quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Escaldos de Midgard: À Batalha (parte 3)

Saudações, nobres filhos de Asgard!
Com grande satisfação trago-vos a terceira e última parte do grandioso poema feito por nosso mais novo irmão Rodrigo Mingori.

Boa leitura!







"Salto sobre as lanças da falange...
... Ataco!

Jugular, costelas, intestino. Três caíram.

Sinto o rosto rubro de sangue
A chuva não é capaz de lavá-lo

Meus homens bradam e dilaceram as defesas despreparadas do inimigo
O festim do sangue!

Cravo meu escudo às costas abertas de alguém

Pescoço, braço direito e esquerdo. Mais dois.
Abro a carne do inimigo rápida e ferozmente

Guarda baixa! Num só golpe transversal talho o tórax de um soldado.

O sangue deles é amargo!

São fracos, como eu esperava.

“Vamos homens! Façam suas cabeças rolarem a nossos pés!”

Nuca, antebraço, nádegas e espinha, pulmão! Quatro!
Escudo, escudo, peito! Outro!
Minhas mãos brilham com sangue inimigo como rubi!

Sua tática é antiquada. A nossa? Brutal!

Vejo a cavalaria atacar os flancos.
Abriu-se uma brecha!

“Vamos ao portão! Ao portão!”

E depois para a glória final!

Sor
À lua

Teremos muitas baixas
Os que perecerem serão recompensados nos céus!
Nossa falange é fraca, não agüentará, são muitos!

Urros! Trombetas! E tudo se torna fugaz.

Preparo a flecha elevo o arco à lua.
“Fogo!”
Minha flecha perde-se
Fundindo-se às demais.
Sinto um prazer repentino.
Sangue ao chão!
Arrepio-me.

Seus escudos são perspicazes, contudo muitos ficaram!

Não podemos perder tempo, quanto mais eficazes agora, menores nossas baixas.
Arco à lua.
Mais uma massa de flechas silenciosas move-se através da noite.
Vêm ao encontro de nossas defesas.
Dará tempo para mais um ataque antes que a primeira linha nos atinja?
“Fogo!”
Outro arrepio. Mais um cadáver.

Ouço o tilintar de suas flechas ao meu redor.
Pegam-nos de surpresa.
Mas nossa posição nos dá vantagem. Não vejo baixas aqui.
Agora o exército em movimento, as linhas mais retardatárias.
Muitos caem. Ótimo!

Um companheiro fora atingido logo ao meu lado.

Arco à lua, prender a respiração.
“Fogo!”
Lua! Guie minha flecha, guie minhas mãos. Suplico-lhe!

Tosses engasgadas, rápidos gritos de dor ecoam nas torres.

Movimentação na vila atrás dos portões.
Os espadachins se preparam,
Vejo de cima, suas armaduras brilhantes e onduladas
Introspectivos fitam o portão, que treme num estrondo.
Desembainham suas espadas.
O inimigo vai entrar, logo estarão aqui.
Medo.

Illáh
O desespero

A batalha começou lá fora
Desesperos aqui.
O grito de nossos homens sacudiu-nos
Logo após intensa movimentação.
Que os deuses acompanhem nossos guerreiros
E que olhem por nós.

...

Crianças, mulheres e velhas choram.
Os mais velhos reúnem-se perto da pedra de entrada
Debatem nosso destino.
Estão amedrontados. Nós, mais.

...

Não posso ouvi-los conversando.
Não sabemos como estamos indo lá fora
Os sons de uma batalha sangrenta empesteiam o ar
Barulhos secos, de metal, gritos!

Outro som seco ganha o ambiente. Um velho chora.
A reunião acaba. Não decidem nada.
Retiram-se novamente a seus lugares de origem mais abatidos

Outro som forte! Indescritível, nunca ouvira isso!
Estamos perdidos!
Decido vasculhar caverna adentro.
Que os deuses me guiem.

Tacxius
Um inimigo

A noite grita alucinada os sons da guerra
Os deuses descem dos céus e se aproximam para ver
Trovões singram o firmamento
É difícil respirar o ar repleto de almas frescas
Abutres acordam cheirando sangue a léguas
Um tapete de cadáveres se estende

As víboras se afastam atordoadas
Ao som seco do aríete de encontro ao portão!
Ouço ao fundo do baque um sussurro:
Glória!

As muralhas a leste tremem...
A catapulta!

Meus pulmões inflam extensivamente
Minha voz verte de minha alma
Com um urro atordoante
Brado de prazer!"

2 comentários:

  1. Isso virou um épico. Preciso ler os três juntos.

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  2. Rodrigo L. Mingori31 de outubro de 2011 23:15

    E tem mais, continua. ^^

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