terça-feira, 23 de agosto de 2011

Crônicas do Caçador – Capítulo 1: A Calmaria Antes da Tempestade

Crônicas do Caçador – Capítulo 1: A Calmaria Antes da Tempestade

Por Leonardo Vieira


O Sol do meio-dia ardia alto no céu daquele verão, castigando muitas estradas com seu calor, e abençoando inúmeras colheitas com a vitalidade necessária para que os grãos crescessem fortes para colheita vindoura.

Na opinião geral do povo aquele era sem sombras de duvida o verão mais quente que ocorria há duas décadas, fazendo com que a maioria dos mercadores e peregrinos de todos os tipos passassem por verdadeiras provações nas estradas. Qualquer viajante que vislumbrasse uma estalagem na estrada fazia uma pequena oração em agradecimento a Fharlanghn, deus das estradas.

Um casal viaja para o sul em uma estrada empoeirada do Condado de Mowbrenn. O modo como ambos se comportavam era igual ao de um casal adolescente. Brincavam, riam aproximavam as montarias para darem as mãos.

- Acho que deveríamos ter continuado nosso caminho para o oeste – suspirou o meio-elfo que parcialmente ocultava uma bela cota de malha élfica verde-celeste usando um majestoso manto azul com inúmeros símbolos élficos bordados em fios de prata. - Assim poderíamos ter pego um barco e descido o rio até Celadon - continuou ele fingindo aborrecimento na voz.

- Por acaso está cansado da minha companhia, Rhorvals? – perguntou a bela elfa silvestre com tom irritado. Ela vestia um leve vestido verde-floresta que era feito de tecido e folhas, e em todo seu corpo havia lindas tatuagens druídicas e élficas de cor verde-esmeralda.

- Não é nada disso, Verhanna - respondeu Rhorvals mal contendo o riso - é que me contaram que nessa época do ano os peixes praticamente saltam para dentro dos barcos no rio Franz - Rhorvals olhou para o céu com pouquíssimas nuvens e continuou - peixes frescos e água para se banhar.
- Mas dessa forma a viagem terminaria mais rápido - comentou a druidisa fazendo um gesto com o braço direito para que Rhorvals olhasse ao redor - e também não veríamos essa bela paisagem.



- Você quer dizer; ficar vagando em uma planície sem nada ao redor com o Sol torrando nossas cabeças? - perguntou Rhorvals com um sorriso irônico nos lábios.
- Oras - bufou a druidisa - Rhorvals Alhanadel, o grande clérigo guerreiro de Corellon não agüenta viajar por essas planícies no verão? Perguntou ela devolvendo o sorriso irônico ao clérigo.

Rhorvals aproximou a montaria e estendeu o braço esquerdo para abraçar a amada.
- Esse é o molengão com quem a senhora se casou - respondeu beijando a testa da druidisa.
Verhanna se deixou ser abraçada e encostou a cabeça no ombro do clérigo.
- Esqueceu de mencionar que é falastrão, irresponsável, estúpido, mal-educado e entre outras coisas – ela o abraçou forte e fechou os olhos imaginando a surpresa que ele teria quando descobrisse que seria papai.

Passado algumas horas de viajem, o casal de aventureiros percebeu que havia um pequeno acampamento ao longo da estrada, e como o Sol já estava se pondo no horizonte resolveram ver se poderiam compartilhar a fogueira com eles.

- Saudações - gritou o clérigo de Corellon de forma amistosa para as pessoas do acampamento enquanto ele e sua esposa se aproximavam a cavalo da fogueira.
- Saudações, viajantes- respondeu um homem que aparentava ter vivido mais de quarenta invernos. Ele usava uma roupa simples de agricultor e portava um velho machado de cortar lenha. Enquanto uma jovem garota ia para a carroça e dois rapazes se colocavam ao lado do velho com porretes em mão.

Ao ver a reação pouco amistosa, os aventureiros começavam a achar que não havia sido uma boa idéia se aproximar do acampamento, mas logo ouviram.
- Vejo que são gente de bem e não bandoleiros. Compartilhem a fogueira conosco - disse o velho de forma simpática ao ver melhor o casal de elfos que se aproximava - Meu nome Ginn e esses dois mal educados são meus filhos, Jinn e Marnos. A garota tímida - apontou para carroça - é a minha filha mais nova, Mirna.
- Meu nome Rhorvals - disse o clérigo enquanto o casal desmontava - e essa é minha esposa Verhanna.

Logo o casal conquistou a confiança do patriarca e de sua família. Descobriram que a esposa de Ginn morrera ao dar a luz a Mirna, e contaram que viajam rumo à floresta de Celadon para passar a Lua de Mel e visitar alguns parentes da druidisa.

- Deveriam voltar imediatamente - avisou Ginn com um tom assustado olhando para a fogueira com olhos vidrados - estamos vindo de Woodwych. Algo está assombrando a floresta, matando desvairadamente como um animal.

Verhanna e Rhorvals queriam conseguir mais informações com o patriarca, mas ele estava muito assustado para falar e ficava dizendo para darem meia volta e irem para casa.

No dia seguinte o casal se despediu da família e continuaram rumo ao sul, na direção da cidade de Woodwych para saberem mais sobre os assassinatos que encheram o coração de Ginn de medo.

Ambos tinham um mau pressentimento enquanto cavalgavam rumo à cidade...


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