quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Escaldos de Midgard: À Batalha (parte 2)

Saudações, nobres filhos de Asgard!
Com grande satisfação trago-vos a primeira parte do grandioso poema feito por nosso mais novo irmão Rodrigo Mingori.
Boa leitura!








À BATALHA

Por Rodrigo L. Mingori (rodrigomingori@hotmail.com)


Illáh
Às cavernas do temor

O cheiro doce da terra na primavera
A chuva a molhar o bronze das armaduras
As gotas desenham as faces rudes de nossos guerreiros
O céu chora prevendo massacre
O silêncio soa estridente aos ouvidos
A impaciência do destino traça trovões pelos céus

Rumamos às cavernas ao pé da montanha leste
Sem saber se veremos luz novamente
O inimigo humilhado é impiedoso
Pagaremos nossa presunção

O ar é denso, maciço de pesar
As rochas frias sorvem toda esperança
Nossas lágrimas secaram
E um terror profundo assola os espíritos

Tento em vão recordar dos campos secos de trigo ao norte
Para sair da úmida fissura que nos serve de abrigo
Mas só a convicção da memória me vem à cabeça
Nenhuma imagem.
Fecho os olhos
Só treva

Ouço um compasso longínquo de pés contra o solo
Aproximam-se sem pressa
O tempo está findando
Agora não demorará muito

Agarro meus joelhos
Aperto-os contra o peito
A chuva maltrata a pedra na entrada
A terra vibra impetuosa, viva sob nós

O terror congelou o tempo
Será uma noite longa
Talvez a mais longa
Só o sol trará novamente a esperança
E sublimará o sangue derramado

Sor
O início

A lua escondeu-se sobre as nuvens
Evitou fitar o sangue de seus filhos
As hordas negras se espalham sobre as terras
Seguem cobrindo os campos até o horizonte

Como será o amanhã?

Já estão sob meu alcance
Levarei dúzias comigo
Lutaremos!

Tacxius
O gosto do sangue

Suas torres são estupendas
As edificações imperativas
Feitas com suor escravo
Usurpadores, ladrões, covardes!
Hoje seu sangue escorrerá entre essas pedras
E seu reino definhará

Postamo-nos diante deles
Lutaremos pela liberdade
Lutaremos pela honra

Formamos uma só alma
Com um só desejo
Num só movimento

Sinto meus irmãos comigo
Não estou só
O medo de cada homem transpassa meus sentidos
E a coragem de cada um é minha também
Nossas hordas estão prontas
Ao fundo da minha alma sinto frio
Excitação
Ansiedade
Configuro meus pensamentos, meu corpo, para um único fim:
Trucidar

Nosso objetivo é claro
Fazer sangrar
Carrego a força de meu mestre, meu pai, meu povo!

Ouço o urro dos inimigos
Gritando tresloucados a bater em seus escudos
Som perturbador
Meu espírito treme
O tempo pára
Tudo se resume nesse instante:
Meu passado, meu futuro
A história de nossa linhagem

Vai começar!

Baixo os olhos parra a terra
Enquanto sons de trombetas mis rasgam o ar
A respiração de dez mil homens ao meu lado se transforma
Agora são farfalhadas rápidas como caninas, somos predadores

Levanto os olhos e vejo-os novamente
Os raios no horizonte foram cobertos por uma nuvem intensa de flechas
Escudos são erguidos aos céus
Não ouço mais, minhas forças vitais migraram a meus braços
Sinto a coragem de dez homens correndo em minhas veias
Levanto a espada apontando para o inimigo
Meus irmãos, meus eus! Atacam.
Gritam, avançam de encontro ao inimigo

Vou-me em meio deles curvado como um animal
Mais flechas.
Ergo o escudo que é alvejado por duas delas.

Chuto a terra ganhando impulso como um lobo
Cada vez mais me aproximando de minhas presas
Posso ver o rosto deles
Cheiro no ar seu medo,
O doce aroma enche minhas narinas
Minh’alma se excita
Meus companheiros riem loucamente
Mais flechas.
Vejo seis travadas em meu escudo.

Minha armadura perdeu o peso

Já posso pegá-los

4 comentários:

  1. Existe um certo ciclo na obra, não? Muito bacana mesmo.

    "Minha armadura perdeu o peso. Já posso pega-los".

    Foi um excelente final. Me fez mostrar os dentes.

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  2. Realmente, os trabalhos do nobre Rodrigo são verdadeiras obras-primas.

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  3. Sim J Neves IV é uma continuação.
    Um épico tem quase 40 páginas. ^^
    Está só no começo! Logo, logo o sangue voará forte!

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