sábado, 3 de setembro de 2011

Escaldos de Midgard: As Crônicas do Caçador - Capítulo 2

Crônicas do Caçador – Capítulo 2: O Olhar da Besta

- Por Leonardo Vieira

A Floresta de Celadon é conhecida pelo clima ameno mesmo no mais gelado inverno ou no verão mais infernal. Muitas espécies de animais e plantas podem ser encontradas nas matas, provendo alimento, lenha e outros recursos para a sobrevivência de diversos povoados ao redor da floresta. Mas a floresta também esconde grandes perigos como leões, ursos, cobras e plantas venenosas e outras seres ainda mais perigosos.

O perigo é ainda maior ao sul da floresta, na fronteira com o Pântano dos Mosquitos. As profundezas dos charcos desse pântano são infestadas de trolls, goblinoides, orcs e outros seres malignos, e às vezes eles se aventuravam na floresta ao norte para saquear os povoados e sítios em busca de ouro, escravos e comida. E depois de ter comprido esse objetivo, um pequeno bando de cinco orcs voltava para sua tribo nos charcos.

- Estamos correndo o dia inteiro! Quanto tempo falta até chegarmos à aldeia, Toruk? – perguntou um orc de aparência jovem e gutural no horrível idioma da sua raça enquanto seguia o líder, e arrastava uma pequena garota humana que deveria ter no máximo catorze anos.

- Vai saber quando chegarmos lá, paspalho – respondeu Toruk de forma agressiva fazendo com que o jovem orc se calasse. Toruk era o líder daquele pequeno bando, usava uma cota de malha e um machado de duas mãos que tomara de um anão que matou há alguns anos.

- Estão nos seguindo – falou um orc caolho de aparência extremamente velha, mas robusta. Usava uma armadura completa de cor negra-ferrugem e portava uma lança de aparência assustadora.

- Seu pessimismo ainda vai te matar, Gronz – disse Toruk enquanto olhava para trás para ver como o bando estava.

- Pelo contrario, garoto! É esse pessimismo que mantém vivo – o velho orc cuspiu enquanto olhava os arredores com o único olho são em busca de algum perigo que sentia, mas não via – estamos sendo observados.

Toruk conhecia Gronz desde que era pequeno e sabia que o velho clérigo era taciturno e paranóico ao extremo, no entanto admitia que era essa paranóia (aliada a um braço forte) que manteve o velho orc vivo por todo esse tempo. Só que dessa vez o clérigo estava mais arisco do que nunca.

- Pode ser que estejam nos seguindo, mas não fará diferença alguma! Já estamos perto do pântano - disse o líder enquanto aumentava o ritmo da marcha só por precaução.

- Talvez estejam atrás da fedelha e não parem de nos seguir dessa vez - grunhiu outro orc do bando.

- Só que esses humanos covardes não irão nos seguir nos charcos – Toruk respondeu num tom que não admitia mais indagações sobre esse assunto enquanto lançava um olhar horrendo para a garota – Se vierem atrás de nós será melhor! Vai ter mais carne macia para devorar.

- Ela não será alimento de nenhum de vocês, cães – vociferou o velho Gronz – Ela será um sacrifício para Gruumsh, e juro pelo meu olho perdido que se algum de vocês encostarem suas patas virulentas nela vão acabar com as cabeças fincadas em lanças e com os corpos em caldeirões fumegantes!

A ameaça fez com que a maioria dos orcs se aquietasse, mas Toruk não admitira que seu comando fosse questionado e logo começou uma acalorada discussão com o clérigo.

Sabine sempre foi uma garota inteligente e tinha uma vida feliz, mas tudo mudou quando os orcs atacaram o sitio de sua família na calada da noite matando os seus pais e a raptando-a. Ela sabia que teria uma morte horrível se continuasse com eles e então começou a planejar uma fuga, e graças à discussão entre os dois orcs que pareciam ser os lideres do bando, os outros pararam de reparar nela, e logo ela saiu em disparada.

- A menina ta escapando! Atrás dela cães – Toruk gritava enlouquecido apontando para a garota que quase desaparecia nas matas.

- Vou cortar as pernas dessa vadiazinha – gritou o orc que tinha o dever de vigiar a garota e saiu correndo atrás dela desaparecendo nas folhagens sendo seguido de longe pelo resto do bando.

- Espero que esse verme não machuque a garota. Ela deve estar intacta para o sacrifício – vociferou Gornz enquanto corria para dentro da mata.

- Se ele não a machucar eu mesm... – Toruk começou a dizer quando ouviu um horrendo grito de dor e agonia do orc que foi a frente para pegar a garota.

- Demônios de Gruumsh! Eu sabia que estávamos sendo seguidos – gritou o velho clérigo enquanto todos no bando corriam mais rápido para ver o que tinha acontecido.

Toruk rapidamente achou a garota rastejando no chão encharcada com sangue negro do companheiro, mas ela não portava nenhuma arma e estava muito assustada.

