que apreciem.

Capítulo IX: A caminho do Abismo (Prólogo)

- Astreya... – disse Evan suavemente – eu sinto muito, mas precisamos...
- Eu sei! – interrompeu a barda de maneira ríspida, mesmo contra a própria vontade.
Evan sabia que estava pedindo demais de Astreya naquele momento. Por conta disso, o paladino optou por dar um pouco mais de tempo para a amiga.
- Estarei lá em baixo com os outros – disse Evan saindo do quarto do rei e fechando a porta.
- Eu vou descer e dizer que você não vai – disse Meliann à Astreya, percebendo que a meio elfa olhava de forma atônita para seu amado que jazia inconsciente na cama – Vou pedir que um grupo de rangers e magos da guerra de Sindhar acompanhem seus amigos em seu lugar.
- Não é preciso, Meliann – disse Astreya retirando um belo punhal dourado de seu cinto.
- Você não quer ir – retrucou a princesa – e ninguém tem direito de obrigá-la ou mesmo de lhe pedir isso.
- Não, eu não quero – disse Astreya cortando uma mecha de seus cabelos negros e cacheados – Mas...
- “Mas...” – disse Meliann.
- Coran já sacrificou muito por conta de seu reino e de seus deveres – respondeu Astreya – por mais que eu queira ficar ao lado dele, teria vergonha de permanecer aqui em segurança enquanto meus amigos enfrentam a morte. Ele jamais deixaria suas responsabilidades sabendo que não poderia fazer nada por mim se a situação fosse o inverso. Preciso honrar o homem que amo...
- Meus soldados farão mais diferença onde seus amigos forem do que você, Astreya – disse Meliann tentando persuadir a meio elfa – Fique com ele!
- Durante minhas viagens – respondeu Astreya enquanto enrolava sua mecha de cabelo em um delicado fio de seda púrpura que amarrava seus cabelos – aprendi que em certas ocasiões, não precisamos ter cem homens, apenas um único homem que seja o homem correto. O Senhor dos Ventos pediu pela presença de meu grupo, e não pelos soldados de Sírhion ou Sindhar. Eu preciso ir.

Dito isso, Astreya colocou a mecha de cabelo dentro da camisa de Coran e deu um suave e carinhoso beijo nos lábios do rei. Meliann sorriu e se retirou do quarto, deixando Astreya e Coran a sós. “Admiro seu amor e sua fé” pensou a princesa de Sindhar ao se retirar.

Astreya deitou a cabeça no peito de Coran e chorou por cerca de dez minutos. Depois, foi até sue próprio quarto, lavou o rosto, vestiu sua cota de malha e seu manto de cor violeta e desceu até o Salão de Guerra de Sírhion.

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O Salão de Guerra de Sírhion era um espaço amplo, de paredes belamente adornadas com mármore, aço e prata. Bandeiras e brasões de clãs élficos estavam espalhados de forma ordenada por todas as paredes e janelas do salão, conferindo a ele um forte ar de imponência e austeridade. No centro, havia uma única mesa redonda feita de carvalho e mármore, com nove assentos exatamente iguais.

Em um dos assentos estava o Senhor dos Ventos, usando um longo manto cor de areia, e seus longos cabelos e barba brancos amarrados com finos anéis de cobres. Do seu lado direito estava Evan, já vestindo sua armadura de batalha azul e prateada. Do lado esquerdo estava o anão Hargor, também equipado com sua armadura de batalha cinzenta. Ao lado de Hargor estava Oyama, completamente suado devido ao treinamento árduo que terminara a pouco tempo atrás. Sentado ao lado do monge estava a bárbara Bulma, que olhava impacientemente para a lâmina de seu enorme machado. Ao lado da meio orc estava Thamior, alto clérigo de Sirhion, usando seus trajes cerimoniais. Distante de todos, estava o mago Aramil, usando seu manto verde esmeralda e seu cajado dourado.
- Porque ela está demorando tanto... – disse Oyama coçando a barba desgrenhada – será que podemos pelo menos pedir para uma elfas trazerem umas cervejas?
- Você não está em uma taverna de cidade de porto, Oyama – disse Aramil já tremendamente irritado com a demora de Astreya e com a falta de modos do monge – Na verdade, por que você não nos espera no estábulo ou no curral? Prometo que lhe compro um barril de cerveja se tirar este seu cheiro maldito de perto do meu nariz.
- Parem com isso vocês dois! - disse Evan – A propósito, onde está Tallin, Aramil?
- Bheleg a convocou – respondeu o mago – Ela faz parte de uma força especial de Sindhar, e aparentemente, Bheleg está reunindo os melhores soldados de sua tropa de elite para uma missão.
- Vou sentir falta dela... – disse Oyama com um leve sorriso.
- Tallin não era nenhum modelo a ser seguido – respondeu Aramil já imaginando o que passava pela mente de Oyama – mas ela só tocaria em uma... criatura como você para livrá-lo de suas poucas peças de prata, monge tolo.
-Tudo bem – gargalhou Oyama – considerando que eu guardo minhas economias no...

