domingo, 25 de setembro de 2011

Crônicas do Caçador – Capitulo 3: A Chegada (Parte 1)

Por Leonardo Vieira

Uma forte e repentina chuva de verão castigava o Ducado de Woodwych. Poucas horas atrás o céu estava azul e sem nuvens, então sem aviso veio à tempestade, mas chuvas como essa não era nenhuma novidade para os habitantes da capital do ducado. Mas para um membro de um casal de aventureiros que viajava há semanas pelas planícies empoeiradas do norte, a chuva foi uma surpresa nem um pouco agradável.

- Está feliz agora, Rhorvals?- gracejou Verhanna que ria da expressão infeliz de seu marido sem se incomodar com a chuva.
- Muito feliz – respondeu o clérigo sem muito animo – Antes estava fazendo um calor de rachar, e agora estou completamente encharcado.
- É por isso que devemos ter cuidado com aquilo com que desejamos – disse a druidisa entre soluços graças às risadas.
- Só que há certas vantagens em se estar molhado – disse Rhorvals olhando o belo corpo da esposa que graças as vestimentas molhadas deixava as curvas e o busto quase a amostra.

Ao perceber a malícia do marido e a situação de como estava, a elfa silvestre logo tratou de se cobrir com um manto ficando com o rosto em brasas enquanto o clérigo gargalhava. No entanto as gargalhadas do meio-elfo logo acabaram quando o casal observou que o portão principal da cidade murada de Woodwych estava fechado.

- Devem ter fechado por causa da chuva – comentou Verhanna enquanto olhava para o céu que escurecia rapidamente por causa do entardecer, e das nuvens que ficavam cada vez mais ameaçadoras. – Vai haver uma forte tempestade essa noite.
- Talvez – respondeu o clérigo que graças ao seu sangue élfico conseguiu observar muitos guardas nos parapeitos da muralha – Acho que eles fecharam o portão por outro motivo, mas acredito que não nos negarão passagem, ainda mais com essa tormenta que esta para cair. – continuou Rhorvals se lembrando da conversa com o velho Ginn.
- Espero que sim – disse Verhanna enquanto ambos guiavam suas montarias para o portão.

Quando chegaram mais perto ambos viram que a estrutura não aparentava ser muito acolhedora: uma única porta dupla de madeira reforçada com barras de ferro, instalada na muralha de pedra entre duas torres baixas e aprumadas, encontrava-se hermeticamente cerrada diante deles. Umas dez cabeças protegidas por elmos simples se projetavam do parapeito acima do portão, e o casal sentiu outros olhos (e arcos provavelmente) assestados sobre eles desde as trevas do alto das torres.

Logo o casal ouviu uma voz vir do portão - Quem são vocês que batem aos portões de Woodwych nessa tempestade horrível?
- Um jovem e cansado casal de viajantes – respondeu o clérigo – que viaja há semanas para visitar parentes na floresta de Celadon.
- Então deveriam ter ido diretamente para floresta e não para cidade – replicou a voz – o portão foi fechado por causa da tempestade e só abriremos amanha.
- É por causa da chuva que viemos diretamente para a cidade – respondeu a Druidisa – só queremos nos abrigar em uma estalagem até a chuva passar – continuou ela escondendo o fato de terem ido para a cidade para saber mais sobre o problema que o velho Ginn havia comentado.
Passado um minuto o portão começou a se abrir levemente e logo viram o soldado que deveria ser o responsável pela guarda do portão dizer – Entrem rápido!
Sem perder tempo ambos passaram pelo portão e só então os guardas notaram que era um casal de elfos.
Sou Barto, o sargento responsável pela guarda do portão – disse meio sem jeito o homem de meia idade que vestia uma costa de malha comum – Por favor, perdoem a nossa descortesia. – baixando a cabeça – o povo de Alloswind é amigo e muito querido em nossa cidade, e não vimos que vocês são da raça anciã.
- Não é preciso baixar a cabeça ou pedir perdão, Barto, vocês só estavam fazendo o seu trabalho – respondeu Rhorvals.
- É que em tempos sombrios como esse, devemos tomar todo cuidado possível. – comentou o sargento lançando um ultimo olhar sombrio para a floresta enquanto fechavam o portão.
- Que problemas se abateram sobre o condado e a floresta, senhor – perguntou a bela druidisa.
- Coisas agourentas que não devem ser ditas sob um céu raivoso – respondeu Barto olhando para cima. – Se seguirem por essa rua encontrarão a taverna do Alce Vermelho, ela também funciona como estalagem e atende principalmente mercadores que usam o rio para transportar seus produtos para as vilas e cidades do leste.

Depois de agradecerem o sargento e seus soldados mais uma vez, o casal seguiu pela rua indicada e viram poucas pessoas nas ruas, sendo que a maioria delas estava nos barcos que são usados pelos mercadores citados por Barto.
Logo chegaram à taverna, primeiramente ambos foram para o estábulo para cuidar de suas montarias.
O estábulo era uma coisa simples e limpa, feito de madeira e com muita palha no chão, havia duas portas: uma principal que o casal de aventureiros usou para entrar no estábulo e outra menor que ligava com a taverna. Havia seis cavalos e duas carroças ainda com carga atualmente nele e nenhum cavalariço.
- Sei que não gosta de ficar nessa forma, Prateada, mas peço que espere um pouco mais – disse Verhanna enquanto secava a égua branca.
- É que se você voltasse para sua verdadeira forma, metade dos humanos desse lugar fugiria e a outra metade viria arrancar o seu couro, pois a pele de um tigre do gelo pode valer milhares de peças de ouro – disse Rhorvals enquanto cuidava de seu garanhão castanho.
- Eu não acho que fariam isso, Rhorvals – respondeu a druidisa lançando um olhar reprovador ao marido – Só não gostaria de criar pânico. A maioria das pessoas realmente iria fugir.
Quando o clérigo iria responder foi interrompido pelo ranger de uma porta do estábulo sendo aberta.

Continua...

8 comentários:

  1. Excelente texto! Parabéns!

    Aliás, gostei muito dessa ideia de usar metamorfose no tigre para ele entrar na cidade!

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  2. Como de costume, o texto de Leonardo está mesmo muito bom! E sejas bem vindo aos Salões de Valhalla, bravo Claudio!

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  3. Muito bom mesmo Leonardo, estou intrigada para saber o que vai acontecer... quem está entrando no estábulo??

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  4. Rhorvals Alhanadel, o Ciclone de Aço26 de setembro de 2011 19:48

    Obrigado pessoal, e espero que estejam gostando das crônicas!

    Quem adivinhar quem entrar no estábulo ganha 10 peças de ouro!

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  5. Rhorvals Alhanadel, o Ciclone de Aço26 de setembro de 2011 19:51

    *Quem adivinhar o que ou quem está entrando no estábulo ganha 10 peças de ouro!*

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  6. Já deixo registrado o meu desejo em ter isso compilado em PDF.

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