- Onde está Brarog? – gritou um orc com o machado em mãos e olhos atentos.

- Essa maldita deve ter matado ele – respondeu outro membro do bando.

- Calem a boca animais, e entrem em formação! - Rugiu Gronz que olhava ameaçadoramente para todos os lados em busca de inimigos.

- O que aconteceu aqui, humana? – perguntou Toruk pondo Sabine de pé – responda - colocando o machado na garganta da garota para enfatizar a pergunta.

- Toruk – chamou o velho clérigo - O que é isso nas suas contas?

Ao se virar para encarar o clérigo, Toruk viu três luzes vermelhas em seu peito.

- O que diabos é isso – perguntou enquanto largava a garota e olhava um estranho rastro de luz.

Os orcs logo acharam a fonte da estranha luz. Parecia algo ou alguém transparente em cima de um galho. De repente viram uma luz branca sair do ombro da criatura em direção do líder em alta velocidade.

O peito de Toruk explodiu quando a luz branca o acertou, fazendo com que um dos três outros orcs restantes perdesse o controle e fugisse, mas logo os outros dois ouviram o covarde gritando.

Gronz ficou parado no lugar junto com outro orc que tremia de medo e a garota que estava em choque oculta por algumas folhagens.

- Será que ele já foi embora? – perguntou o mais jovem tentando controlar o medo.

- Acho que não – disse o velho clérigo com a lança firme em seus punhos.

Do nada o jovem orc deu um berro enquanto o seu corpo era facilmente erguido pela criatura invisível.

- MALDIÇÃO – praguejou o clérigo com o olho esquerdo vidrado.

- ME AJUD... – o corpo do jovem foi rasgado ao meio inundando o chão com sangue e órgãos.

- MOSTRE A CARA COVARDE – gritou Gronz no idioma comum em desafio à criatura invisível – Sou Gronz da Tribo Garras da Noite, Clérigo do invencível Gruumsh e eu o desafio para um combate frente a frente, verme!

Não muito a frente do clérigo surgiu uma criatura com pele verde reptiliana que usava uma estranha mascara na cabeça; deveria ter quase três metros de altura e uma constituição extremamente forte e brutal. Ele trajava um estranho peitoral e tinha inúmeras caveiras menores como adornos sobre o corpo, nos braços ele tinha estranhas braçadeiras que terminavam em laminas duplas e portava uma incrível lança.


Como resposta, deu um urro assustador que nem o mais feroz dos tigres conseguiria igualar.

Gronz apertou a lança mais forte – MORRA – gritou com toda a força dos pulmões e investiu com o objetivo de estocar o estomago da criatura.

A criatura não assumiu nenhuma posição de luta e calmamente esperou que o clérigo se aproximasse.

“fácil de mais” pensou o velho enquanto investia, mas no ultimo segundo ele ergueu a ponta da lança e desferiu uma estocada em direção a garganta com velocidade e precisão élficas.

Em um movimento relâmpago a criatura agarrou a lança com a mão esquerda deixando a ponta da arma a milímetros da garganta, e antes que o velho orc reagisse, desferiu um chute com uma força absurda no peito do velho orc, que foi arremessado a seis metros de distancia com a armadura e ossos destruídos pela força do golpe.

- Monstro maldito – disse o clérigo o cuspindo sangue e dentes sentido o corpo quebrado enquanto olhava a criatura andar calmamente em sua direção enquanto as laminas da braçadeira direita se expandiram como se fossem as garras de um enorme felino.

Não muito longe dali três caçadores acompanhados de meia dúzia de milicianos seguiam os rastros do bando orc ouviram um grito de extrema que fez inúmeras aves levantar vôo...

6 comentários:

  1. Ótima história, grande Leonardo!

    As coisas estão mesmo ficando cada vez mais interessantes...

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  2. Gostei da iniciativa do Leo de escrever esse arco da campanha! Foi muito bem escrito e a narrativa ficou bem no clima do filme.

    Devo admitir que ler um conto baseado numa aventura que mestrei me deixa um pouco envergonhado, mas ao mesmo tempo fico feliz pelos jogadores terem gostado da aventura e mantido ela na memória.

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  3. Leonardo Viera Andrade3 de setembro de 2011 18:20

    Obrigado pelos elogios!

    Eu sinceramente achei essa uma das melhores aventuras que já joguei, mesmo que nossos personagens tenham sido massacrados física e psicologicamente.

    As coisas realmente irão se tornar mais interessantes e brutais, Odin!

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  4. Verhanna Folha Selvagem, a Arquidruidisa de Kharnat4 de setembro de 2011 13:06

    Lembro do medo e angústia que senti enquanto estava nessa floresta. Temia pela vida de meu amado, e principalmente, pela vida que era gerada em meu ventre.

    Essa aventura foi bem divertida e teve muitos momentos de suspense =-)

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  5. Cara, parabéns pela escrita, to gostando bastante! Vamos ver quantos o Predador vai matar até que os bravos heróis consigam derrotá-lo.

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