sábado, 17 de setembro de 2011

Guerra nos Nove Mundos: Um romance de Jaco Galtran

Saudações, nobres almas!

Sob o título de Guerra nos Nove Mundos, nosso nobre irmão e talentoso escaldo Jaco Galtran, nos traz o primeiro romance ambientado nos Nove Mundos. Trata-se de um pequeno livro que será publicado em PDF sob o selo da Asgard Legends, e disponibilizado em breve na REDBOX editora.

Para vossa apreciação, trago aqui o início desta grandiosa saga...

“Muito antes da tragédia que fez os deuses serem esquecidos, eles já haviam esquecido aquele lugar. Perdido em meio a um complexo de túneis subterrâneos, guardado por desafios impensáveis e localizado na encruzilhada de um grande número de cavernas do submundo, aquele era o local conhecido como Ruínas de Derhistardaravv.

As paredes daquelas ruínas em nada lembravam os imponentes impérios anões esculpidos na pedra com precisão milimétrica. Parecia mais o interior da garganta de um demônio, com estalactites e estalagmites lembrando presas, poças de ácido fazendo o papel de saliva nauseante e o chão esponjoso assemelhando-se a uma língua.

A origem daquelas ruínas e quem foram seus primeiros habitantes era algo que ninguém sabia. Os escaldos sentiam-se muito à vontade para mexer com a imaginação de seus ouvintes apresentando lendas fantasiosas sobre uma terrível batalha naquelas ruínas, que teria sido a responsável pelo início da tragédia indizível que veio a ficar conhecida como Ragnarok. Isso, de certa forma, contribuiu para tornar aquele um local mítico, pois ninguém tinha certeza de sua existência, ninguém sabia onde ficava, mas todos sabiam que algo importante havia de fato ocorrido lá.

Entretanto, em meio às densas florestas que ocupavam porções significativas de Midgard, escaldos élficos sussurravam entre si uma versão menos poética e bem mais verossímil sobre a origem daquelas ruínas.

Conta-se que aquele lugar maldito era o lar dos pérfidos elfos negros, que, na ocasião, estavam em guerra com os elfos da luz. Em dado momento, os elfos negros teriam conseguido através de manipulações insidiosas e maquinações torpes seqüestrar a princesa dos elfos da luz. Isso teria, segundo a lenda, gerado uma mobilização total naquele povo, resultando em uma investida desesperada em busca do resgate da linda jovem. Teria ocorrido, então, um confronto de proporções épicas, digno de ser cantado pelos escaldos até o fim dos tempos. E apesar da derrota dos elfos negros ao fim da batalha, os assassinos já tinham enforcado a princesa dias antes.

Essa trágica lenda, como tantas outras, nunca chegou aos ouvidos de membros de outras raças, fazendo parte apenas da cultura élfica. Nem mesmo entre os elfos da luz havia uma unanimidade sobre a veracidade da história. Se fosse verdadeira, aquelas ruínas seriam um local de profunda tristeza para o povo élfico.

E provavelmente fosse mesmo, pois naquela noite sem lua, naquelas ruínas, um elfo chorava.

***

Lyraan era jovem para os padrões de sua raça. Seus traços faciais delicados sugeriam até que fosse mais novo do que era de fato. Tinha o hábito de deixar escorrer pelo rosto parte do vasto cabelo verde-azulado justamente para não ser alvo de anedotas por parte de seus amigos. A não preocupação com a aparência refletia também na maneira desajeitada com que os pequenos pedaços de armadura se conectavam à sua túnica bege. O sabre e a flauta ficavam presos a um cinto também desleixadamente afivelado. Era comum que ambas caíssem quando Lyraan corria.

Ele derramava lágrimas tímidas. Era difícil não ficar triste em um local como aquele. Os poucos sons que se ouvia era o das poças de ácido borbulhando e lançando-se ao teto em explosões ocasionais. E, claro, os passos de alguém que Lyraan já imaginava quem era.

- Por que me seguiu até aqui?

Ver Taashya era sempre uma experiência atordoante. Sua beleza ia além dos limites de tudo que Lyraan já tinha visto, ouvido ou imaginado. O rosto dela era tão sublime que parecia ter sido desenhado à mão pelos deuses antigos. Seu longo cabelo castanho-amarronzado escorria até muito abaixo da altura do ombro, como se tivesse vida própria. Cintura torneada, corpo calipígio, seios fartos e um sorriso que misturava pureza e volúpia.

Lyraan ficou estático olhando para ela. Aguardava uma resposta para sua pergunta, mas estava tão atarantado com tanta beleza, que se tivesse recebido uma resposta, nem a teria ouvido. Taashya era uma maga habilidosa e por muitas vezes Lyraan perguntou-se se todo aquele fascínio provocado pela beleza dela não seria fruto de alguma ilusão arcana. Mas não era.

- Não pensei que soubesse da existência desse lugar – ele disse, recompondo-se – Sou um escaldo e conheço a lenda sobre essas ruínas, mas você não deveria conhecer.

- Sou maga – ela respondeu – e conheço segredos muito mais impressionantes que as mais fantasiosas histórias que você já contou em sua vida.

Os dois trocaram sorrisos. Taashya aproximou-se e preparou-se para sentar no chão gosmento, quando Lyraan prontamente rasgou um pedaço considerável de suas vestes e estendeu sobre o chão para que sua colega sentasse. Era difícil não ser servil diante de uma mulher tão linda.

- Você veio aqui atrás de um novo local para sediar seu próximo épico? – Taashya brincou – Isso aqui pode desabar a qualquer momento – ela disse, apontando para duas estalactites caindo.

- Você conhece segredos mais impressionantes do que as histórias que eu conto, e mesmo assim não conhece os motivos que me fizeram vir até aqui?

- Na verdade, eu sei. Esperava que você me contasse, Lyraan. Que você desabafasse. Você conhece a lenda sobre essas ruínas e não conhece minha mania de tentar ajudar os amigos?

Ele sorriu. Por um momento, fitou Taashya e teve dificuldade em responder. Mesmo sentada no chão imundo sobre vestes rasgadas, ela parecia uma rainha sentada em seu trono. O cajado que ela segurava parecia um cetro real. Lyraan teve que fazer força para não cair de joelhos diante da beleza dela.

- Eu sei por que você está aqui, Lyraan – ela o surpreendeu – Você veio aqui porque quer morrer...”

7 comentários:

  1. parabéns parabéns hoje é o seu dia seu dia mais feliz parabéns parabéns...
    sempre quis cantar isso

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  2. Esse é o tipo de notícia que me deixa feliz. Um complemente destes sempre torna o cenário mais rico e o cara escreve bem para caramba, fiquei até com vergonha dos meus rabiscos. Odin, a estória tratada no livro será oficial no cânone do cenário?

    Parabéns!

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  3. Sim, será, nobre J. Neves IV!

    E não há necessidade nenhuma de sentir vergonha de teus trabalhos, pois tu escreves muito bem. Mas concordo contigo: Jaco Galtran é realmente um escritor fenomenal.

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  4. Nossa, esta história parece mesmo bem legal! Só fiquei me sentindo um troll das cavernas perto da Taashya, mas já passa :)

    Parabéns ao senhor Jaco Galtran!!!!

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  5. Excelente trabalho...

    Realmente um grande escritor esse Jacó Galtran =D...

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  6. A história está ótima mesmo. Li um pouco mais e posso dizer que está muito instigante... E não foste apenas tu que te sentistes um troll das cavernas em frente a escultural Taashya, nobre Amanda, hehehehe!

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