quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Escaldos de Midgard: Canto do Norte

Saudações, nobres almas!

Para provar que somos mais do que ferozes guerreiros cujas mãos vivem entre o machado e a caneca de hidromel, segue um belo poema feito por um de nossos saudosos irmãos, um escaldo profissional de Midgard que inclusive aceita encomendas de trabalhos literários.


Por Rodrigo L. Mingori (rodrigomingori@hotmail.com)




Canto do Norte

À aurora canto em hora a Havler.
À ultima estrela da manhã canto as histórias de Havler.

Olhar frio, tez branca, barba cinza.
Nas noites do norte
Envolto em peles rubras e espessas
Vagava com sua solidão.

Poucos foram
Os bravos e desavisados
Que fitaram defronte seus olhos
Cristalinos como gelo milenar.

Mas todos sabem de suas vitórias
Portanto à aurora canto em hora a Havler.
A ultima estrela da manhã canto as histórias de Havler.

Viajante nórdico sem morada
Caçava abaixo de nevasca.
Seu instinto,
Acendido pelo fel do vento
Açoitando-lhe o rosto.
Sangrava animais no apocalipse de gelo.
Aclamado em todas as vilas perdidas do mundo.
Dizia apenas uma palavra “Comam”

Era filho das nuvens e da terra.
E tinha nas mãos um martelo
Feito de pedaços da Yggdrasil,
Trazia vida aos confins da terra.
Nos invernos implacáveis
Era a esperança encarnada.
Cidades inteiras
Lavavam seu solo de lágrimas
Ao vê-lo chegar com a caça.
Muitas lágrimas brotadas
De duros corações
Caiam ao solo já congeladas.

Era o guerreiro dos deuses
Contra o flagelo da fome
Negra e sombria esmagando
O estômago dos fracos.

Olhava, Havler, para os seus
Por cima de seus três metros com igualdade.

Cantemos ao guerreiro dos homens, Havler!
Primogênito alvo das Nuvens
Forte filho da terra
Portador do martelo da vida
Esperança encarnada, cantemos!

Mas a morte sentiu raiva
Da esperança que vagava
Por entre os invernos.
Escondido nas nevascas brancas.
Alvo, camuflado.
Ouvindo por semanas
Apenas o farfalhar de gelo sob seus pés
E o zumbir do vento.

Mas a morte sentiu inveja
Da esperança que vagava
Por entre os invernos.
Pois os homens agora
Enfrentavam-na em seus corações
E não mais temiam como antes.
E castigou os povos com severos tempos
De seca, peste e tristeza.
E o castigo dos homens era a glória de Havler.
Pois em sua chegada,
Mais alto soavam os cantos em seu nome.

Recorreu, a morte, aos demais deuses
Dizendo ser enfrentada por
Um mero homem com um martelo e com solidão.
E os deuses pouco ouviram a morte.

E a morte odiou
A esperança que vagava
Por entre os invernos.
Até ter uma terrível idéia.
Já que não pode vencer o homem
Portador do martelo.
Persuadiu a solidão a aprisioná-lo.
E assim ela o fez.

Havlar, a esperança encarnada.
Foi preso pela solidão
Outrora sua companheira
Hoje sua algoz
Levou-o para o alvorecer
E lá o mantém refém.

Por isso cantemos à aurora
Pois lá é a moradia solitária
De Havler, a esperança encarnada.

***

5 comentários:

  1. Que belo trabalho. Da vontade de usa-lo em algum jogo.

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  2. Muito bonito mesmo, admiro muito quem consegue escrever poemas.

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  3. Realmente, este é um trabalho concebido por um verdadeiro profissional.

    Meus parabéns, nobre Rodrigo!

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  4. Rodrigo L. Mingori6 de outubro de 2011 15:11

    Obrigado. Então J. Neves, pode usar. ^^
    Se quiser algo específico a gente pode conversar, também.
    ^^

    Sinto-me honrado com vossas palavras.

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  5. Leonardo Viera Andrade6 de outubro de 2011 18:09

    Muito Bom, Rodrigo!!!

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