segunda-feira, 5 de julho de 2010

Contos de Asgard 14: O Soldado (parte I)

Saudações, nobres irmãos.
Após as Guerras de Asgard, os Contos de Asgard retornam aos Salões de pai.

Boa leitura, e que os deuses da guerra estejam convosco.

Por Dragões do Sol Negro

Ele sabia não seria fácil.
Eles estavam armados, ele não.
Eles eram muitos, ele estava só.
Eles tinham defesas, ele apenas seu velho casaco de couro.
Eles trabalhavam por dinheiro, ele por vingança.
Fez um plano infalível, morreria tentando vencê-los.

Aceitou a morte como sua amante, e o sangue dos seus adversários seria seu manto, vestiria a dor deles como suas botas.
Amou durante anos a sua bela donzela, deu-lhe presentes, entregou-lhe seu coração, sua vida, sua vontade de viver e viveram assim durante anos.
Acordava com o chamar dos animais em suas pequenas terras, trabalhava com prazer, suas mãos tinham calos e ao final da tarde a amava mais uma vez, mas nem sempre foi assim.

Ele nasceu em um pequeno feudo próximo ao grande reinado, cresceu trabalhando com o seu pai ajudando nos afazeres, alimentando porcos e galinhas, assim foi sua infância.
Quando completou 15 anos começaram as guerras, como todo garoto ávido por aventuras, ele achava uma maravilha lutar por suas terras, destruir os seus inimigos. E ele era bom nisso.

Mais de uma vez ele lutou e mais de uma vez foi vencedor, o calor da batalha carregava suas energias, o tremor antes do combate quando as duas fileiras se aproximavam o deixava extasiado. Então vinha o choque de escudos contra escudos. A espada curta na mão direita tentava cortar as canelas e pernas dos adversários à frente, atrás do seu escudo amarrado em seu braço.

O rompimento das linhas e o combate desenfreado traziam sorriso ao seu rosto, matava mais que muitos dos seus amigos, o esforço continuo da espada subindo e descendo ceifando vidas esse era o seu serviço, sua labuta.
Foi condecorado várias vezes, premiado por mandar os seus inimigos para os confins do sub-mundo, então algo morreu dentro dele, não sentia mais prazer em matar, apenas fazia seu serviço, mais e mais vezes, e foi premiado por não ter mais alma.
Comandava agora um regimento 20 ou 30 homens moldados na arte da destruição. Mas não era mais feliz pensava apenas em como tudo isso acabaria, as vezes desejava a morte, não a dos inimigos mas a sua própria, mas a morte não queria a sua melhor arma junto de si.

E assim foram 10, 15 anos e já sabia que não teria seu lugar junto aos deuses, já havia matado tudo nesse mundo soldados, mulheres e crianças e mais uma vez foi premiado com mais ouro e medalhas belos, feitos extraordinários.
Já não defendiam o seu lar agora eles conquistavam os inimigos expandiam o império além de suas vistas e a matança parecia não ter fim.
Até que o rei adoeceu e as guerras cessaram, seus serviços não eram mais necessários, então foi a vez de vender suas armas mais 10 anos trabalhando para quem paga-se mais, não fazia isso por dinheiro, mas utilizava o dinheiro nas tabernas, com bebidas e prostitutas.

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