- Desculpem o atraso – interrompeu Astreya sem se dar conta da conversa em curso – Saudações, Senhor dos Ventos. Saudações, meus amigos.
- Você chegou em boa hora... – disse Thamior olhando para Oyama e Aramil – como está o rei?
- Adormecido – respondeu a barda ainda abatida ao sentar-se à mesa.

Neste momento, o Senhor dos Ventos curvou sua cabeça por um momento em um gesto de respeito pela situação do rei, e quando viu que Astreya estava prestes a falar algo, interrompeu-a dizendo:
- Farei o possível pelo nobre rei Coran. Prometo que irei descobrir o que está acontecendo com ele e como reverter a situação, dedicada barda. Peço-lhe perdão, mas agora precisamos tratar de outro assunto, pois nosso tempo é curto.
Astreya assentiu com a cabeça, e por alguma razão, as palavras do Senhor dos Ventos lhe trouxeram uma grande paz e alívio, ao menos naquele instante.

- Como sabem – disse o Senhor dos Ventos - o Rei Dragão despertou nas Terras Sombrias, e mesmo sem seu poder total, é uma ameaça tremendamente perigosa para nossos povos. Certamente, a maior que enfrentamos nos últimos 500 anos.
- O que exatamente é o Rei Dragão, Senhor dos Ventos?  -perguntou Evan.
- Uma criatura profana, nativa da última camada do inferno – explicou o Senhor dos Ventos – metade arqui-diabo, metade dragão vermelho. Após uma terrível batalha de mais de três dias e três noites, ele havia sido morto por um dragão dourado grande ancião chamado Mycen. Ao final do confronto, Mycen sacrificou sua vida para aprisionar a alma do Rei Dragão nas profundezas do Limbo.
- De alguma forma – continuou o Senhor dos Ventos – talvez, através da intervenção do próprio deus dos orcs, a alma do Rei Dragão despertou e conseguiu se libertar de sua prisão no limbo. Com a ajuda de diversos clérigos negros e dragões que o servem, conseguiu também assumir uma forma material enfraquecida em nosso mundo.
- Se a forma material enfraquecida dele foi capaz de matar o rei Balderk – disse Hargor – precisamos liquidá-lo antes que assuma seu poder total.
- E quanto tempo exatamente temos para isso? – Perguntou Astreya ao Senhor dos Ventos.
- Seis meses no máximo - respondeu o sábio – durante este tempo, ele provavelmente permanecerá em sua fortaleza oculta nas Terras Sombrias, acumulando energia e se recuperando, obviamente protegido por seus servos mais poderosos.
- Porém, - continuou o Senhor dos Ventos - neste meio tempo, ele está reunindo um exército avassalador nas Terras Sombrias, que sob seu estandarte, marchará sobre o reino de Kamaro e em seguida, varrerá toda Elgalor.
- Você não nos chamou aqui para lidar com o exército dele – disse Aramil com frieza na voz – o que exatamente quer de nós desta vez?
- Está certo, nobre Aramil  - respondeu o Senhor dos Ventos ignorando o tom arrogante do mago - chamei-os aqui para outra missão. Os grandes reis e generais dos povos livres irão lidar com o exército de orcs, dragões e abominações do Rei Dragão.

- Vocês... – disse o Senhor dos Ventos em um tom sério e preocupado enquanto se levantava - empreenderão uma busca muito mais importante. Uma contenda que, sem exagero, definirá o destino de toda nossa existência...

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